Zona Sudeste: a região esquecida de São José!

Sem banco ou grandes comércios, população de 46 mil pessoas depende de bairros vizinhos e vive às margens das grandes empresas sediadas na área. Nova lei de zoneamento estimula zona mista e divide opinião entre moradores

Foto: reprodução Google Earth

Na última semana a região sudeste apareceu – de forma indireta – nos jornais e sites de todo o Brasil. Além das dezenas de jornalistas, havia na área intensa mobilização policial. Tudo consequência da paralisação imposta pelo sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos nos acessos dos trabalhadores à Embraer – uma das maiores empresas do Brasil e responsável por parte considerável da economia joseense. Mas, de um dia para o outro tudo voltou ao normal.

Os veículos de comunicação e as forças de segurança não estão mais de plantão na região sudeste. Aliás, a maior parte das notícias atuais da zona sudeste dispõe sobre problemas na segurança pública. Vale ressaltar que não há uma delegacia ou batalhão da Polícia Militar em toda a região – habitada por 46 mil moradores, segundo o censo demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) feito em 2010.

Os próprios milhares de trabalhadores da Embraer, dentre outras empresas de grande porte como INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), só usam a zona sudeste para ir e voltar do trabalho: a esmagadora maioria não reside na região e prefere fazer deslocamentos diários a investir em imóveis na localidade. Também não há banco nem grandes comércios. O que surge de novo são bairros que muitas vezes sofrem com as faltas de estrutura e policiamento como Pinheirinho dos Palmares e Santa Julia. Nem mesmo a maior obra viária de toda São José dos Campos vai contemplar a região como a população desejava: a Via Cambuí – que tem previsão de inauguração em dezembro deste ano – terá apenas uma ligação com a área e será feita pela avenida Livio Veneziani.

Outra questão que atinge diretamente a região e a cidade diz respeito à nova lei de zoneamento elaborada pela prefeitura e que deve ser votada em outubro na Câmara Municipal. “A região sudeste é a menos privilegiada da cidade. É esquecida pelo poder público. A população depende de bairros do centro e da zona sul para encontrar grandes lojas, banco e entretenimento. É preciso estimular a economia da região sudeste e a tornar atraente para investimentos imobiliários. Milhares de executivos passam pela região diariamente. E todo este público passa despercebido. É preciso fazer com que eles morem perto do trabalho, frequentem restaurantes no entorno, encontrem bancos, enfim, que façam por aqui o que eles fazem em outras localidades da cidade”, afirma o morador Fernando Geremias. Segundo ele a prefeitura deveria estimular o desenvolvimento e para isso seriam necessárias alterações na proposta da nova lei de zoneamento.

Residente no bairro Chácaras São José, o entrevistado sugere que parte de uma área situada na avenida Livio Veneziani seja alterada de Zona Mista 1 (permite comércios, bancos e supermercados, mas veta prédios) para Zona Mista 4 (permite verticalização). “É preciso estimular o desenvolvimento e a Livio Veneziani tem papel importante neste processo. Os prédios poderiam ter fachadas ativas fomentando o comércio e a economia local. A prefeitura diz que um dos objetivos da nova lei é evitar que a população faça grandes deslocamentos em seu dia a dia. Para isso é fundamental que parte desta área seja transformada em Zona Mista 4”, enfatiza Geremias, antes de ressaltar o que seria – na opinião dele – um segundo equívoco da nova lei de zoneamento.

“Nas audiências a prefeitura foi bem explícita em afirmar que não vai permitir Zona Mista 4 ao lado de Zona Residencial. Mas é exatamente isso que a própria prefeitura propõe para a região do Jardim Aquarius, no caso específico do Terreno das Vaquinhas. Lá serão permitidos grandes prédios de até 40 andares. Ao lado há uma zona estritamente residencial, que é o Sunset. Por qual motivo esta situação pode no Aquarius e aqui na região Sudeste não pode? Trata-se de uma grande contradição cometida pela prefeitura”, relata. E acrescenta. “Procurei prefeitura e Câmara, mas fui ignorado. Não foi apresentada devolutiva para minha proposta nem argumento técnico que justificasse o zoneamento definido para a Avenida Livio Veneziani”, desabafa.

