Centenas de pessoas se reuniram na Avenida Paulista para pedir justiça pelo cão Orelha, torturado por adolescentes em Santa Catarina

Centenas de pessoas participaram, neste domingo (1), de um protesto na avenida Paulista, em São Paulo, para pedir justiça pelo cão Orelha, torturado por adolescentes na Praia Brava, em Santa Catarina. A manifestação buscou pressionar autoridades por punição aos envolvidos e chamou atenção para a violência contra animais.
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O ato teve início por volta das 10h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), e seguiu até o início da tarde. Os manifestantes vestiam majoritariamente roupas pretas e camisetas com a imagem do cão Orelha, além de frases pedindo justiça e o fim da impunidade em casos de maus-tratos a animais.
O cão vira-lata, que era cuidado por moradores da comunidade local, foi torturado no dia 4 de janeiro, na Praia Brava, litoral de Santa Catarina. Gravemente ferido, Orelha não resistiu e morreu no dia seguinte, após ser submetido à eutanásia devido à gravidade do quadro clínico.
Durante o protesto na avenida Paulista, cartazes e palavras de ordem cobravam punição rigorosa aos adolescentes investigados por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos. Algumas placas também defendiam a redução da maioridade penal em casos de crimes violentos.
Entre os participantes estava a psicóloga Luana Ramos, que defendeu mudanças na legislação penal. Segundo ela, a gravidade do caso não pode ser tratada como um erro isolado. Para Luana, a violência contra animais está associada a outros tipos de agressão e deve ser enfrentada com mais rigor pelo poder público.
A advogada Carmen Aires também participou da manifestação acompanhada da filha e de dois cães adotados. Ela avaliou que as punições previstas atualmente para crimes de maus-tratos são brandas e não têm sido suficientes para coibir novas ocorrências. Carmen afirmou que casos recorrentes demonstram a necessidade de revisão da legislação.
De acordo com informações apuradas, pais de dois dos adolescentes e um tio são investigados por tentativa de coação de testemunhas, com o objetivo de impedir depoimentos sobre o caso. Além de Orelha, outro cão teria sido vítima dos mesmos jovens e quase morreu após um episódio de afogamento.
Entidades de proteção animal também marcaram presença no ato. A organização Ampara Animal destacou, por meio de materiais educativos, a relação entre a violência contra animais e outras formas de violência, incluindo a praticada contra mulheres.
O protesto reuniu pessoas de diferentes idades, algumas acompanhadas de seus próprios animais, e reforçou o apelo para que o caso não seja esquecido. Os participantes defenderam que episódios como o do cão Orelha sejam tratados com seriedade e resultem em responsabilização efetiva dos envolvidos.






