Tradutora e intérprete forense: A difícil arte de ser neutra e imparcial

Especialista em assuntos jurídicos e governamentais, Renata Machado atua em casos na Justiça Federal que envolvem mulas do tráfico, crianças e pedofilia. “Não posso deixar a emoção assumir o controle. É preciso compostura e firmeza”, afirma

Pouco conhecida pelo grande público, a profissão de tradutora e intérprete é de suma importância para a integridade nacional. Atuando na Justiça Federal, esta função é responsável por uma gama de serviços relevantes como tradução de documentação de processos criminais, causas fundadas em tratados ou contratos internacionais, crimes ou infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse do governo brasileiro – dentre muitas outras áreas.

Fluente em inglês e espanhol, a joseense Renata Machado atua neste nicho, que é extenso e abrange também casos de passaportes e vistos falsos, causas relativas aos direitos humanos de competência de julgamento de juízes federais, crimes contra a organização do trabalho ou contra o sistema financeiro, produção de moedas falsas, proteção de direitos indígenas que envolvem organizações internacionais, crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves – como tráfico internacional de entorpecentes em navios no litoral norte.

“A maior demanda ocorre nos processos que envolvem as mulas do tráfico internacional no aeroporto de Guarulhos. Cada processo tem duração média de uns 10 meses”, afirma Renata. Questionada sobre os casos mais chocantes que acompanhou, a intérprete é direta nas respostas. “Os que envolvem crianças ou mulheres, sejam abusos sexuais ou cárcere privado”, explica.

Dentre as principais dificuldades da sua profissão, a tradutora destaca a necessidade constante de atualização e a manutenção da neutralidade e imparcialidade, apesar da intensa carga emotiva que envolve as mais dramáticas histórias de vida. “O papel do intérprete é agir com integridade, profissionalismo, compostura, educação, comedimento e sobriedade, sempre com firmeza e responsabilidade”, conta.

Saiba mais sobre o trabalho de uma tradutora e intérprete forense com a entrevista abaixo concedida por Renata Machado.

Life – Você possui fluência em quais idiomas?

Renata MachadoSou nascida em São José dos Campos, portanto, brasileira, com muito orgulho. Eu falo a língua portuguesa que é meu idioma nativo. Eu morei alguns anos na Inglaterra, em Londres, onde consegui minha certificação em proficiência no inglês britânico pela Universidade de Cambridge e depois tirei minha certificação no inglês americano, pela Universidade de Michigan, sou fluente em espanhol, aprendi um pouco de italiano e agora escolhi aprender o alemão pelo desafio de ser uma língua que para você conseguir dizer 1968, seria: neunzehnhundertachtundersechzig (=19+100+68), pois alguns dizem que uma vida sem desafios, não vale a pena ser vivida e quanto maiores as dificuldades para vencermos, maior será a nossa satisfação.

Life – Como funciona o seu trabalho na Justiça Federal?

Renata MachadoEu sou tradutora e intérprete forense nomeada para atuar em inglês e espanhol na Justiça Federal, desde 2013, faço a tradução da documentação dos processos criminais atuando na interpretação (oral) e tradução (escrita) de causas entre o governo brasileiro e os Estados estrangeiros ou organismos internacionais, causas fundadas em tratados ou contratos internacionais, crimes ou infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse do governo brasileiro, assim como nos crimes previstos em tratados ou alguma contravenção internacional, passaportes falsos, vistos falsos, causas relativas aos direitos humanos de competência de julgamento de juízes federais, crimes contra a organização do trabalho ou contra o sistema financeiro, produção de moedas falsas, proteção de direitos indígenas que envolvem organizações internacionais, crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, como tráfico internacional de drogas em navios no litoral norte,   pedofilia envolvendo réus estrangeiros, violência contra a criança ou menor cometido por acusados estrangeiros, desmembramento de organização criminosa internacional e a maior demanda seria nos processos que envolvem as mulas do tráfico internacional no aeroporto de Guarulhos, em uma cifra obscura e não formalizada do tráfico de entorpecentes, em uma média de mais da metade cometida por homens, que envolvendo o continente da África, América Central, América do Norte, América do Sul, Ásia e Europa, com uma média de quase metade deles, com ensino médio completo, levando cada processo a duração média de uns 10 meses.