A sugestão da fonte entrevistada não é compartilhada por outros moradores. Fátima Ricco Moro Lamac, advogada da Associação dos Proprietários da Chácaras São José, bairro classificado como Zona Residencial para as chácaras situadas na parte interna e Zona Mista 1 no lado externo, conta que os membros estão de acordo com a proposta estipulada pela prefeitura.

“Não nos opomos a bancos e comércios. Somos um bairro carente de serviços e pouco valorizado, mas somos contra a liberação dos prédios. Queremos a preservação do nosso verde. Os prédios iriam acabar com as características do bairro. Fizemos, inclusive, um abaixo-assinado contrário à verticalização e à mudança para Zona Mista 4. O ofício foi protocolado na Câmara Municipal pelo vereador Walter Hayashi”, afirma.

É a menor renda per capita da cidade, diz morador

Segundo Geremias a região Sudeste possui 16 mil pessoas economicamente ativas – apesar de gerar cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos atrelados principalmente à Embraer, Petrobras e INPE. “São os maiores salários de toda a RM Vale. Mesmo assim a região sudeste é a que apresenta a menor renda per capita em comparação com as outras regiões do município. A zona sudeste também possui o maior índice de desemprego e a população mais carente. Aqui não há banco, hipermercado, atacadista ou franquia. A solução é incentivar investimentos do empresariado, promover edificações verticais residenciais para as classes média e alta. Destaco também que estes dados são estimados e não retratam a realidade atual da região, já que os indicativos usados como base de cálculo são do censo do IBGE de 2010”, avalia.

Prefeitura justifica escolha do zoneamento e classificação da Livio Veneziani

 Conforme nota da secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade, estudos do Plano Diretor indicaram grandes deslocamentos da população da zona sudeste para outras regiões e por isto a nova lei de zoneamento visa promover a diversidade de usos, tendo sido inclusive estabelecida a Centralidade Local São Judas Tadeu com o intuito de criar um subcentro comercial e de serviços. O zoneamento misto proposto, segundo o texto da pasta, está adequado e permite a diversidade de comércio, serviços e uso industriais, criando atrativos urbanísticos capazes de fomentar a centralidade mencionada.

A Via Cambuí também foi citada na nota devido ao “potencial comercial” que sua inauguração irá causar, conforme parâmetros de uso e ocupação condizentes com sua relevância. Sobre a avenida Livio Veneziani, a secretaria informou que o zoneamento proposto busca respeitar o padrão atual do Jardim da Granja e do loteamento Chácaras São José.

“Para o Jd. da Granja, bairro de características mistas, o projeto de lei manteve o zoneamento misto da legislação atual, tendo sido adotada a ZM4, inclusive para os lotes do bairro voltados para a via citada. Já para os lotes oriundos do loteamento Chácaras São José, voltados para a Avenida Lívio Veneziani e não integrantes do perímetro de fechamento da ZR , foi adotada a ZM1, mantendo-se assim o padrão de zona mista controlada adotada para lotes contíguos à ZR em toda a cidade, para evitar conflitos de usos”, descreve a nota, que é complementada pelo trecho: “o loteamento Chácaras São José constitui loteamento residencial unifamiliar, classificado na legislação atual como ZR, condição mantida no projeto de lei proposto para os lotes integrantes do perímetro de fechamento do bairro. Para os imóveis situados nas proximidades da ponte da Brejauveira, que não integram os loteamentos mencionados, foi proposto o zoneamento ZUD que não admite o uso residencial, buscando fortalecer o comércio e serviço no local”.

