Cerca de 180 alunos da Unesp protestam novamente contra assédio no campus de São José dos Campos e cobram apuração de denúncias envolvendo professor

Um novo protesto de alunos da Unesp marca a tarde desta quarta-feira (6) na avenida Francisco José Longo e outras vias do Jardim São Dimas, zona central de São José dos Campos. Cerca de 180 estudantes denunciaram casos de assédio e supostos estupros atribuídos a um professor, além de cobrarem providências da direção da universidade. Eles distribuem folheto com a frase “Meu corpo não faz parte da sua aula”. Um protesto similar foi realizado na segunda (4).
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Com cartazes e palavras de ordem contra machismo e violência sexual, os alunos percorreram ruas da região. Durante o ato, frases como “Assédio aqui não” e “Estuprador não pode ser professor” foram entoadas pelos manifestantes. Segundo os estudantes, as denúncias já teriam sido levadas à direção da universidade, mas sem medidas consideradas eficazes. “O máximo que a direção faz são palestras. Um absurdo”, afirmou uma aluna durante o protesto.
Denúncias e relatos
Uma estudante de 21 anos afirma ter registrado boletim de ocorrência após denunciar estupro supostamente cometido por um professor em 2023. De acordo com o relato, o crime teria ocorrido após ela aceitar uma carona ao sair da faculdade. A jovem também afirma que passou a sofrer ameaças após o episódio.
Em publicação recente, ela incentivou outras possíveis vítimas a relatarem situações semelhantes, independentemente do tempo em que ocorreram.
Outro depoimento que ganhou repercussão foi o de uma cirurgiã-dentista formada pela instituição. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirmou que o caso denunciado seria “a ponta do iceberg”. Segundo o relato, a profissional teria sofrido abuso dentro de sala de aula e, posteriormente, perseguição acadêmica.
Posicionamento da universidade
Em nota oficial, a direção do Instituto de Ciência e Tecnologia da Unesp informou que acompanha as manifestações e reiterou repúdio a qualquer forma de assédio. A universidade destacou que disponibiliza canais institucionais para denúncias, com garantia de sigilo e apuração.
Ainda segundo a instituição, foram abertos dois Processos de Apuração Preliminar (PAD) desde o dia 30 de abril para investigar os casos registrados. A direção também afirmou que a apuração depende da formalização das denúncias.
A universidade ressaltou o direito à manifestação dos estudantes, mas destacou a importância do diálogo e da condução respeitosa das mobilizações.







