Naufrágio do Príncipe de Astúrias completa 110 anos em Ilhabela; tragédia marítima matou centenas e ficou conhecida como o “Titanic brasileiro”

O naufrágio do navio Príncipe de Astúrias completa 110 anos nesta semana e permanece como uma das maiores tragédias marítimas da história do Brasil. O transatlântico espanhol afundou na madrugada de 5 de março de 1916, próximo à costa de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, deixando centenas de mortos e marcando definitivamente a história da navegação no país.
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Construído para operar na rota entre Barcelona, na Espanha, e Buenos Aires, na Argentina, o navio era considerado um dos mais modernos de sua época. O transatlântico transportava passageiros e cargas e fazia parte de uma importante ligação marítima entre a Europa e a América do Sul.
Impacto violento e afundamento em minutos
Durante sua sexta viagem ao continente sul-americano, o navio seguia em direção ao porto de Santos quando enfrentou condições climáticas extremamente adversas no litoral paulista.
Na madrugada de 5 de março de 1916, sob chuva intensa e visibilidade praticamente nula, o transatlântico colidiu violentamente contra a laje submersa da Ponta da Pirabura, na costa de Ilhabela.
O impacto abriu uma grande ruptura no casco e o navio afundou em poucos minutos, impossibilitando a evacuação de grande parte das pessoas a bordo.
Registros oficiais apontam que 445 pessoas morreram e apenas 143 sobreviveram à tragédia.
Número de vítimas pode ser maior
Pesquisadores e historiadores, no entanto, acreditam que o número real de vítimas pode ter sido muito maior. Relatos históricos indicam que o navio possivelmente transportava passageiros clandestinos nos porões, o que poderia elevar o total de mortos para mais de mil pessoas.
Essa possibilidade reforçou ainda mais a fama do episódio como o “Titanic brasileiro”, devido à dimensão da tragédia.
Mistério e teorias sobre o naufrágio
Com o passar dos anos, o naufrágio Príncipe de Astúrias também passou a envolver diferentes versões e hipóteses. Uma das teorias mais conhecidas sugere que o navio teria feito uma parada próxima à Ilha dos Búzios, onde parte de uma suposta carga de ouro teria sido transferida para outra embarcação antes do acidente.
Essa hipótese levanta suspeitas de que o naufrágio poderia ter sido provocado deliberadamente. Mas, não há comprovação histórica que confirme essa versão.
Museu preserva memória da tragédia
Parte da história desse e de outros naufrágios da região pode ser conhecida no Museu Náutico de Ilhabela, localizado no Centro Histórico do município. O espaço reúne objetos resgatados do fundo do mar, documentos históricos e modelos de embarcações, ajudando visitantes a compreender a importância da navegação para a história do arquipélago.
O museu funciona no prédio que abrigou a antiga Cadeia e Fórum da cidade e recebe visitantes gratuitamente. O horário regular de funcionamento é das 9h às 20h, na Praça Coronel Julião, na Vila. Excepcionalmente nas próximas semanas, o atendimento ocorre das 9h às 18h.
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