Polilaminina UFRJ: o que a ciência já publicou, o que ainda é relato e em que fase está o estudo clínico autorizado pela Anvisa.

A polilaminina da UFRJ é uma molécula desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e associada a relatos de recuperação de movimentos após lesões graves na medula. Com autorização da Anvisa para uma fase inicial de testes em humanos, o tema voltou ao debate, mas ainda há limites claros entre evidência publicada, resultados preliminares e informação que precisa de validação clínica.
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A história que circula nas redes sobre uma “cientista brasileira que fez cinco tetraplégicos andarem” está ligada ao trabalho da pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, e ao desenvolvimento da polilaminina — uma forma estabilizada e reconstituída da proteína laminina, estudada por sua capacidade de favorecer reconexões neurais em lesões medulares.
O ponto mais sólido, do ponto de vista científico, é que já existe resultado preliminar divulgado como preprint (ainda sem revisão por pares completa) envolvendo oito pacientes com lesão medular completa aguda: seis (75%) teriam apresentado conversão de gravidade na escala AIS (de A para C/D), um sinal de recuperação motora acima do que costuma ser reportado na literatura para não tratados (até 15%), segundo o próprio registro e análises públicas do estudo.
O que entra como “relato” (e exige cuidado)
Os casos mais conhecidos na imprensa incluem pacientes com tetraplegia após lesão cervical, como o de Bruno Drummond de Freitas, citado em reportagens e entrevistas. Esses relatos ajudam a entender o potencial e a motivação da pesquisa, mas não substituem ensaios clínicos maiores, controlados e revisados, necessários para medir segurança, eficácia e taxa real de resposta.
Em que fase está agora
Em 8 de janeiro de 2026, a Faperj informou que a Anvisa autorizou o início de uma primeira fase de estudo clínico para avaliar segurança, com cinco voluntários adultos com lesão completa torácica ocorrida há até 72 horas, com aplicação única durante procedimento cirúrgico. O desenho reforça que o tratamento segue experimental e com critérios bem restritos.
Além da UFRJ, há participação e apoio em divulgação institucional, incluindo CAPES, e parceria de desenvolvimento com o laboratório Cristália em etapas do projeto.