Life – Você atua em casos chocante. Como fazer para manter o equilíbrio psicológico e não se envolver emocionalmente com o contexto da história?

Renata MachadoInfelizmente, os casos de crimes considerados como “mais chocantes” cometidos contra as crianças ou mulheres, sejam abusos sexuais ou cárcere privado (relacionados ou não às “mulas” do tráfico de drogas internacional), quando nos deparamos com toda uma orquestração e perpetração de atos criminais,  estão presentes em nossa sociedade, sendo essencial a elaboração de políticas corretas de prevenção e repressão aos delitos criminais, cabendo ao Magistrado instruir e decidir cada uma das causas, assim como, decidir a pena do autor do delito criminal. Mesmo o intérprete fazendo a leitura em voz alta da decisão do juiz, o intérprete não tem nenhuma participação na decisão da pena do acusado estrangeiro. O intérprete precisa ser extremamente imparcial, manter a fidelidade da interpretação, sem adições, omissões, adequações, embelezamento da fala, esclarecimentos mesmo em declarações desconexas, transparência no uso de obscenidades, redundâncias, gírias, alterações de sentido, negativas duplas, erros de concordância verbal ou nominal, sendo essencial ser neutro, jamais dar conselhos ao réu porque mesmo na intenção de ajudá-lo, pode eventualmente acabar por prejudicá-lo, procurar manter sempre uma boa atuação cultural e linguística, buscando sempre balancear e procurar manter nosso equilíbrio psicológico, e não se envolver emocionalmente em nenhum contexto da história, evitando nos tornar um profissional muito sensível ou totalmente insensível, principalmente, porque a confidencialidade e sigilo profissional são essenciais.

Life – Qual o caso mais emblemático que você já participou?

Renata MachadoEu já participei de alguns casos que poderiam ser considerados “emblemáticos”, realizando a tradução de material probatório da Polícia Federal, em conversas de aparelhos celulares apreendidos ou correios eletrônicos, leitura a prima vista de documentação recém juntada aos autos durante audiências, envolvendo réus estrangeiros presos em flagrante em território brasileiro. Os casos que mais me “sensibilizaram” foram no início da carreira profissional, sem muito preparado ou treinamento, como por exemplo, situações de “desespero” de acusadas. Exemplos seriam como de uma africana, era uma mãe que chora constantemente relatando que havia deixado seus filhos com uma de suas vizinhas  e comida para cerca de 10 dias, presa em flagrante, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, declarando-se “extremamente arrependida” por ter acreditado em uma promessa bastante tentadora de recebimento de quantia em dinheiro que achou muito “fácil”, por parte de um aliciador de uma organização criminosa internacional, implorava para ficar perto de seus filhos e pedia clemência ao promotor, defensora pública e as duas testemunhas, incessantemente, jogando-se no chão de joelhos para pedir clemência e perdão. Quando questionada pela Juíza, se, no caso de uma eventual condenação se ela preferiria cumprir a pena na África para estar próxima de seus filhos ou no Brasil, respondeu prontamente, enxugando suas lágrimas, que preferiria no Brasil pois o sistema penitenciário para ela seria muito melhor do que o do continente africano, pois aqui ela seria mais bem tratada e que se fosse possível, preferiria ficar aqui no Brasil. Com o tempo, aprendemos que é dever ético essencial ao intérprete, manter o distanciamento, extrema neutralidade e imparcialidade em absoluto com qualquer envolvido em um processo penal, procurando sempre manter a fidelidade, da melhor maneira possível para permitir que o magistrado consiga dar sua sentença de forma “justa”, devendo o intérprete manter o sigilo absoluto de todas as informações que tenha acesso durante a realização de sua função laboral, não tendo o intérprete “memória”. Aprendi com a prática que a única excludente da quebra de um sigilo absoluto de confidencialidade laboral seria quando em uma situação de risco iminente, outras vidas possam estar eventualmente comprometidas, estando a vida ou a saúde de outrem comprometidas,  como a prisão de flagrante de um cabeça de uma organização criminosa internacional e que declara ter outras pessoas, sejam homens, mulheres e/ou crianças, em uma quarto subterrâneo presas com cadeados, em condições de insalubridade, com privação de sua alimentação, higiene, em perigo, em um local que declara saber informar com precisão para efetiva deflagração por parte da polícia federal, mesmo com um número incerto de indivíduos. O papel do intérprete é agir com integridade, profissionalismo, compostura, educação, comedimento, sobriedade, permanecer sem medo, atuar decididamente, com firmeza, responsabilidade, jamais deixar que a emoção assuma o controle, e o simples fato de falar mais de um idioma, não significa necessariamente que uma pessoa possa ser um tradutor e/ou intérprete forense.

