Irresponsabilidade com fezes de animais ameaça a saúde pública e aumenta o risco de zoonoses

A cena é frequente. Cães esbeltos e muito bem cuidados passeiam com seus respectivos donos pela ampla e arborizada Praça Ulisses Guimarães. Mas o que deveria ser um simples hábito diário pode representar grave ameaça à saúde pública do bairro. E por irresponsabilidade de muitas pessoas que simplesmente ignoram as fezes deixadas pelos animais.
“As chuvas rotineiras causam alagamentos e contribuem com grande relevância para a proliferação das zoonoses, infecções e doenças que podem ser adquiridas através de contato com animais de estimação”, afirma o veterinário da clínica Pet Company, Roberto Takeo Shinkai. Segundo o especialista, é imprescindível o recolhimento das fezes, além de manter atualizadas as vacinas V8 e V10.
“Uma das doenças mais graves é a leptospirose, transmitida pela urina do rato, cuja disseminação aumenta nos dias quentes. Ela também pode ser transmitida através da urina do cachorro contaminado. Existem vacinas próprias para prevenir leptospirose”, explica, antes de enfatizar a forma de transmissão da moléstia. “Ela age de forma ativa, ou seja, penetra diretamente na pele, não precisando de feridas. Pode resultar em falências renal e hepática, tanto em cachorro como humano. Os sintomas variam e consentem em crises de vômito, mucosas amareladas e hemorragias. Outras doenças comuns em áreas de lazer são a toxoplasmose e o bicho geográfico”, acrescenta.
O odor originado pelas fezes em decomposição, apesar de extremamente desagradável para os “padrões” humanos, atrai os cães. Conforme abordagem do veterinário Marcos Issao Teraoka, o olfato é o sentido mais utilizado pelo animal no momento de reconhecer o ambiente.
“Cheirando as fezes, que concentram moscas e baratas, o cachorro pode ser contaminado por diversos vermes. As larvas das moscas são fontes de infecção. Miíase, popularmente conhecida como bicheira, e berne são alguns exemplos bem comuns. A conscientização da população é essencial para a preservação e bem-estar das áreas de lazer e praças públicas”, frisa.
Cuidados redobrados nas áreas públicas – Áreas verdes podem representar uma grave ameaça à saúde dos cachorros – caso não sejam adotados certos cuidados. “A larva do bicho geográfico não sobrevive ao sol e se acomoda nas sombras, justamente onde há maior concentração de pessoas e animais. Outro risco é a dirofilária, que tem o pernilongo como vetor. Como em áreas verdes existem muitos vira-latas, a disseminação se torna fácil”, frisa Roberto Takeo Shinkai.
Outra preocupação é a leishmaniose. “Em humanos esta doença pode ocasionar falência múltipla dos órgãos”, expõe. Na opinião do especialista, o ideal é realizar uma prevenção mensal, já que o efeito do vermífugo – que é um medicamento preventivo e não curativo – dura em média 30 dias. “A maioria das pessoas não faz exame antes de dar vermífugo, o que coloca a saúde do cachorro em risco”, esclarece. Apear da fama de “transmissor de doenças”, o cão saudável e bem cuidado não oferece perigo nas áreas públicas. “O problema é que apenas 10% são devidamente tratados com orientação veterinária. O bom senso é que deve ditar as regras. Não é agradável soltar o animal. Ele pode incomodar pessoas, defecar, brigar com outros cachorros e até atacar humanos”, encerra.
» Entre aqui em nossos grupos e canais de Whatsapp e tenha a notícia mais rápida na palma da sua mão
Conscientização – O Jardim Aquarius possui uma praça linda e arborizada, certamente uma das mais imponentes da cidade, mas que rotineiramente vive infestada de fezes de cães e gatos. É pedir muito para que cada um recolha os dejetos do seu “melhor amigo”? O cidadão não é informado o suficiente para saber do sério risco da transmissão de graves doenças? Isso sem contar a simples questão de educação!








