Treinador Amir Ghalenoei fez um duro desabafo diante de Gianni Infantino após a estreia da seleção iraniana na Copa do Mundo de 2026 e acusou os organizadores de prejudicarem a equipe por questões políticas

Técnico do Irã desafia a FIFA e denuncia tratamento injusto na Copa: “Nos tiraram a humanidade” / Foto: Daniel Cole/Reuters
A tensão geopolítica que cerca a participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 ganhou um novo capítulo na noite de segunda-feira (15). Após o empate por 2 a 2 com a Nova Zelândia, em Los Angeles, o técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, fez um contundente discurso diante do presidente da FIFA, Gianni Infantino, e acusou os organizadores de tratarem sua equipe de forma injusta durante o torneio.
A cena aconteceu dentro do vestiário iraniano, após Infantino visitar os jogadores para prestar apoio diante das dificuldades enfrentadas pela delegação. Em resposta, Ghalenoei aproveitou a presença do dirigente máximo do futebol mundial para expor publicamente sua insatisfação.
“Fomos o time mais agredido desta Copa do Mundo. O que fizeram conosco foi uma injustiça. Precisávamos estar aqui pelo menos duas semanas antes da estreia para nos adaptar, mas nos impediram. Nem sequer queriam que chegássemos dois dias antes”, afirmou o treinador.
Restrições impostas ao Irã
Por causa do conflito diplomático e militar envolvendo Irã e Estados Unidos, a delegação iraniana recebeu autorização especial para entrar em território norte-americano apenas na véspera das partidas. A equipe está concentrada em Tijuana, no México, e é obrigada a retornar ao país vizinho imediatamente após cada jogo.
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Segundo o treinador, essa logística compromete diretamente a recuperação física dos atletas. “Depois da partida tivemos que embarcar de volta. Isso prejudica nossa recuperação. Talvez sejamos a equipe mais prejudicada da história das Copas do Mundo”, declarou.
A situação ganhou ainda mais repercussão após relatos de que o capitão da seleção e um membro da comissão técnica foram retidos em um aeroporto dos Estados Unidos após a estreia. “Nos tiraram a humanidade”
No momento mais forte do discurso, Ghalenoei afirmou que o futebol deveria ser um espaço de união e respeito, mas que sua delegação não recebeu esse tratamento.
“Aprendemos que o futebol é um lugar para a humanidade e para a alegria. Mas o país anfitrião nos tirou a humanidade e a alegria”, disse o treinador, pedindo uma postura mais firme da FIFA.
Apesar das críticas, o comandante iraniano elogiou a atuação dos seus jogadores, que buscaram o empate duas vezes diante da Nova Zelândia e protagonizaram uma das partidas mais emocionantes da primeira rodada. “Nossos atletas jogaram com o coração. Eles merecem reconhecimento por tudo o que enfrentaram para estar aqui.”
Infantino responde
Durante a visita ao vestiário, Gianni Infantino demonstrou solidariedade à seleção iraniana e afirmou compreender as dificuldades vividas pelo grupo. “Vocês são mais fortes do que tudo. Estão enviando uma mensagem poderosa para o mundo inteiro. Obrigado por estarem aqui e por representarem seu povo”, declarou o presidente da FIFA.
O episódio expõe como questões políticas e diplomáticas continuam impactando o futebol internacional, mesmo em um torneio que tem como princípio reunir nações dentro de campo. Para o Irã, a disputa pela classificação agora divide espaço com uma batalha fora das quatro linhas.



