Via Dutra completa 69 anos. Nova concessão prevê 16 km de marginais em São José!

Necessidade urgente e antiga reivindicação joseense, pista auxiliar pode se estender de Caçapava a Jacareí

(Foto: Erick Florio/Futura Press/Folhapress)

Uma das grandes responsáveis pelo desenvolvimento de São José dos Campos completa 69 anos no próximo domingo (19). A Via Dutra, que liga as duas principais regiões metropolitanas brasileiras, foi inaugurada pelo então presidente General Eurico Gaspar Dutra em 1951 e possui 402 quilômetros. Pelas pistas da Via Dutra são transportados cerca de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Cerca de 23 milhões de pessoas em 36 municípios, incluindo as capitais São Paulo e Rio de Janeiro, habitam o entorno da principal estrada nacional.

Paralelo ao aniversário da quase setuagenária Via Dutra, um dos seus trechos mais movimentados – na Grande São José dos Campos – deve ganhar nova passarelas e 16 km de marginais, conforme proposta do governo federal para a nova concessão da Via Dutra, cujo leilão deverá ocorrer no segundo semestre de 2020. As discussões estão ocorrendo nesta semana, em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo (nesta sexta-feira). O prefeito Felicio Ramuth tem comparecido às audiências para mostrar a necessidade urgente das marginais no trecho joseense de Caçapava a Jacareí.

Existe ainda uma consulta pública no site da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), para a qual pode-se enviar contribuições até 3 de fevereiro. No total, a proposta do governo prevê 28 novas passarelas no Vale em 10 cidades. Além de São José, terão os equipamentos: Taubaté (4), Jacareí (3), Guaratinguetá (3), Pindamonhangaba (2), Aparecida (2), Roseira (2) e uma passarela em Queluz, Lorena e Caçapava.

Nova concessão

A nova concessão prevê seis trechos de marginais a serem instaladas na Dutra, em São José. O organograma prevê a conclusão das vias a partir do terceiro ano da nova concessão, que começa em 2021. O primeiro trecho de 4,10 km tem previsão de ser implantado no km 139,30 ao 143,40, em ambas as pistas. Este trecho pode ser concluído até o quinto ano do novo contrato. As demais vias estão em: 143,40 ao 145,30 (1,90 km), 146,92 ao 147,94 (1,02 km), 147,94 ao 149,90 (1,97 km), 149,90 ao 151,30 (1,40 km) e 151,30 ao 157,50 (6,2 km).

Inauguração reduz tempo de viagem pela metade      

No dia 19 de janeiro de 1951, quando foi inaugurada pelo Presidente da República, General Eurico Gaspar Dutra, em solenidade realizada na altura de Lavrinhas (SP), a então BR-2, nova rodovia Rio-São Paulo, ainda não estava completamente pronta, mas já permitia o tráfego de veículos entre a então Capital Federal, Rio de Janeiro, e o polo industrial de São Paulo. Da então ligação Rio-São Paulo, 339 quilômetros estavam concluídos, junto com todos os serviços de terraplenagem e 115 obras de arte especiais (trevos, viadutos, pontes e passagens inferiores). Faltava, porém, a pavimentação de 60 quilômetros entre Guaratinguetá (SP) e Caçapava (SP), e seis quilômetros em um pequeno trecho situado nas proximidades de Guarulhos (SP). A BR-2 contava com pista simples, operando em mão-dupla em quase toda sua extensão. Em dois únicos segmentos havia pistas separadas para os dois sentidos de tráfego: nos 46 quilômetros compreendidos entre a Avenida Brasil e a garganta de Viúva Graça (hoje, Seropédica), no Rio de Janeiro, e nos 10 quilômetros localizados entre São Paulo e Guarulhos, no trecho paulista.

