Saúde

Canetas emagrecedoras exigem avaliação médica e podem causar riscos quando usadas sem acompanhamento

Canetas emagrecedoras podem ajudar no tratamento da obesidade, mas exigem avaliação médica e mudanças no estilo de vida.

Canetas emagrecedoras exigem avaliação médica e podem causar riscos quando usadas sem acompanhamento

Deposiphoto

As canetas emagrecedoras podem auxiliar no tratamento da obesidade e de doenças relacionadas ao excesso de peso, mas o uso sem indicação e acompanhamento médico aumenta o risco de efeitos adversos, perda de massa muscular, desnutrição e contato com produtos falsificados. O alerta é do endocrinologista Dantore Barbetta, de São José dos Campos.


A popularização desses medicamentos nas redes sociais ampliou o interesse de pessoas que buscam perder peso rapidamente. No entanto, o tratamento não é indicado para todos e não deve ser encarado como uma solução exclusivamente estética.

Segundo o endocrinologista Dantore Barbetta, as chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade. Parte deles foi desenvolvida inicialmente para controlar o diabetes tipo 2 e, posteriormente, passou a ser estudada e aprovada também para a redução do peso.

Continua depois da publicidade

Os medicamentos atuam sobre hormônios intestinais envolvidos no controle da fome e da saciedade, principalmente o GLP-1. Algumas substâncias também agem sobre o GIP.

“Com isso, promovem maior saciedade, reduzem a fome, retardam o esvaziamento gástrico e melhoram o controle da glicemia, levando naturalmente a uma menor ingestão de alimentos”, explica o médico.

Quem pode utilizar as canetas emagrecedoras?

De acordo com o especialista, esses medicamentos podem ser indicados para pacientes com obesidade, definida pelo Índice de Massa Corporal igual ou superior a 30 kg/m².

O tratamento também pode ser considerado para pessoas com sobrepeso, com IMC igual ou superior a 27 kg/m², quando existem doenças relacionadas ao excesso de peso. Entre elas estão diabetes tipo 2, hipertensão, alterações no colesterol, apneia obstrutiva do sono, gordura no fígado e doenças cardiovasculares.

A indicação, entretanto, depende do quadro clínico, das condições de saúde e dos objetivos terapêuticos de cada paciente.

“Esses medicamentos não devem ser utilizados apenas com finalidade estética. Antes de indicar qualquer tratamento, é fundamental avaliar se os benefícios realmente superam os riscos”, afirma Barbetta.

Para pessoas que desejam perder poucos quilos, mudanças na alimentação, atividade física regular e acompanhamento comportamental podem ser suficientes, sem a necessidade de tratamento medicamentoso.

Automedicação pode provocar complicações

O uso sem acompanhamento pode resultar em doses inadequadas e dificultar a identificação de contraindicações ou reações adversas.

Entre os possíveis problemas apontados pelo endocrinologista estão perda excessiva de massa muscular, desnutrição, deficiência de vitaminas e minerais e agravamento de doenças já existentes.

Os efeitos colaterais mais frequentes incluem náuseas, vômitos, refluxo, sensação de estômago cheio, constipação e diarreia. Segundo o médico, essas reações geralmente são leves e transitórias, especialmente quando o aumento das doses é realizado de forma gradual.

Em situações menos frequentes, podem ocorrer problemas na vesícula biliar, desidratação e pancreatite, condição que exige atendimento médico.

Em fevereiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária reforçou o alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido desses medicamentos. A Agência orienta que os produtos sejam utilizados apenas nas indicações aprovadas em bula e com acompanhamento profissional.

Desde junho de 2025, medicamentos agonistas de GLP-1, como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida, somente podem ser vendidos no Brasil com retenção da receita nas farmácias.

Contraindicações devem ser avaliadas

Barbetta afirma que esses medicamentos são contraindicados durante a gestação e a amamentação. Determinados produtos também possuem restrições para pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Pessoas com histórico de pancreatite, doenças gastrointestinais importantes ou outras condições clínicas precisam passar por avaliação individualizada. As contraindicações podem variar conforme o princípio ativo e as informações previstas na bula de cada medicamento.

Antes de iniciar o tratamento, o paciente deve passar por avaliação clínica completa, incluindo histórico médico, exame físico, análise da composição corporal e investigação de doenças associadas ao excesso de peso.

Os exames são definidos de acordo com cada caso, mas podem incluir glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico, funções renal e hepática e avaliação da tireoide, quando necessária.

Perda de massa muscular exige atenção

A redução do peso pode ocorrer acompanhada da perda de massa magra. Para diminuir esse risco, o tratamento deve ser associado ao consumo adequado de proteínas, exercícios de fortalecimento e acompanhamento médico e nutricional.

“O medicamento é apenas uma das ferramentas disponíveis no tratamento da obesidade. Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e mudanças comportamentais continuam sendo os pilares para resultados duradouros”, destaca o endocrinologista.

O médico também alerta que o peso pode voltar após a interrupção do medicamento. Isso acontece porque a obesidade é uma doença crônica e pode apresentar recaídas, principalmente quando o paciente não consegue manter as mudanças realizadas durante o tratamento.

“Acreditar que existe uma solução rápida para um problema complexo é o maior erro. O medicamento não substitui hábitos saudáveis nem resolve, sozinho, todas as causas do ganho de peso”, afirma.

Produtos falsificados aumentam os riscos

A compra de substâncias pela internet ou sem procedência comprovada representa outro fator de preocupação. Produtos irregulares podem apresentar doses diferentes das informadas, contaminação ou até substâncias que não correspondem ao rótulo.

Em 2026, a Anvisa intensificou ações contra irregularidades na importação e na manipulação de medicamentos injetáveis de GLP-1. A Agência também determinou a apreensão de lotes irregulares comercializados como tirzepatida.

“Medicamentos devem ser adquiridos apenas em estabelecimentos autorizados e utilizados exclusivamente sob prescrição médica”, orienta Barbetta.

Para quem considera iniciar o tratamento, a recomendação é procurar um profissional capacitado. “Nem toda pessoa precisa de uma caneta, e nem toda caneta é indicada para todos os pacientes. Quando bem indicada e acompanhada, ela pode trazer benefícios para a saúde que vão além da perda de peso”, conclui.

Serviço

Dr. Dantore Barbetta — endocrinologista
CRM-SP 183049
Clínica VITTA — Medicina Especializada
avenida Alfredo Ignácio Nogueira Penido, 255, salas 1503 e 1504, Jardim Aquarius, São José dos Campos – SP
Telefone: (12) 3207-7457
Instagram: @vitta.especializada

Esrom Vellenich

Redação

Jornalista, publicitário e fundador da Life Informa. Atua na cobertura de notícias do Vale do Paraíba e Litoral Norte, com foco em jornalismo regional, comunicação digital e informação de interesse público.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail e telefone não serão publicados. Todos campos são obrigatórios*