Infertilidade feminina pode desencadear efeitos devastadores na qualidade de vida


Medo, ansiedade, tristeza, frustração, desvalia e vergonha afligem mulheres que não conseguem engravidar

endometriosisSegundo dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que entre 60 e 80 milhões de pessoas em todo o mundo enfrentam dificuldades para levar a cabo seu projeto de paternidade e maternidade em algum momento da vida. Isso representa cerca de 20% de todas as pessoas do mundo.
Desejar ter filhos, mas se deparar com a impossibilidade desse processo produz uma ampla gama de sentimentos tais como medo, ansiedade, tristeza, frustração, desvalia e vergonha – que podem desencadear quadros consideráveis de estresse. “A situação de infertilidade pode provocar efeitos devastadores tanto na esfera individual como conjugal, interferir nas relações sociais e na qualidade de vida. Muitas mulheres inférteis percebem a situação como deprimente, causadora de sofrimento psíquico e isolamento social”, explica o neuropsiquiatra da Unep, Carlos H. Ferreira Banys. Segundo o médico define-se infertilidade como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais sem nenhum método de contracepção. “A definição pode variar de acordo com as informações avaliadas. Entre mulheres com 35 anos ou mais, ou quando há histórico de aborto de repetição, os médicos podem diagnosticar infertilidade após apenas 6 meses de tentativas, já que a habilidade de conceber declina substancialmente com o aumento da idade. O atraso no início de uma intervenção poderá diminuir a efetividade do tratamento”, conta.
A infertilidade pode ser classificada como primária (não tem filhos) ou secundária (incapacidade de conceber outros filhos). A capacidade de procriação parece ser um referencial significativo da identidade de gênero, que exige um importante trabalho de elaboração psíquica mediante o diagnóstico de infertilidade. “Isso pode acarretar sensação de perda do controle do próprio corpo e gerar dificuldades psicológicas complexas, ocasionando um decréscimo na qualidade de vida. Embora as consequências psicológicas da infertilidade sejam videntes, ainda é pouco claro como os distúrbios psicológicos afetam a fertilidade”, afirma o entrevistado.
E complementa. “A infertilidade não deixa de abalar a imagem do corpo controlável e da gravidez programável pelos contraceptivos, levando à quebra da imagem narcísica investida no corpo”, conclui. Atualmente, com apenas 5% da população casada escolhendo voluntaria-mente permanecer sem filhos, a realização da “parentalidade” continua a ser uma meta maior para a maioria dos homens e mulheres, com a fertilidade sendo uma função humana básica, e a “parentalidade”, um marco no desenvolvimento. Nos dias de hoje a literatura psicanalítica tem buscado a compreensão do sentido da infertilidade, e não sua casualidade. O neuropsiquiatra enfatiza que mesmo aqueles que consideram a infertilidade como tendo uma parcela psicogênica concordam que o intenso estresse associado a esse fenômeno pode provocar assustadoras fantasias, tingindo a personalidade como um todo.
“Em países em desenvolvimento a infertilidade é muito relacionada a infecções do trato genital resultantes de doenças sexualmente transmissíveis, infecções puerperais, abortos ou tuberculose pélvica”, relata.
Infertilidade e transtornos psíquicos – Embora muitas mulheres sejam capazes de lidar com a infertilidade de maneira saudável, uma parcela significativa desenvolve psicopatologia e em alguns casos doenças preexistentes se agravam. “Estudos têm reportado uma grande prevalência de ansiedade e depressão em associação à infertilidade. Esses sintomas têm sido apontados como causa ou consequência da infertilidade e tendo em vista o prejuízo que causam em termos de qualidade de vida, necessitam de grande atenção”, frisa o médico.
O estresse tem merecido significativa atenção quando se trata do tema da infertilidade e de tratamentos por meio de reprodução assistida. A maioria dos estudos contempo-râneos afirma que a infertilidade é a origem do estresse psicológico, contrariando antigos estudos que o colocam como causa. “Mulheres inférteis têm níveis maiores de sintomas depres-sivos quando comparadas a mulheres férteis”, destaca o especialista.
Para ele, o diagnóstico de infertilidade pode despertar medos e fantasias, intenso desgaste pessoal e conjugal – além de importante impacto sobre planos e projetos futuros. “A infertilidade possui causas multideterminadas. Portanto, ao priorizar uma abordagem do sujeito na sua integralidade, qualquer intervenção deverá incluir a dimensão emocional e social na qual a mulher está inserida”, encerra.


LIFE | saude - Publicado 10:39 | - Redação

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