Life – Quais as principais dificuldades do seu trabalho?

Renata MachadoA principal dificuldade do meu trabalho é manter-se constantemente atualizada, com o mais alto grau de educação, formação acadêmica, experiência pois o aprendizado é infindável, estando em desenvolvimento profissional contínuo, dominar as técnicas de interpretação da forma mais profissional possível, sempre com integridade, saber que é preciso saber até onde é o seu limite físico e mental, pois não somos máquinas, somos humanos. Eu me lembro de uma audiência realizada no litoral norte, de uma apreensão de alguns estrangeiros em um cruzeiro que precisei me deslocar bem cedo para considerar o tempo de estrada e trânsito, assim como qualquer eventualidade, para realizar uma audiência com interrogatório de réus ouvidos separadamente, fazer interpretação consecutiva de todas as testemunhas arroladas pela acusação e defesa, e no final da tarde, estava fazendo o que chamamos de “shadowing”, repetindo a fala literalmente no mesmo idioma sem realizar a versão para o idioma de destino por que eu já nem mais sabia qual idioma estava falando nas últimas declarações de um dois acusados. É preciso saber que pelo protocolo, a intérprete pode solicitar um intervalo de alguns minutos para “respirar” em audiências extremamente longas e cansativas, como são, os casos de audiências que podem durar dias, nos casos de desmembramento de células de organização criminosa internacional onde cada um dos integrantes recebe a pena no montante de sua participação na organização criminosa internacional. O segredo é comer uma maçã, aprendi isso quando fiz o treinamento de uso da voz com a Nina Danka, que me recomendou nunca comer aquele (delicioso) chocolate ou beber leite no café antes de usar muito a minha voz, como nas audiências ou nas interpretações simultâneas em conferências, sentada dentro de uma cabine, no fundo de uma sala lotada. Claro que jamais iremos conseguir saber sobre todas as centenas de novidades, mais de 100.000 revistas científicas do mundo, ler os 1.000 últimos livros lançados ou as mais de 3 milhões de páginas da internet pois sempre seremos um eterno aprendiz para cada uma das novas áreas de conhecimento. Nunca saberemos tudo sobre tudo, jamais aprenderemos tudo o que precisamos aprender nesta jornada da vida, pois a cada dia que nasce, temos um novo aprendizado e certamente, colocar em prática, de alguma forma, em nossas vidas.

Life – O que mais lhe satisfaz em sua atividade profissional?

Renata MachadoO que me dá mais prazer na minha atividade profissional é estar em constante desenvolvimento, aprender uma palavra nova aqui e outra ali, saber que é possível contribuir de alguma forma com a sociedade, sentir-se útil ao poder ajudar na comunicação entre as pessoas de forma tão profissional, saber que não existem “missões impossíveis”, que nos adaptamos ao ambiente sejam em situações fáceis ou difíceis, nunca saberemos o quão forte somos até que ser fortes seja a nossa única escolha. O que é mais gratificante para mim é poder compartilhar o pouco do meu conhecimento em eventos, oficinas, palestras, webinars, treinamentos, cursos, com outros colegas tradutores e intérpretes profissionais ou mesmo despertar o brilho no olhar dos iniciantes porque uma vela não se apaga quando acende outra e, claro, que ter o reconhecimento profissional de pessoas que me ajudaram a caminhar até aqui, colegas que me incentivaram rumo ao meu sucesso profissional, a admiração das pessoas que me cercam, meus amigos, clientes e em especial, todos os meus familiares (praticamente, quase 100 pessoas) é extremamente importante para mim.

Life – Como a pandemia impactou o seu trabalho?

