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A um ano da Copa do Mundo Feminina, Brasil se prepara para escrever um novo capítulo na história do futebol

Copa do Mundo Feminina será realizada no Brasil, com início no dia 24 de junho de 2027, e promete deixar legado de inclusão, representatividade e desenvolvimento do esporte

Copa do Mundo Feminina 2027 entra na contagem regressiva

Copa do Mundo Feminina 2027 entra na contagem regressiva- Foto: Thais Magalhães/CBF

Enquanto os olhos dos torcedores estão voltados para a disputa da Copa do Mundo masculina de 2026, que movimenta estádios e seleções na América do Norte, o Brasil já vive outra contagem regressiva igualmente histórica. Falta exatamente um ano para o país receber a Copa do Mundo Feminina de 2027, um torneio que promete ir muito além das quatro linhas e marcar uma nova era para o esporte nacional.


Pela primeira vez na história, a principal competição do futebol feminino será realizada na América do Sul. Entre junho e julho de 2027, 32 seleções desembarcarão em oito cidades brasileiras: Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza e Recife, para disputar o título mais importante da modalidade.

Se as Copas masculinas de 1950 e 2014 ficaram marcadas pela paixão do povo brasileiro pelo futebol, a expectativa é que a edição feminina deixe um legado ainda mais amplo, ligado à inclusão, à representatividade e à transformação social.

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Muito além dos gramados

Para a gerente de Competições Femininas da CBF, Aline Pellegrino, o Mundial representa uma oportunidade única para consolidar avanços conquistados pelas mulheres dentro e fora do esporte. “Viver uma Copa do Mundo no Brasil é sempre muito especial. Recebemos duas Copas masculinas e vamos receber, pela primeira vez, a feminina. É importante neste momento de mudanças da sociedade, no reconhecimento do espaço da mulher”, afirmou à CBF TV.

A ex-zagueira acredita que o principal legado da competição pode ser justamente uma mudança cultural. “Eu acho que o futebol tem esse poder de mudança, de transformação. Acredito que um grande legado que pode acontecer, por si só, é esse legado de uma mudança cultural”, destacou.

Segundo ela, o ano que antecede o Mundial será decisivo para ampliar o acesso de meninas ao futebol, fortalecer projetos de base e criar oportunidades para futuras gerações.

Da resistência ao protagonismo

A realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil também simboliza o reconhecimento de uma trajetória construída com décadas de resistência.

Durante boa parte do século passado, o futebol feminino enfrentou obstáculos que hoje parecem inimagináveis. Entre 1941 e 1979, as mulheres foram oficialmente proibidas de praticar futebol no Brasil. Mesmo após a revogação da proibição, a modalidade precisou superar preconceitos, falta de investimento e escassez de oportunidades.

Por isso, sediar o maior torneio do planeta representa um marco histórico. “A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil representa o reconhecimento de uma trajetória marcada por resistência e superação”, afirmou Juliana Agatte, secretária extraordinária para a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Segundo ela, o evento será uma oportunidade para ampliar políticas públicas, aumentar o acesso ao esporte e garantir que meninas e mulheres se vejam representadas tanto dentro quanto fora dos campos.

A proposta do governo federal e das entidades esportivas é fazer com que os benefícios da competição ultrapassem as cidades-sede.

Atualmente diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino do Ministério do Esporte, a ex-jogadora Marileia dos Santos destaca que a Copa será uma ferramenta para fortalecer uma estratégia nacional voltada ao desenvolvimento da modalidade. “Queremos formar uma rede sólida, que permaneça muito além de 2027. A ideia é descentralizar, para que o impacto do futebol feminino floresça em todos os cantos do país”, afirmou.

Entre as ações previstas estão incentivos à formação de atletas, treinadoras, árbitras e gestoras esportivas, ampliando a participação feminina em diferentes áreas do futebol.

Um ano para a festa começar

Para marcar a contagem regressiva de um ano, a FIFA preparou uma série de ações nas cidades-sede.

No Rio de Janeiro, a artista Paula Cruz assinará um mural próximo ao Maracanã. Além disso, pontos turísticos como os Arcos da Lapa, a Igreja da Penha e o próprio Maracanã receberão iluminação especial. O Cristo Redentor também ganhará uma projeção da identidade visual da competição.

Em São Paulo, a artista Aline Bispo realizará uma intervenção artística próxima ao Beco do Batman. Já em Recife, a Ponte Paulo Guerra será iluminada com as cores verde e amarela.

As iniciativas buscam aproximar a população do torneio e iniciar o clima de celebração que deve tomar conta do país nos próximos meses.

Histórico das Copas do Mundo Femininas

1991 – China – Campeã: Estados Unidos
1995 – Suécia – Campeã: Noruega
1999 – Estados Unidos – Campeã: Estados Unidos
2003 – Estados Unidos – Campeã: Alemanha
2007 – China – Campeã: Alemanha
2011 – Alemanha – Campeã: Japão
2015 – Canadá – Campeã: Estados Unidos
2019 – França – Campeã: Estados Unidos
2023 – Austrália e Nova Zelândia – Campeã: Espanha
2027 – Brasil

Gabriela Cobianchi

Redação

Estudante de Jornalismo e integra a equipe da Life Informa. Com destaque na cobertura esportiva, também atua em outras editorias, acompanhando os principais acontecimentos do Vale do Paraíba e região.

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