A nova rodovia foi construída com as mais modernas técnicas de engenharia da época e com equipamentos especialmente importados para isso, o que permitiu a redução da distância rodoviária entre as duas capitais em 111 quilômetros, comparando-se o novo caminho com o traçado da velha rodovia, inaugurada em 1928. A maior parte dessa redução foi possível com a superação obstáculos naturais, basicamente nos banhados da Baixada Fluminense e na área rochosa da garganta de Viúva Graça, na região de serras entre Piraí e Cachoeira Paulista, e no segmento da Várzea de Jacareí. Além disso, sua concepção avançada permitiu a construção de aclives e declives menos acentuados e curvas mais suaves. Tudo isso representou uma significativa queda no tempo de viagem, de 12 horas, em 1948, para seis horas.

Projeto autossustentável

No total, 1,3 bilhão de Cruzeiros foi investido na construção da BR-2, quantia altíssima para os padrões da época. Gastos muito criticados por setores da sociedade civil e pela imprensa, que classificava a obra como “luxuosa”. O Governo Federal argumentava que o desbravamento do Brasil dependia de caminhos que pudessem ser abertos com rapidez e eficiência e que a modernização da ligação Rio-São Paulo era fundamental para o desenvolvimento nacional.

Foi essa, por exemplo, a linha de argumentação no discurso de inauguração da rodovia, feito pelo então ministro de Viação e Obras Públicas, general João Valdetaro de Amorim Mello. “Com um tráfego mínimo de 1.000 veículos diários (…) e tendo em conta a economia resultante do custo de operação dos veículos rodando sobre uma estrada deste modelo (…) em 10 anos, a economia nos transportes efetuados sobre esta rodovia atingirá a casa dos 10 bilhões de cruzeiros”. Tudo isso, lembrava ele, sem contar a economia de divisas com a redução nos gastos com combustíveis, lubrificantes e peças de reposição, todos importados.

Projeto inovador na concepção e na execução

As obras da nova rodovia representavam, ainda, um grande desafio de engenharia para a época. O “retão” de Jacareí (SP), por exemplo, foi um trecho que gerou polêmica entre os técnicos, por ser construído sobre terreno instável, cuja transposição era considerada quase impossível. No entanto, o trecho foi finalizado com a utilização de 12 milhões de metros cúbicos de terra, o equivalente a 1,6 milhão de caminhões cheios, em um aterro submerso de 15 metros de profundidade.

No trecho fluminense, a transposição de um trecho rochoso ao pé da Serra das Araras, chamado de “garganta de Viúva Graça”, também representou um grande desafio para os engenheiros empenhados na construção da nova rodovia, que comandaram complexas escavações, permitindo o rebaixamento em 14 metros do paredão de granito.

Grande obra, grandes números

Os números que envolveram a construção impressionam ainda hoje, em um esforço de engenharia que envolveu 35 empreiteiras, milhares de trabalhadores e movimentação de toneladas dos mais diversos materiais.

  1. 2.657.746 m² de pavimentação;
  2. 1,3 milhão de sacos de cimento;
  3. 8 mil toneladas de asfalto;
  4. 20 mil toneladas de alcatrão;
  5. 15.000.000 m³ de movimento de terra;
  6. 300.000 m³ de cortes;
  7. 7.021 m de extensão em 115 pontes, viadutos e passagens;
  8. 19.086 m com 315 bueiros;
  9. 30 milhões de m² de faixa de domínio.

 

LIFE | cotidiano - Publicado 11:34 | - Redação

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Comentários:

2 thoughts on “Via Dutra completa 69 anos. Nova concessão prevê 16 km de marginais em São José!

  1. Robson disse:

    Um grande visionário! Uma grande obra. Só poderia vir de um patriota bem evoluido espiritualmente!…

  2. JOSE NILTON DE JESUS SILVA disse:

    EM 2010EU COMIR QUIABO O VISGO DO QUIABO RODOU NA CABEÇA E O TOMOR PUM SAIU COMCOMPAIRO

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