Depressão em idosos

A depressão acomete 30 a 50% das pessoas com mais de 60 anos, e é causa importante de incapacidade na terceira idade. A tristeza e o luto fazem parte das reações esperadas aos eventos que ocorrem na velhice: morte do cônjuge, sensação de inutilidade após a aposentadoria, dificuldades físicas causadas pelas doenças.

No entanto, indivíduos saudáveis passam por essa fase de ajustes sem que haja sofrimento exacerbado ou prejuízo nas atividades diárias. Ou seja, ter depressão não faz parte do envelhecimento normal.
Isolamento social, viuvez, sexo feminino, problemas financeiros e condições de saúde que provocam dor crônica, como osteoartrose e fibromialgia, estão associados a maior risco para a doença. Ter uma ocupação, praticar exercícios físicos e manter uma boa rede de amigos e familiares são estratégias úteis na prevenção da doença.
No idoso a depressão manifesta-se de maneira diferente do que no adulto jovem. Não necessariamente há tristeza intensa. O indivíduo pode apenas tornar-se apático, isolado, indiferente ao que acontece ao seu redor. Pode dormir pouco ou muito, ficar mais agressivo, irritado. Pode, inclusive, experimentar distorções da realidade, ter ideias fixas, ver coisas ou ouvir vozes que não existem.
Devido a essas particularidades, o diagnóstico pode ser difícil e tardio, agravando as consequências da doença: menor qualidade de vida, maior risco de desenvolver alcoolismo ou outras doenças psiquiátricas (como transtornos de ansiedade ou demências) e, principalmente, maior risco de suicídio.
Os pilares básicos do tratamento são o apoio familiar, a psicoterapia e o tratamento medicamentoso. Meditação, musicoterapia e arteterapia podem ajudar no restabelecimento do bem estar e são bons adjuvantes. A escolha do tipo-de tratamento vai depender de fatores como a severidade do quadro, o sintoma predominante, as contraindicações a medicamentos e a preferência do paciente. Para depressões moderadas a severas é sempre recomendado o uso medicamentoso. Os antidepressivos são medicações que agem no sistema nervoso central, e devem ser prescritos por médicos habilitados (geriatras ou psiquiatras). Idosos geralmente têm outras doenças e fazem uso de muitos remédios, estando mais sujeitos a interações medicamentosas. Por isso, o tratamento geralmente se inicia com uma dose mais baixa do antidepressivo, e o paciente é reavaliado a cada 2 semanas. Se tudo estiver bem, a dose vai sendo aumentada progressivamente até que seja atingida a dose ideal.
A melhora dos sintomas leva pelo menos um mês para aparecer. Uma vez controlada a depressão, o paciente ainda deve manter o tratamento por 6 a 12 meses para evitar o risco de recaídas. Quando o paciente não melhora com medicamentos ou em casos muito graves, pode ser indicada a eletroconvulsoterapia, uma estimulação cerebral feita com o paciente sedado, sem qualquer sofrimento.
É importante reconhecer e tratar a depressão. Em caso de dúvidas, procure um profissional habilitado.

Dra. Talita Orlandi – médica geriatra pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. CRM-SP 150928

LIFE | saude - Publicado 19:24 | - Redação

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Comentários:

One thought on “Depressão em idosos

  1. Karen Terahata disse:

    Minha mãe está com esses sintomas, mas foi diagnosticada com Alzheimer… como saber se não se trata de um quadro de depressão?

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