Picadeiro na faixa de pedestres

Crise econômica impulsiona crescimento de malabaristas pelos principais cruzamentos e semáforos da cidade; ganhos dos artistas de rua podem chegar a R$100 por dia

Eles passam o dia todo nos semáforos chamando a atenção dos motoristas para sua arte. Seja na rotatória do Colinas ou nas principais avenidas de São José, artistas de rua se apresentam sob a faixa de pedestres dos mais movimentados cruzamentos viários da cidade.

Foto: Life Informa

As “apresentações urbanas” não são novidade, mas o crescimento é notório e está diretamente ligado às quedas das vagas de emprego. Engana-se quem pensa que a maioria dos “malabaristas de semáforo” não seja de São José e adjacências.

Em uma tarde à caça dos artistas, a reportagem constatou que muitos moram na cidade e buscam na arte de rua uma alternativa de renda para o sustento familiar. Em 15 minutos de conversa, José Roberto* (22 anos) e Adriano* (25 anos) revelaram que são da zona norte de São José.

“Trabalhamos com isso por falta de oportunidade. É a única maneira de sustentar nossos filhos”, contam José, que tem um filho de dois anos, e Adriano, pai de uma menina de cinco anos. Em um dia inteiro de trabalho nos semáforos eles contam que arrecadam em média entre R$80 e R$100. “É uma forma honesta de garantir o pão de cada dia. Infelizmente os artistas de rua não são valorizados no Brasil”, lamenta Adriano. Questionado sobre o maior “reconhecimento” que obteve em um semáforo joseense, José Roberto é direto na resposta. “Semana passada uma senhora me deu R$50. Mas é exceção. A grande maioria dá moedas mesmo”, comenta. Também há os artistas que não são de São José. Alguns dele, por exemplo, vem de longe. É o caso do uruguaio Matias* (38 anos). “Fico um período em cada cidade. Aqui venho dormindo na rua ou em abrigos”, disparou, sem demonstrar muito interesse em conversar. Matias quer mesmo é praticar seu malabares e ganhar sua justa remuneração.

Motoristas – Em pouco mais de 40 minutos, a reportagem pode observar que muitos motoristas são complacentes com o trabalho dos artistas de rua. “Eu gosto. É um trabalho como qualquer outro. E ajuda a diminuir o tédio do semáforo”, disse Luccas Martone. Opinião similar foi exposta pela professora Maria de Lourdes Chad. “É um trabalho artístico. Já tentei fazer malabares e é muito difícil. É preciso técnica e treinamento”, avaliou.

Já o estagiário Omar Lucazzeti não é favorável ao trabalho desenvolvido nas faixas de pedestres. “Não é o local adequado. Nada contra a atividade, mas faixa de pedestre é única e exclusivamente para o tráfego de pedestres”, relatou.

Prefeitura – A Secretaria de Apoio Social ao Cidadão informou que vem acompanhando e inclusive, ampliou as equipes de Abordagem Social para a atuação das pessoas em situação de rua. Sete peruas Kombi, 35 agentes sociais vem atuando 24 horas por dia na abordagem dessas pessoas.

Durante a abordagem, quando há aceitação, essas pessoas são encaminhadas aos vários serviços da rede socioassitencial, como o Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), as UBS’s (Unidades Básicas de Saúde) e Abrigos. Além disso, uma outra ação da Secretaria é a campanha  “Dê uma nova chance, não dê esmola”, que passou a veicular nas mídias.

A intenção da campanha é conscientizar as pessoas de que dar esmolas acaba estimulando a permanência das pessoas em mendicância nas ruas. Para ajudar e informar sobre pessoas em situação de rua basta ligar 153, o serviço da Prefeitura que vai acolher, cuidar e encaminhar quem precisa para que tenha a oportunidade de recomeçar uma vida nova.

Código de Trânsito – De acordo com o artigo 254 do Código de Trânsito Brasileiro, é proibido ao pedestre permanecer ou andar nas pistas de rolamento, exceto para cruzá-las onde for permitido. A lei ainda proíbe a utilização para a prática de qualquer folguedo, esporte, desfiles e similares, salvo em casos especiais e com a devida licença da autoridade competente. A infração de trânsito, assim como todas, é cabível de multa.

Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana – Embora a proibição esteja prevista, não existe regulamentação para que seja feita a fiscalização de pedestres infratores.  Entretanto, a equipe de fiscalização de posturas inibe esta prática nas ruas de São José do Campos por meio de orientação e retirada dessas pessoas dos locais inadequados.

*nomes fictícios

LIFE | cotidiano - Publicado 22:25 | - Redação

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