Renata MachadoA pandemia impactou meu trabalho como tradutora e intérprete de maneira bastante significativa. Com o aumento da carga de trabalho, prazos mais apertados para as traduções, em face de uma mudança drástica na saúde mental das pessoas, vivendo um momento de incerteza social e econômica, a nível global, acentuou os níveis de transtornos mentais ou psiquiátricos relacionados às mudanças drásticas da qualidade de vida das pessoas, refletindo diretamente no aumento de diferentes modalidades ofensivas, com maiores perturbações mentais, psicológicas, esquizofrenias, violência doméstica contra menores ou mulheres, ataques de pânico, que afetaram o sentido da vida para alguns, com tomada de decisões mais violentas, causando danos intencionais, direta ou indiretamente, disfunções neurológicas ou psicológicas, abuso de certas substâncias como álcool e drogas,e, devido a redução de voos internacionais como medida preventiva de redução ao covid-19,  houve o consequente aumento da quantidade de prisões em flagrante de mulas do tráfico internacional de drogas na travessia de fronteiras terrestres na América do Sul, resultando em um aumento de audiências realizadas em espanhol. No cenário internacional, nas interpretações remotas médicas e as interpretações comunitárias relacionados aos abusos por parte de uma pessoa dentro do contexto doméstico, contra crianças, mulheres e idosas, falantes do idioma português que encontram-se em países da Europa ou Estados Unidos, também aumentaram bastante, seja no contexto físico, psicológico, moral, sexual ou patrimonial, independentemente de idade, com maior ou menor poder aquisitivo.  A atual ordem econômica mundial, que faz com que os países capitalistas tenham a real necessidade de vultosos e fluxos (e, claro, contínuos…) de papel moeda dentro e fora de seus limites territoriais acabou sendo afetado pelo cenário pandêmico em que nos encontramos.    Houve um aumento do combate por parte da Polícia Federal em relação à produção e distribuição de moedas falsas no país, crime que no Brasil pode chegar até o cumprimento de 12 anos de reclusão, se condenados. Infelizmente, a simples produção de moeda falsa, como foi a cédula de 20 dolares (US$20!), usada por George Floyd na compra de um maço de cigarros, na cidade de Minneapolis, um americano negro aos seus 46 anos de idade, sufocado por um policial branco que manteve o joelho em seu pescoço por cerca de 8 minutos, gerando uma onda de protestos nos Estados Unidos, com repercussões mundiais.  Para que haja a quebra de sigilo de proteção de dados, sejam usuários brasileiros ou estrangeiros, pelas redes sociais estrangeiras, toda a documentação deve ser traduzida com precisão, rapidez, sigilo profissional, discrição, fidelidade e profissionalismo. Conseguiremos chegar a um “estado de bem-estar social e criminalidade zero”, como a Noruega, “onde todos conseguem um lugar ao sol”?

Life – A percepção faz parte do seu trabalho? Você, de alguma forma, percebe quando a pessoa está mentindo ou tentado burlar as autoridades? Você pode opinar, expressar o seu feeling?

Renata MachadoO tradutor e/ou intérprete forense não tem opinião, mesmo que eventualmente tenha, deve ser guardada para si, precisa ser imparcial, neutro e procurar manter a mesma “emoção” da pessoa que fala. Por exemplo: O juiz faz uma pergunta direta e firme. Cabe ao intérprete, transmitir a mesma firmeza e certeza. Se o réu responde de forma, mais “dramática”, não cabe ao intérprete fazer o “dramatismo” porém transmitir tudo no mesmo tom de voz do assistido, pois não deve aumentar esse “efeito de drama”, durante a audiência perante o juiz e o membro do Ministério Público Federal porque isso pode eventualmente aumentar sua pena e/ou prejudicar o réu. Na minha experiência, com a prática ao longo dos anos, quando o réu demonstra os chamados “picos de humor”, encontra-se muito agressivo, irritado, emotivo, “fora de controle”,  eu normalmente coloco um copo de água na frente dele e digo, água no idioma dele. A percepção com o ambiente, intuição temporal, impressão visual  e espacial  do meio, desenvolvi com os treinamentos do personal Vinicius Dumas e também aprendi com aulas de de defesa pessoal (Hapkido), com o Sabonim Demetrius, e como sentamos bem próximos dos réus, em caso de desconforto naquele momento, o intérprete pode solicitar a recolocação das algemas, como foi o caso de um peruano que gargalhava incessantemente, com voz embargada e os olhos arregalados, causando um ambiente de perturbador com tantas risadas histéricas durante a entrevista reservada em confidencialidade com a Defensoria Pública da União e ainda durante seu interrogatório.Pelos padrões de ética profissional, cabe ao intérprete levantar a mão direita e dizer: “pelo protocolo, Excelência, a intérprete solicita a colocação de algemas pois ela não se sente segura com o comportamento do assistido”. de qualquer forma, o intérprete deve se manter o mais neutro possível, não dar risada de nada que possa parecer “engraçado”,  ou de “piadinhas”, “breves histórias com finais engraçados” para relatar algum detalhe dos fatos, exatamente com a intenção ou não de provocar o riso nos presentes. a preparação para o nível de compostura profissional dentro de uma sala de audiências, vem com o tempo e isso é um grande diferencial no ambiente laboral, atuando com o compromisso, seriedade, respeito e educação, jamais aceitando “presentes”, “gratificações”, “privilégios” ou “conselhos”.

