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4 de Julho Eterno: O dia em que Romário iluminou o caminho do Tetra e o Brasil venceu sua batalha mais difícil nos Estados Unidos

Há exatos 32 anos, a Seleção Brasileira enfrentava muito mais do que o time da casa. Sob um calor sufocante, contra um adversário valente e depois da expulsão de Leonardo, o Brasil mostrou união, raça e contou com a genialidade de Romário para dar um passo decisivo rumo ao tetracampeonato

Por Marco Osio Pugliesi


4 de Julho Eterno: O dia em que Romário iluminou o caminho do Tetra e o Brasil venceu sua batalha mais difícil nos Estados Unidos

4 de Julho Eterno: O dia em que Romário iluminou o caminho do Tetra e o Brasil venceu sua batalha mais difícil nos Estados Unidos

Os mais jovens talvez ainda não saibam. Mas, existem vitórias que valem mais do que um simples placar. Existem jogos que moldam campeões. Existem partidas que revelam o verdadeiro caráter de uma equipe. E, para quem viveu a Copa do Mundo de 1994, poucas lembranças são tão marcantes quanto aquele inesquecível 4 de julho, quando o Brasil derrotou os Estados Unidos por 1 a 0, em Stanford, pelas oitavas de final.

Passados 32 anos, aquele duelo continua sendo lembrado como, provavelmente, o maior teste enfrentado pela Seleção durante toda a caminhada rumo ao tetracampeonato. Não foi a final contra a Itália. Não foi a semifinal contra a Suécia. Foi ali, diante dos donos da casa, no dia “Independence Day”, que o Brasil precisou provar que tinha alma de campeão.

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O favoritismo brasileiro existia apenas no papel. Dentro de campo, a realidade era completamente diferente. Os Estados Unidos jogavam empurrados por um estádio completamente lotado, em clima de decisão nacional. Era o país-sede tentando escrever sua maior página no futebol. Os americanos corriam como nunca, disputavam cada bola como se fosse a última e encontravam no calor escaldante da Califórnia um aliado poderoso.

Os termômetros passavam dos 35 graus. O desgaste físico era brutal. E o sofrimento brasileiro aumentou ainda mais quando Leonardo foi expulso ainda no primeiro tempo após acertar uma cotovelada violenta em Tab Ramos. Jogar contra o dono da casa já era difícil. Jogar praticamente toda a partida com um homem a menos parecia transformar a missão em algo quase impossível.

Mas, foi justamente naquele cenário que nasceu um dos maiores exemplos de união da história da Seleção Brasileira. Cada jogador passou a correr pelo companheiro. Cada desarme era comemorado. Cada dividida parecia uma final. Dunga liderava com sua personalidade inabalável. Leão Mauro Silva fazia uma partida impecável no meio-campo. Aldair e Márcio Santos formavam um verdadeiro muro na defesa. Taffarel transmitia segurança.

Era um Brasil solidário, organizado e determinado a sobreviver. Só que toda grande equipe precisa de um gênio. E o Brasil tinha Romário. O Baixinho não era deste planeta. Ele não precisava tocar muitas vezes na bola. Bastava um instante. Um segundo. Um espaço mínimo era suficiente. A genialidade mora justamente nisso: enxergar o que ninguém consegue ver.

Aos 27 minutos do segundo tempo, em um momento genial, Romário recebeu pela esquerda. Qualquer outro atacante talvez tentasse concluir a jogada sozinho. Mas, Romário era diferente.  Ele percebeu um movimento que poucos enxergaram.

Atraiu a marcação, segurou a bola pelo tempo exato e colocou Bebeto na cara do gol com um passe perfeito, daqueles que parecem simples apenas porque foram executados por um craque. Bebeto dominou e finalizou com categoria. A bola entrou exatamente no único local onde as mãos de Tony Meola não tinham como alcançar. O estádio silenciou. Enquanto milhões de brasileiros explodiam diante da televisão.

Era muito mais que um gol. Era o alívio. Era a confirmação de que aquele grupo possuía algo especial. A famosa comemoração de Bebeto entrou para a história. Foi um sonoro “Eu te Amo” dito a Romário. Um amor verdadeiro. Amor de amigo. Amor de respeito. Amor que faz história. Amor que gera alegria!

Dali em diante, o país inteiro passou a acreditar que aquele tetra realmente era possível. Romário não marcou. Nem precisava. Os gênios também brilham servindo. Sua assistência foi uma verdadeira obra-prima, construída com inteligência, frieza e uma capacidade absurda de decidir grandes partidas.

Foi exatamente por isso que ele terminou aquela Copa como o melhor jogador do mundo. Porque aparecia quando ninguém mais conseguia. Porque decidia quando o jogo parecia travado. Porque transformava dificuldades em oportunidades.

Mas, reduzir aquela vitória apenas ao talento de Romário seria injusto. O triunfo sobre os Estados Unidos pertenceu a todos. Pertenceu ao espírito coletivo daquela Seleção e até ao pragmatismo exagerado da dupla Parreira e Zagalo, que já mora no céu. Independente de esquemas táticos, de gols e jogadas individuais, o objetivo era apenas um: trazer a Copa do Mundo de volta para casa depois de 24 anos.

Talvez por isso aquele Brasil continue tão respeitado. Não era uma equipe de firulas. Era um time competitivo. Maduro. Frio. Seguro. E extremamente eficiente. Depois daquela batalha vieram Holanda, Suécia e Itália. Cada adversário apresentou seus desafios. Mas, nenhum exigiu tanto emocionalmente quanto os Estados Unidos.

Se o Brasil superou aquele obstáculo jogando quase uma hora com dez homens, resistindo à pressão da torcida adversária e ao desgaste físico extremo, passou a carregar consigo uma certeza silenciosa: aquele grupo estava preparado para qualquer desafio. O restante da Copa apenas confirmou isso.

No dia 17 de julho, em Pasadena, o Brasil conquistaria o tetracampeonato mundial após derrotar a Itália nos pênaltis. Mas muitos brasileiros já haviam sentido, intimamente, que o destino daquela taça começara a ser escrito duas semanas antes. Naquele inesquecível 4 de julho.

Hoje, 32 anos depois, recordar Brasil 1 x 0 Estados Unidos é muito mais do que revisitar um resultado. É lembrar de uma Seleção que jamais desistiu. É celebrar a força da união. É reverenciar um dos maiores camisas 11 da história do futebol. Romário não apenas deu uma assistência. Naquele dia, ele abriu o caminho do tetra. E o Brasil inteiro caminhou junto.

Existem vitórias que ficam na memória. E existem vitórias que entram para a eternidade. Aquela tarde de 4 de julho de 1994 jamais será esquecida. Foi o dia em que a raça brasileira encontrou a genialidade de Romário. Foi o dia em que Bebeto fez o gol. Foi o dia em que o sonho do tetracampeonato ganhou deixou de ser sonhou e ganhou contornos de realidade. E a realidade veio! Brasil tetracampeão do mundo! Que os mais jovens também tenham o prazer de saborear as delícias propiciadas pelo espetáculo chamado futebol. Afinal, nunca é só futebol…

 

Humberto Banys

Redação

Jornalista, fundador da Life Informa e diretor de jornalismo do portal. Atua na coordenação editorial e na cobertura dos principais acontecimentos do Vale do Paraíba e Litoral Norte, com foco na produção de informação ágil, responsável e de interesse público.

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