“Geração Multitarefas”: Entendendo e manejando a atenção dividida

“A ideia de que a geração atual consegue enviar mensagens enquanto estuda ou assiste a uma aula é incorreta. Existe uma perda inevitável de atenção”, explica neuropsiquiatra

Pode-se prestar atenção em uma aula e no celular simultaneamente? Este questionamento seria imaginável há uma década, mas hoje em dia muitos adolescentes levam um telefone celular para a sala de aula. Além disso, apesar da orientação para que os aparelhos permaneçam desligados ou “no silencioso”, a maioria “checa” mensagens, ligações ou entra no facebook a cada cinco minutos.
Isto traz à tona a questão da atenção dividida – o quanto se pode manter a atenção de dois focos ao mesmo tempo ou se necessariamente ocorrem perdas por dividir a atenção.
Com a evolução do cérebro, desenvolveram-se estruturas e circuitos que permitem a identificação de prioridades instante a instante, assim como a organização de comportamentos para atender a estas prioridades.

Desta forma, estes comportamentos “executivos” estão diretamente relacionados à eficácia do funcionamento no dia a dia. “Uma das características importantes do transtorno de déficit de atenção é justamente uma capacidade inibitória reduzida para estímulos menos relevantes comparados com aquilo que é – ou deveria ser – o mais importante a cada momento”, afirma o neuro-psiquiatra da Unep, Carlos H. Ferreira Banys.
O entrevistado explica que para contrastar com a atual era tecnológica basta imaginar um objeto quase em extinção: o cartão-postal. O psiquiatra usa como exemplos um cartão-postal de Paris, centrado na Torre Eiffel, e outro de Nova York, com destaque para o Empire State Building.
“No caso do enorme prédio americano teríamos que nos esforçar para ‘separá-lo’ de todos os outros edifícios, também altos e imponentes, que o circundam no centro de Manhattan. Já a Torre Eiffel se destaca com facilidade mediante os prédios baixos que a circundam. Assim, a torre ‘domina’ o quadro e não sofre interferências à sua volta”, compara. E acrescenta.
“Quando o cérebro consegue focar naquilo que é mais relevante entra em ação um sistema de inibição, que reduz o impacto de todos os estímulos menos relevantes para a prioridade do momento. Já quando dividimos nossa atenção caímos na situação do Empire State, tornando mais difícil o foco naquilo que deveria ser o estímulo mais relevante, como assistir ao que o professor diz na sala ou o que está escrito em um texto que estamos lendo”.
Segundo o especialista sempre que o cérebro “divide” o foco de atenção em mais de um estímulo, a capacidade de “dedicar-se” ao estímulo prioritário diminui. “A ideia de que a geração atual consegue ler e enviar mensagens enquanto estuda ou assiste a uma aula é incorreta. Existe uma perda inevitável de qualidade ‘atencional’ quando isto acontece”, enfatiza.
No mundo de hoje, com tantos estímulos e interesses, esse desvio de atenção representa um grande problema. O médico conta que é como se a atenção ao que está sendo dito em uma aula ou lido em um texto “acendesse e apagasse” o tempo todo devido à atenção entre duas ou mais atividades. “Isso prejudica o aprendizado e gera uma queda significativa de rendimento porque o aluno absorve apenas parcialmente as informações”.
Uma questão relevante é até que ponto a prática de “tentar ser bem-sucedido” em prestar atenção a mais de um estímulo simultaneamente pode, no futuro, alterar a capacidade do cérebro em focar-se em apenas um estímulo. Na realidade, destaca o entrevistado, o que deve ser feito é um treinamento continuado com o objetivo de tentar evitar a distração e priorizar o estímulo principal a cada momento.
“Ao contrário das gerações X e Y, a geração Z está conectada 100% do tempo. Assim é inevitável que os pais estabeleçam regras para acabar com a divisão de tarefas ao mesmo tempo, já que isso não faz sentido em termos de funcionamento do cérebro”, encerra o neuropsiquiatra.

 

LIFE | saude - Publicado 15:43 | - Redação

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