Life – Sua área de atuação é pouca conhecida do grande público mesmo sendo um trabalho de suma importância. Acha que falta reconhecimento da sua profissão?

Renata MachadoPara que esse trabalho tenha um reconhecimento por parte do governo, com treinamento profissional, emocional, padrões de conduta ética e profissional, melhores salários, com uma quantidade excessiva de crimes internacionais, precisaríamos ter um treinamento padrão mínimo para todos os idiomas que atuam na Justiça Federal, com certificação, um exame com perguntas e respostas como existem nos outros países. Nossa realidade e’ que transitam, só no aeroporto Internacional de Guarulhos, quase 7 milhões de pessoas, e a quantidade de droga apreendida ali através da prisão em flagrante das mulas do tráfico é em média entre 134-141 toneladas por ano. Vivemos em um modelo de precariedade, onde intérpretes são contratados ao acaso, como já aconteceu com o idioma tailandês, utilizando uma tailandesa presa para servir de intérprete para outra pela falta de profissionais capacitados e/ou qualificados para nesse idioma, naquele momento, ignorando todas as técnicas e padrões mínimos de ética profissional. Minha sugestão seria a criação de um Código de Ética Profissional, um programa oficial de treinamento e capacitação de profissionais preparados da melhor maneira possível, para atuar em uma área que qualquer “particularidade” não respeitada, poderá beneficiar ou prejudicar o réu, de uma forma mais homogênea em todo o território nacional, considerando o ponto de vista jurídico-constitucional para garantir maior reconhecimento e melhoria da atuação profissional dos intérpretes. Importante ainda seria o treinamento de juízes para as modalidades de interpretação a nível judiciário, pois não cabe ao intérprete “resumir”as declarações do acusado, nem ao menor “reformular” as perguntas realizadas e que por motivos “justos”ou não, não foram “entendidos”pelo acusado, hora por mera casualidade para que “ganhe” um tempo maior para processar mentalmente a melhor resposta e hora, por não ter realmente entendido a pergunta mesmo, não cabendo ao intérprete, em hipótese alguma melhorar, reduzir, reformular ou modificar no todo ou em partes a fala de nenhuma das partes seja da acusação, defesa, magistrado, exatamente pela importância da fidelidade que irá afetar diretamente a pena recebida por ele pela ofensa criminal realizada. O vocabulário é bastante de terminologia jurídica, meu curso de direito ajuda bastante, de qualquer forma, precisamos de um programa oficial de seleção e treinamento de tradutores e intérpretes forenses no Brasil. Temos profissionais brilhantes na área da traducao e Interpretação Jurídica, as colegas Jaqueline Nordin, brasileira residente na Suécia e Flávia Lima, brasileira, residente na Florida, Estados Unidos, amigas queridas e de minha grande admiração pela competência profissional e dedicação na área da interpretação jurídica.

Life – Quais dicas você dá para quem pretende ingressar na profissão?

Renata MachadoMinha dica para quem pretende ingressar na profissão seria ser profissional, estar disposto a estudar todos os dias sobre novas terminologias, ter domínio a nível de proficiência nos pares de idiomas que for trabalhar e domínio nas técnicas de interpretação simultânea (falar ao mesmo tempo com split-attention sabendo as sobreposições de fala) , consecutiva (com boa tomada de notas para que consiga reproduzir com a maior fidelidade o discurso), chuchotage ou whispering (cochicho ao pé do ouvido) , leitura a prima vista (ler o documento em um idioma no idioma de destino) e estar preparado para enfrentar os desafios da interpretação judicial.

 

 

LIFE | cotidiano - Publicado 12:42 | - Redação

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