*Editorial da revista Aquarius Life de junho

Por Esrom Vellenich
A cada eleição, o debate costuma girar em torno de um único cargo: presidente da República. As discussões tomam conta das redes sociais, das rodas de conversa e dos noticiários. Mas, enquanto a atenção da maioria está voltada para o Palácio do Planalto, muitas vezes esquecemos de olhar para aqueles que possuem uma das ferramentas mais poderosas da democracia: a caneta que cria, altera e aprova as leis do país.
Estou falando dos deputados federais e dos senadores.
Não se trata de diminuir a importância do presidente. O chefe do Executivo tem papel fundamental na condução do país. Mas, muitas das mudanças que a população cobra diariamente dependem diretamente do Congresso Nacional. São deputados e senadores que discutem e votam leis, aprovam reformas, fiscalizam o governo e definem os rumos de temas que impactam a vida de todos nós.
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Um exemplo que gera indignação constante é a sensação de impunidade. Quantas vezes vemos a polícia prender criminosos e, pouco tempo depois, eles estão novamente nas ruas? A população se pergunta onde está o problema. A resposta, muitas vezes, passa pelas leis. E quem tem o poder de propor mudanças, endurecer penas, revisar legislações e debater mecanismos que fortaleçam a segurança pública são justamente os parlamentares eleitos para Brasília.
Mas a responsabilidade deles vai muito além disso. Questões relacionadas à saúde, educação, infraestrutura, impostos, empreendedorismo, meio ambiente e desenvolvimento econômico também passam pelo Congresso. Em outras palavras, muitas das decisões que afetam o nosso dia a dia nascem da atuação de deputados federais e senadores.
Por isso, acredito que precisamos amadurecer a forma como votamos. Não basta escolher um nome porque apareceu mais nas redes sociais, porque fez um vídeo engraçado ou porque recebeu o apoio de alguém famoso. É preciso pesquisar. Conhecer a trajetória do candidato, suas propostas, seu histórico, sua produtividade e os valores que defende.
O voto consciente não começa na urna. Ele começa muito antes, quando dedicamos alguns minutos para entender quem está pedindo a nossa confiança.
A democracia não se fortalece apenas no dia da eleição. Ela se fortalece quando o cidadão acompanha, fiscaliza e cobra aqueles que elegeu. Afinal, reclamar depois é fácil. Difícil é assumir a responsabilidade da escolha.
Se queremos mudanças reais, precisamos olhar além dos cargos mais visíveis. O futuro do Brasil também passa pelas cadeiras ocupadas no Congresso Nacional. E a decisão de quem sentará nelas está, exclusivamente, em nossas mãos. Afinal, o voto é individual, mas suas consequências são coletivas.

