Silenciosas sequelas permanentes!

Abusos sexuais podem ocasionar traumas definitivos; consequências terríveis fomentadas por medo, impotência, isolamento, queda de autoestima e sensação de ter feito algo errado

Existe um mal que é invisível perante toda a sociedade. Muitas vezes, seu agente causador é parente próximo da vítima ou até reside no mesmo local. Ele não escolhe sexo e muito menos classe social. Sua condenação legal é grave, mas poucos casos chegam até as autoridades competentes e permanecem trancafiados em mentes jovens – em muitos casos até infantis.
A medicina define o abuso sexual como o ato de manipular alguém com interesse libidinoso, não sendo aplicado somente em situações de relações sexuais, mas também em exageros de carícias e carinhos íntimos, praticados logicamente de uma forma não consensual.
“A segurança do agressor é a pressão psicológica. É a chamada inibição via medo ou repressão. É uma ameaça terrível, que pode ter resultado no caso do agressor ser pessoa próxima da vítima”, afirma o psiquiatra Carlos H. Ferreira Banys. De acordo com o especialista, a violência é causada por um transtorno do impulso sexual. “O indivíduo não é maduro emocionalmente e sexualmente para conseguir frear seus impulsos. O desejo é irracional”, destaca.

As consequências para o abusado são terríveis e consistem principalmente em medo, impotência mediante a situação, isolamento, queda de autoestima e sensação de ter feito algo errado. “É como se o agredido tivesse cometido um pecado grave. A insegurança e o medo passam a fazer parte de sua rotina”, acrescenta o médico. O mal é “contagiante” e não toma conta apenas de um indivíduo. O trauma pode destruir uma família inteira.
“Os parentes ficam se questionando de quem é a culpa. A vergonha perante a opinião da sociedade é muito grande. A união e o apoio familiar são fundamentais para a superação da sequela, que pode ser permanente”, relata o especialista, antes de enfatizar a importância da religião. De acordo com as palavras do psiquia-tra, a fé leva a compaixão, que proporciona o entendimento, que tem por consequência a superação do trauma.
Devido ao estado de estresse pós-trau-mático, o tratamento é complexo e geralmente não possui previsão para acabar. Para exemplificar, o médico faz analogia com uma situação de guerra militar. “É como a chamada neurose de guerra. O ex-combatente entra em pânico sempre que se depara com alguma situação similar à vivida no campo de batalha, como sirene, rojões e correria”, esclarece.

Algumas violências sexuais são tão traumáticas que não apresentam tratamento médico. Os recursos utilizados na recuperação são terapia, medicamentos, antidepressivos e ansiolíticos. Os casos são ainda mais graves quando os violentados guardam para si e mantém o segredo durante anos. A frustração pode alcançar intensidades extremas e resultar até em auto-eliminação, que no vocabulário médico significa suicídio.

Os pais devem permanecer atentos ao comportamento dos filhos. Segundo a psicóloga Maiara Cristina de Sousa Carvalho Nascimento, alterações em hábitos rotineiros como o trocar de roupa, tomar banho e isolamento social e familiar são indícios de que a criança possa ter sofrido alguma espécie de abuso.
“O filho não deixa a mãe tocar em seu corpo. Já tive caso em que uma menina de 11 anos chegou a praticar automutilação. Ela havia sido abusada pelo tio e com medo da violência do pai, se cortava com estilete em uma atitude de extremo desespero”, descreve. Para Maiara, uma boa técnica para descobrir abusos é a brincadeira com bonecos, representado o ambiente familiar.
“Algumas crianças que sofreram agressão expõem situação de risco, como por exemplo, colocar os pais em um quarto e elas sozinhas com um tio em outro, e com a porta fechada. Estes detalhes são reveladores”, frisa, antes de destacar que a mãe jamais deve ser questionada de forma direta.
“É sempre em terceira pessoa. Primeiro falamos com os pais. Se eles sabem e são coniventes, denunciamos para o Conselho Tutelar”, resume. A experiência de Maiara “garante” que as aparências enganam. “Muitos têm boas aparências físicas e são de famílias tradicionais. Na maior parte dos casos, eles estão bêbados ou drogados. Violência sexual não possui horário para acontecer”, completa.
Mediante todas as obscuridades que rodeiam os casos de abuso, as recomendações são tradicionais e consistem em não deixar a criança com estranhos, estar próximo dos parentes e ficar de olho em funcionários do lar. Mas nada que se compare a dar uma boa orientação para os filhos.

LIFE | saude - Publicado 07:10 | - Redação

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