Primeiro brasileiro a apitar uma abertura de Copa do Mundo, Wilton Pereira Sampaio carrega reconhecimento da Fifa e o peso das críticas acumuladas entre torcedores

Wilton na abertura da Copa? Feito histórico para o Brasil, lenda entre os torcedores / Foto: Celso Pupo / Shutterstock
Por Marco Osio Pugliese
O apito da história… e da polêmica! A escalação de Wilton Pereira Sampaio para comandar a abertura da Copa do Mundo de 2026 é, ao mesmo tempo, um feito histórico para a arbitragem brasileira e uma decisão que certamente provocou reações de surpresa entre muitos torcedores.
Pela primeira vez em 23 edições do Mundial, um árbitro brasileiro terá a responsabilidade de apitar o jogo inaugural da competição. Trata-se de um reconhecimento importante da Fifa ao trabalho desenvolvido pela arbitragem nacional ao longo das últimas décadas. O Brasil já teve árbitros em finais de Copa, como Arnaldo Cezar Coelho e Romualdo Arppi Filho, mas jamais havia recebido a honra de comandar o primeiro jogo do torneio.
O problema é que o nome escolhido está longe de ser unanimidade!
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Entre torcedores brasileiros, Wilton Pereira Sampaio talvez seja um dos árbitros mais contestados dos últimos anos. Nas redes sociais, a repercussão da escalação alternou entre surpresa, memes e críticas. Para muitos apaixonados por futebol, o anúncio soou quase como uma “piada pronta”.
A desconfiança não surgiu do nada. Na Copa do Catar, em 2022, Wilton esteve envolvido em uma das partidas mais polêmicas do torneio, o confronto entre França e Inglaterra pelas quartas de final. Na ocasião, ingleses reclamaram de faltas não marcadas, possíveis pênaltis ignorados e decisões que geraram intenso debate internacional. Ele conseguiu irritar tanto franceses com ingleses!
Mesmo no futebol brasileiro, o árbitro frequentemente é alvo de críticas de torcedores de praticamente todos os clubes. Talvez esse seja o único consenso nacional em tempos de rivalidade extrema: dificilmente alguém termina uma rodada elogiando a arbitragem.
Isso significa que a Fifa errou? Não necessariamente.
A entidade avalia critérios técnicos, desempenho físico, testes, observadores e relatórios internos que muitas vezes passam longe da percepção popular. Se Wilton está em sua terceira Copa do Mundo, é porque existe confiança institucional em seu trabalho.
Ainda assim, não deixa de ser curioso que justamente um dos árbitros mais questionados pelos brasileiros tenha sido escolhido para um marco histórico tão relevante.
O fato é que a Copa começa com um brasileiro fazendo história. E isso merece registro.
Agora, resta torcer para que México e África do Sul tenham uma noite tranquila, sem lances polêmicos, sem VAR protagonista e sem reclamações intermináveis após o apito final.
Porque, convenhamos, se existe algo capaz de transformar um feito histórico em manchete mundial pelos motivos errados, é uma arbitragem cercada por controvérsias.
Que mexicanos e sul-africanos tenham paciência. E que Wilton tenha uma atuação à altura do momento histórico que está prestes a viver.



