Mesmo lesionado, sem ritmo de jogo e longe do auge técnico, Neymar foi convocado para a Copa em uma decisão que expõe contradições de Ancelotti e aumenta a sensação de desorganização na Seleção Brasileira

Por Marco Osio Pugliesi
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A confirmação da lesão muscular grau 2 na panturrilha direita de Neymar escancarou um problema que parte da torcida brasileira já enxergava há meses: a Seleção Brasileira segue perdida, sem rumo e refém de um nome que já não entrega dentro de campo o que representa fora dele.
A convocação do camisa 10 para a Copa virou um enorme contrassenso
O técnico Carlo Ancelotti havia afirmado, de forma clara, que só levaria jogadores “100% fisicamente”. Mas bastou Neymar aparecer na lista para o discurso cair por terra. Agora, a própria CBF confirma que o jogador não tinha apenas um edema, mas uma lesão muscular mais séria, com previsão mínima de duas a três semanas de recuperação.
A pergunta é inevitável: por que convocar um atleta lesionado?
Mais do que isso: por que insistir em um jogador que já não vinha jogando bem nem contra adversários frágeis do futebol sul-americano?
No Santos, Neymar esteve longe de mostrar intensidade, ritmo ou capacidade física compatível com uma Copa do Mundo. Em muitos momentos, parecia um jogador tentando reencontrar o próprio corpo. Faltou explosão, faltou sequência, faltou futebol. Ainda assim, seu nome segue tratado como intocável.
A sensação é de que o Brasil continua preso ao passado
A Seleção que já revelou gênios como Careca, Romário, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho hoje parece incapaz de seguir em frente sem depender emocionalmente de Neymar. É um sintoma grave de uma geração mal planejada e de uma CBF que insiste mais em marketing do que em meritocracia.
Porque convocação para Copa do Mundo não pode ser prêmio por história construída. Precisa ser baseada em desempenho atual, condição física e capacidade de decidir dentro de campo.
E hoje, sinceramente, Neymar não entrega nenhuma dessas garantias.
O mais preocupante é a mensagem passada ao grupo. Enquanto jogadores vivem grande fase, mantêm regularidade na Europa e chegam fisicamente inteiros, o maior símbolo da Seleção ganha vaga mesmo lesionado, sem ritmo e cercado de dúvidas.
Qual é o critério?
Ancelotti chegou ao Brasil com discurso de renovação, firmeza e meritocracia. Mas sua primeira grande decisão já nasce cercada de pressão, incoerência e desconfiança. Ao insistir em Neymar, o treinador italiano parece ter cedido ao peso político e comercial que envolve o camisa 10.
E isso preocupa
A Copa do Mundo exige intensidade, velocidade, força física e equilíbrio emocional. O futebol atual não permite mais carregar jogadores apenas pelo nome. Ainda mais quando o histórico recente de lesões virou rotina.
Neymar é um dos maiores talentos da história recente do futebol brasileiro. Isso é indiscutível. Mas talento do passado não ganha jogo no presente.
Talvez a verdade mais dura para o torcedor brasileiro seja admitir que o ciclo acabou. E insistir nele pode custar caro ao Brasil mais uma vez.
Se a Seleção quiser realmente voltar a ser protagonista mundial, precisará parar de viver de nostalgia e começar a construir um futuro. Porque, neste momento, o Brasil parece caminhar para mais uma Copa cercado de dúvidas, improvisos e decisões difíceis de explicar.
E a convocação de Neymar lesionado talvez seja o maior retrato disso tudo.






Primeira Resposta
Ancelotti foi esperto. Quando a seleção cair não poderão dizer que foi porque ele não chamou o cai cai jogador de poker online. Sem falar que tem muito patrocínio para a CBF desprezar.