“Você enfiou a mão na minha cara ontem. Gritou comigo hoje”, escreveu Gisele, suposta vítima de feminicídio. Prisão ocorreu em São José dos Campos

Mais um elemento no caso do tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de feminicídio, após a revelação de mensagens que indicam agressões à esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, dias antes de sua morte, em São Paulo. O oficial foi detido na quarta-feira (18), em São José dos Campos. A Life fez a cobertura coberta da prisão.
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As investigações apontam que a vítima já vivia sob um contexto de violência antes do crime. Mensagens extraídas do celular do oficial pela Corregedoria da Polícia Militar revelam que Gisele relatou ter sido agredida fisicamente pelo marido 13 dias antes de morrer.
Em um dos trechos analisados, ela afirma que o companheiro “enfiou a mão” em seu rosto durante uma discussão, além de gritos e ameaças constantes.
Relatos indicam violência recorrente

De acordo com os investigadores, o conteúdo das conversas demonstra um ambiente de relacionamento marcado por tensão, controle e agressividade. A vítima também relatava episódios de humilhação, xingamentos e comportamentos considerados abusivos.
Entre as mensagens, Gisele descreve o marido como “babaca” e afirma que não suportaria por muito tempo o comportamento dele. Ela também denunciava falas de cunho machista, incluindo declarações de que “lugar de mulher é em casa”.
Para a Corregedoria, os diálogos indicam não apenas conflitos conjugais, mas possíveis práticas de violência psicológica e física reiteradas.
Morte inicialmente tratada como suicídio
A morte da policial ocorreu no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia, no bairro do Brás, na região central de São Paulo. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio.
Mas, após questionamentos da família e novas análises periciais, a Polícia Civil passou a tratar o caso como homicídio. Laudos técnicos apontaram inconsistências na versão apresentada pelo tenente-coronel.
Laudos reforçam hipótese de feminicídio
Exames periciais indicaram que a vítima apresentava marcas no pescoço e sinais de que teria sido desacordada antes do disparo fatal. A trajetória da bala e a ausência de resíduos de pólvora nas mãos de Gisele também reforçam a suspeita de que ela não tenha efetuado o disparo.
Outros elementos, como vestígios de sangue em diferentes pontos do apartamento e contradições no relato do oficial, contribuíram para o indiciamento por feminicídio e fraude processual.
Prisão ocorreu em São José dos Campos
O tenente-coronel foi localizado e detido por agentes da Corregedoria da PM na manhã de quarta-feira (18) em São José dos Campos. A prisão preventiva foi autorizada pela Justiça Militar de São Paulo.
Segundo o Tribunal de Justiça Militar, a medida foi tomada para garantir a ordem pública, evitar interferência nas investigações e preservar a disciplina na corporação.
Após a detenção, o oficial foi encaminhado para procedimentos legais e permanece à disposição da Justiça enquanto o caso segue em investigação.
Defesa contesta decisão
A defesa do tenente-coronel afirma que a prisão é ilegal e questiona a competência da Justiça Militar para julgar o caso. Os advogados informaram que irão recorrer da decisão e alegam que o oficial tem colaborado com as investigações.







