O “fluxo”das cigarras em nossa cidade

Você anda ouvindo o zumbido desses insetos mais alto do que nunca? a noite?

Os dias e noites quentes da primavera são de deleite puro para a espécie e a alegria é tanta que incomoda muito gente.

Andar por aí nestas tardes primaveris, em muitas das nossas ruas e praças, é sinônimo de estar disposto (ou nem tanto) a ouvir a sinfonia estridente de centenas de cigarras, além de levar surpreendentes chuveiradas de xixi delas na cabeça.

Mas de onde vem tanta cigarra com tanta disposição para o canto? É impressão ou a praga aumentou nos últimos anos?

Não, não é impressão. É fato. O número de cigarras esguelhando nestas tardes quentes de primavera aumentou – e a altura do seu canto também.

Na verdade, são vários os fatores que contribuíram para isso. Nossas cidades foram arborizadas com árvores que são hospedeiras das cigarras. Quem as plantou escolheu as espécies pela beleza da copa, pelo porte das árvores, pelas flores e pela sombra que proporcionariam. O quesito “casa de cigarras” foi percebido depois que a coisa ficou feia. O ambiente urbano também atraiu os insetos por outro motivo. “No meio rural, as noites de lua cheia e calor são noites de cantoria das cigarras por causa da claridade. Como nas cidades toda noite é clara, aqui em São José agora a prefeitura esta trocando a iluminação antiga por LED, a cigarra se confunde com tanta luz e segue cantando a todo vapor por noites a fio”, diz o biólogo Marcos Pelosoa.

Tudo isso junto transformam nossas cidades em verdadeiros paraísos para o inseto – sem falar no detalhe mais favorável da vida urbana: o privilégio de estar bem longe dos seus predadores naturais. Sem macacos-pregos, gaviões carcarás e anús-brancos à vista, as cigarras declaram as copas dos ipês e cibipurunas de nossas praças e avenidas como sendo seus quartéis generais. E dá-lhe xixi na cabeça das visitas indesejadas.

A hora é agora

O mês de outubro e o início de novembro é o tempo de acasalamento das cigarras. Quanto mais agudo e marcante for o canto do macho, mais chances ele tem de impressionar alguma fêmea e atraí-la. O agrônomo e pesquisador do Instituto Pró-Café, na cidade de Varginha (MG), André Luiz Alvarenga Garcia, explica que o ruído emitido pelo som das cigarras pode chegar a até 120 decibéis – mais alto, por exemplo, do que o som emitido por uma viatura da polícia. É tão irritante que a própria cigarra tem um mecanismo para proteger os seus ouvidos do som que emite.

As cigarras só cantam na fase final do seu ciclo de vida. “O período em que se põem a cantar é um tempo breve da vida das cigarras adultas, quando estão se acasalando. Bem antes disso, já viviam nas árvores, no cafeeiro, sugando a seiva de que precisam para se alimentarem”, diz.

 

LIFE | cotidiano - Publicado 23:56 | - Redação

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Comentários:

4 thoughts on “O “fluxo”das cigarras em nossa cidade

  1. Jonas Marcelo Alves disse:

    Melhor ouvir o barulho das cigarras do que de festas e de sons em alto volume.

  2. Cecília Rodrigues Mota de Assis disse:

    Amei a reportagem e as informações! Curiosidade e vamos preservar e ouvir!!!

    • Leila disse:

      Ótimas informações. Mas sou só eu que ando perdendo sono com o barulho super alto ao amanhecer? Não dá para namorar sem acordar os vizinhos?

  3. Mirian disse:

    Matéria interessante, parabéns!

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