Sul Life: Projeto piloto da praça Rubens Castilho passa por modificações

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Implantação de uma composteira desagradou parte do bairro pelo mau cheiro, causou degradação da paisagem da praça e ocasionou aparição de animais peçonhentos, conforme comentários de moradores

Foto: Lucas Lacaz Ruiz

A praça Rubens Castilho, no Jardim Estoril, zona sul de São José, é uma praça um tanto quanto diferente em relação a outros lugares públicos da cidade. Lá, a sustentabilidade fala mais alto e a conscientização ambiental é o foco principal de moradores que, junto à prefeitura, desenvolvem práticas para construírem uma área mais arborizada, saudável e limpa. Mas, não é o que alguns moradores alegam. Muitas reclamações de maus cuidados com a praça fez com que a prefeitura retirasse o projeto das composteiras e também algumas mudas de árvores plantada inadequadamente.


Há cerca de um ano e meio, alguns moradores mais atuantes e engajados com a praça implantaram uma composteira no local com ajuda da prefeitura. A iniciativa sustentável, que tinha como objetivo conscientizar a vizinhança em relação aos cuidados com o descarte de lixo, transformando lixo orgânico em adubo, inicialmente foi vista com bons olhos. Mas, ao ser colocada em prática, com o decorrer do tempo, gerou descontentamento de moradores do local, que passaram a reclamar de “visitas” desagradáveis de animais peçonhentos, pela degradação da paisagem e do mau cheiro na praça.

“Tudo balela, a praça ficou um verdadeiro criadouro de cobras, ratos e escorpiões. Sem nenhum planejamento, sem distância adequada de uma árvore para outra. A composteira é, na verdade, um criadouro de animais peçonhentos. Um absurdo! Lembrando que ficou melhor ainda para meliantes que ali ficam. Está um verdadeiro matagal”, argumentou um morador, que ainda comentou sobre o desejo de que a prefeitura passe a administrar a praça sozinha, sem interferência de moradores.

“No projeto, tudo foi perfeição. Creio mesmo na boa intenção, na preocupação com o meio ambiente e com a economia sustentável, porém, no decorrer, ou seja, no seu desenvolvimento, o plantio desregrado de árvores próximas umas das outras, o descuido com as ervas da mandala expostas à urina dos cães que transitam pela praça e a má conservação das composteiras nos levou (moradores do Jardim Estoril) a reivindicar a praça a voltar a ser como era antes desse projeto”, explicou outra moradora.

Segundo Lucas Lacaz, responsável por organizar as composteiras, a prefeitura iniciou o projeto no dia 23 de setembro 2017, plantou várias mudas de árvores, horta mandala e, sem nenhuma satisfação, foi na praça recentemente e retirou tudo. Lucas afirmou que as composteiras nunca tiveram mau cheiro nem animais peçonhentos, como aranhas, cobras e escorpiões. “A falta de manutenção da praça foi feita propositalmente de uma maneira maquiavélica”, afirma. Ainda segundo Lacaz, a secretaria de Manutenção da Cidade deixou de fazer a manutenção na praça para caracterizar a praça como largada e abandonada.

O responsável pelas composteiras também comentou que tenta contato com a prefeitura, mas não é ouvido.

Prefeitura – Com a reação negativa de grande parte da comunidade do bairro, a prefeitura decidiu realizar uma pesquisa de opinião com moradores afim de discutir o futuro da praça. Com isso, foi decidido que o projeto piloto feito na praça Rubens Castilho passará por modificações, que não foram especificadas pelo órgão.

De acordo com a prefeitura, a manutenção da praça não deve ser feita apenas por ela ou algum indivíduo solitário. O manejo de soluções “comunitárias” de sustentabilidade deve se dar por um “coletivo local” (moradores, alunos de escola local) com autorização e orientação dos técnicos do poder público.

A prefeitura ainda enfatizou que realiza monitoramento da vegetação da praça. “O desejo de plantar uma árvore é louvável e fundamental, mas também é fundamental consultar a administração para definir os locais públicos, as espécies adequadas e os espaçamentos.  Só assim conseguiremos uma arborização segura, evitando conflitos futuros e até riscos a coletividade e ao meio ambiente. Espécies venenosas, espinhentas e invasoras não devem ser plantadas e demandam seu manejo.  Existem espécies e espaçamentos adequados definidas para arborização urbana, inclusive um Plano Municipal de Arborização Urbana”, afirmou nota da secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade.

 

 

 

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