Comparação com o Terreno das Vaquinhas

 Segundo a prefeitura o futuro loteamento (classificado como ZM 3) no Terreno das Vaquinhas deverá atender diretrizes de ocupação que preveem a existência de malha viária que impõe a previsão de avenidas no entorno do Sunset e do Jardim Alvorada, ambos classificados como ZR, evitando-se assim a contiguidade de lotes mistos com lotes residenciais. Na visão da secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade esta situação é diferente dos lotes voltados para a Avenida Lívio Veneziani, já que eles são “contíguos à ZR correspondente ao perímetro de fechamento do Chácaras São José, para a qual deve-se evitar a contiguidade de usos inadequados com as residências do bairro”.

Aeroporto, museu e CDP

Ainda conservando alguns traços rurais, a zona sudeste é cortada pelo rio Cambuí. Além das grandes empresas – principalmente do setor aeronáutico -, a região é sede do aeroporto de São José e abriga ainda o acervo do MAB (Memorial Aeroespacial Brasileiro). O CDP (Centro de Detenção Provisória) do Putim também fica situado na parte sudeste do município joseense.

Região Sudeste

Composta por 38 bairros, a zona sudeste possui 12.680 residências e 45.800 moradores, resultando em uma média de 3,61 habitantes/residência, a maior de São José, conforme dados da prefeitura.

População

Região Domicílios particulares ocupados Pessoas residentes Moradores/ domicílio
Centro 24.690 72.115 2,9
Norte 17.646 59.800 3,4
Leste 46.829 160.990 3,4
Sudeste 12.680 45.800 3,6
Sul 69.198 233.536 3,4
Oeste 13.490 41.163 3,1
SFX 437 1.342 3,1
       
Fonte: Censo 2010 – IBGE e estimativas IPPLAN/PMSJ

 

 

 

 

 

 

 

LIFE | cotidiano - Publicado 12:17 | - Redação

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Comentários:

4 thoughts on “Zona Sudeste: a região esquecida de São José!

  1. Carlos Alberto Pereira disse:

    Moro do Flamboyant e tenho um comércio na Av Brigadeiro Faria Lima, temos ótimos restaurantes, banco 24h, farmácia e mercado próximo, não sinto falta de nada do que estão falando, faço tudo por aqui e adoro morar aqui,

  2. Valmir Rodrigues disse:

    Como morador do Jd Santa Luzia discordo totalmente desta matéria a região sudeste é a que mais se desenvolveu nos últimos anos com bairros com toda infraestrutura bairros como santa Julia, Santa Rosa,vila Adriana, residencial tom Jobim, dentre outros a região está com vários condomínio fechado como verana,Floresta,Arua , sem contar os condomínios verticais que são inúmeros basta comparar as imagens do Google a parte que está estaguinada são os bairros antigos citados na reportagem.

  3. Jose Antonio de Souza Dias disse:

    Não esqueça que grudado com a região sudeste está os Bairros Santa Cecília 1 e 2 que não tem nenhuma infraestrutura, falta rede de esgotesgoto, guias, ruas pavimentadas, nenhuma área de laser, etc….., temos que deslocar do Santa Cecília para o novo horizonte para fazer tudo em uma trilha que sai da Pousada do Vale para residencial Paineiras, estamos cercados pela maiores indústrias que recolhem impostos para São Jose dos Campos como Embraer, Petrobras Revap, Aeroporto e muitas outras, isto é São Jose que ninguém enchergar sendo que a população deste região do aumenta e eu estou no meio da região leste para sudeste.

  4. Jose Antonio de Souza Dias disse:

    Tudo que a população do Santa Cecília 1 e 2 tem que fazer tem que deslocar para região do Putin ou a região do Novo Horizonte, assaltaram uma estrada estreita que não tem calçadas onde corremos serios perigos de ser atropelado e a cada dia o trânsito aumenta, está estrada liga a pousada do Vale ao Santa Julia como gostaria que o prefeito desse uma caminhada nesta estrada para sentir o que nos sentimos.

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