Sustentabilidade na visão do diretor da URBAM

Luís Roberto Cândido esclarece questões pertinentes à cidade e empresas, aborda a sustentabilidade em condomínios e  os Pontos de Entrega Voluntária

Aquarius Life – O Brasil é um dos países que mais produzem resíduos sólidos no mundo. Só em 2011, foram 61,9 milhões de toneladas, uma quantidade 1,8% maior que o ano anterior, segundo a Abrelpe. O dado mais alarmante, no entanto é que do total coletado, 42% dos resíduos sólidos acabaram em local inadequado, não seguindo o descarte apropriado e exigido pelas autoridades. Baseado nesses dados como você avalia o descarte joseense?
Luís Roberto Cândido – São José dos Campos foi uma das primeiras cidades do País a implantar a coleta seletiva em 1990. A coleta de resíduos orgânicos (coleta comum) é realizada em toda a cidade e a coleta de materiais recicláveis (coleta seletiva) atingiu 100%, sendo 95% dos bairros de São José dos Campos atendidos porta a porta e 5% por meio dos Ecopontos. Onde a coleta seletiva não funciona porta a porta, a população pode levar os materiais recicláveis e depositá-los em contêineres localizados em escolas, bibliotecas, espaços culturais e outros locais de acesso público.  Além disso, toda a cidade é foco de ações de conscientização e mobilização social (visitas casa a casa, reuniões, palestras e eventos) para estimular a separação dos materiais recicláveis. Esse trabalho, que se traduz em um contato mais próximo com a comunidade, é fundamental para sensibilizar as pessoas. Nossa cidade já tem um dos melhores desempenhos no país coletando uma média de 50 toneladas de materiais recicláveis por dia. Mas ainda existe um longo caminho a se percorrer, pois uma parcela representativa do lixo que geramos todos os dias pode ser reciclado.

ALife – As Empresas e condomínios estão conscientes de suas responsabilidades socioambientais ou é algo que precisa ser fiscalizado e cobrado?
Luís Cândido – Quando se trata da geração de lixo, a reciclagem ainda é a solução mais eficiente para dar destino adequado aos resíduos. Apesar de as pessoas estarem atentas para a questão ambiental, ainda falta o compromisso para que todos façam a separação correta dos materiais recicláveis e para que se evite o desperdício e o consumo exagerado de produtos. No entanto, esta é mais uma questão de conscientização e educação ambiental do que de fiscalização.

ALife – Existe algum projeto inovador para sustentabilidade em condomínios?
Luís Cândido – A coleta nos prédios e condomínios ganhou mais eficiência, higiene e segurança com a implantação de contêineres plásticos para acondicio-nar o lixo orgânico e os materiais recicláveis devidamente ensacados. Os contêineres de 240 litros são acoplados ao caminhão coletor e basculados automaticamente. Mais de 5 mil contêineres estão distribuídos em cerca de 700 prédios e condomínios da cidade. O modelo facilita o trabalho de moradores e dos coletores, pois os contêineres são leves, de fácil locomoção e mais higiênicos. Os condomínios recebem contêineres de cores diferenciadas, marrons para o armazenamento do lixo orgânico e azuis para os materiais recicláveis. Isso facilita a identificação para que os moradores armazenem o lixo corretamente e também otimiza o serviço das coletas.

Alife – Existe previsão de um PEV na zona oeste?
Luís Cândido – No momento a melhor alternativa para os moradores da região oeste são os PEVs (Postos de Entrega Voluntária) localizados na Rua Guidoval nº 100, no Conjunto 31 de Março, e na Rua Estrela Dalva nº 135, no Jardim Satélite. Há um estudo da Prefeitura para ampliação dos PEVs, que hoje estão em 11 pontos espalhados pela cidade.

Alife – Descarte de lâmpadas florescentes é limitado? Por quais motivos?
Luís Cândido – Os grandes geradores de resíduos são responsáveis pelo descarte dos seus materiais, especialmente aqueles contaminantes, como as lâmpadas. Mas para os pequenos geradores, São José dos Campos oferece um serviço gratuito, que recebe até três lâmpadas por usuário pelos 11 PEVs da cidade, que depois são destinadas à Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos, onde a URBAM faz a descontaminação e destinação final adequada. A média de entrega deste material nos PEVs é de cerca de 2 mil lâmpadas por mês. Fruto deste trabalho, a Prefeitura de São José dos Campos recebeu neste ano um certificado inédito de sustentabilidade pelo pioneiro programa de descontaminação de 4 mil lâmpadas fluorescentes em 2013. O certificado é validado pela Tecar Serviços Ambientais, homologada pela Cetesb e Ibama. O processo separa o vapor de mercúrio, o vidro e o alumínio. Após este processo, estes dois últimos podem ser reaproveitados na fabricação de outros produtos. Quando jogadas no lixo comum ou no meio ambiente, o mercúrio contido nas lâmpadas fluorescentes pode contaminar o solo, as plantas, os animais e a água. O mercúrio é um metal bioacumulativo, ou seja, se acumula no organismo vivo ao longo do tempo, com grande toxidade. Nos seres humanos causa principalmente problemas respiratórios e neurológicos. No Brasil, apenas 6% dos 200 milhões de lâmpadas comercializadas por ano são descartadas de maneira segura e correta.

LIFE | entrevistas - Publicado 06:58 | - Redação

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