Todos são guerreiros. Alguns, barulhentos!

Entre muitas entregas, e prazos curtos, alguns motoboys cometem infrações que comprometem a segurança da mobilidade urbana e colocam em risco a própria vida na cidade

Foto Life | Imagem ilustrativa

Nos dias de hoje trabalhar como motoboy em São José dos Campos não é uma tarefa fácil. Muitos pedidos para entregar, dia a dia agitado na selva de pedra, corridas de um lado para o outro e passagens em alta velocidade pelos corredores estreitos formados entre os carros e ônibus. Tudo isto com um único objetivo: ser o mais rápido possível nas entregas dos pedidos.

Toda esta rapidez tem os seus efeitos, positivos ou negativos. Para o motoboy é rentável: ele atende à empresa, faz o seu trabalho e recebe por isso. Mas, o lado desagradável fica para quem divide as ruas – e muitas vezes a calçada também – com sua moto.

Com o “boom” dos aplicativos de entrega rápida, é notório para todos o crescimento considerável de motoqueiros trafegando pelas ruas, avenidas, praças e vielas da cidade. Consequência lógica, os problemas e infrações de trânsito têm aumentado cada vez mais, agravados pelas restrições econômicas que vetam o atendimento presencial nos comércios, bares e restaurantes. Tudo é delivery!

O Aquarius, formado por 150 prédios, cerca de 26 mil moradores e milhares de trabalhadores, automaticamente se torna um dos principais pontos de entrega de toda a cidade – sendo cada vez mais frequente aos moradores a visualização de motoqueiros prestadores de serviço trafegando por cima de jardins e calçadas, cortando carros, atravessando semáforos vermelhos e correndo pela contramão, dentre outras irregularidades.
Vale lembrar que não são todos, mas estes poucos depreciam toda uma categoria por não respeitar às leis.

Veja os flagras de alguns motoboys que depreciam a imagem da maioria:
 Aquarius Life: Motoboy comete duas infrações para cumprir prazos de aplicativos, veja o vídeo!
– Aquarius Life: vídeo flagra colisão entre motoboy e carro na rua Ruivo. Veja vídeo!

Segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), São José dos Campos possui 62.419 motociclistas.  Conforme projeção do sindicato dos Motoqueiros de São José, cerca de 20% do total utilizam a moto para transporte remunerado de produtos ou pessoas.

Barulho também incomoda. E muito! 

Outra queixa crescente diz respeito ao barulho produzido pelas motos. Muitas utilizam canos de escape. Também conhecidos como “descarga livre” ou “cano torbal”, o acessório faz um estrondoso barulho, que incomoda moradores e os fazem se sentir impotentes perante prática tão abusiva e desrespeitosa.

Vale ressaltar que muitos motoboys trabalham conforme as leis. “Já vi colegas meus fazendo estouros com escapamentos em área residencial só para sacanear. Infelizmente este tipo de atitude prejudica quem realmente trabalha sério e dentro da lei”, relata um motoqueiro que prefere o anonimato.

Profissão em alta

Com altos e baixos, ser motoboy hoje parece compensar. Aguentar a rotina nas ruas indo de um lado ao outro, lidar com poucos direitos trabalhistas e passar o dia na própria companhia é difícil, mas vale o esforço, principalmente para os que são apaixonados pelo motociclismo. Os aplicativos de entrega não são perfeitos, mas suas tecnologias proporcionaram uma nova oportunidade ao motoqueiro, que viu sua vida facilitada com o novo serviço.

Visão de quem leva a sua comida

Apesar de algumas situações contrárias, da enorme pressão e de poucos direitos, parte dos motoboys afirma que os aplicativos de entrega possuem seus aspectos positivos, já que oferecem empregos e oportunidades. “A gente não recebe nenhum auxílio do aplicativo, somos nós por nós. Se eu cair terei que arcar com todos os custos, o problema é meu, mas faz parte. Tenho trabalhado bem e é uma grande oportunidade”, diz o motoboy Anderson Rodrigues, que contou faturar cerca de R$1.800 por quinzena.

Sobre as infrações de trânsito, todos os motoqueiros entrevistados reconhecem os erros. “Tem que fazer né. É errado, eu sei, mas com o tempo que o aplicativo dá… dois, cinco minutos, a gente precisa correr, passar por canteiro e subir em calçada. Se não entregar no tempo estipulado a gente é bloqueado pelo aplicativo e não pode fazer entrega por 30 minutos. Aí fica difícil”, afirma Wellington Dimas Pereira.

Sindicato dos Motoqueiros promete aplicativo próprio

O presidente do sindicato dos Motoqueiros de São José, Natu Benedito Carlos dos Santos, afirma que a profissão do “motoboy” vem sendo desvalorizada pelos aplicativos. “Os aplicativos globais jamais irão fazer concessões aos ciclistas, motociclistas e motoristas. Por isso, resolvemos investir no aplicativo dos trabalhadores, com o objetivo de proporcionar justiça social e econômica para a categoria. Em breve estaremos fazendo o lançamento. Será uma plataforma nacional. Estamos aguardando o planejamento de marketing para confirmar a data de lançamento”, afirma.

Sobre o atual momento do mercado, Natu avalia que, com a alta demanda do delivery acompanhada por baixas oportunidades de emprego, grande parte dos desempregados migra para o setor de entrega e transporte de mercadorias. “Como consequência os aplicativos se aproveitam da farta oferta de mão de obra e agem da forma que quiserem. O alto custo dos combustíveis e os baixos valores das taxas obrigam o profissional a trabalhar de forma ininterrupta, correndo riscos e desrespeitando regras gerais”, destaca

O que dizem as empresas 

Uber Eats
 “Segurança é prioridade para a Uber. A empresa sempre reforça a todos os usuários, entregadores e motoristas parceiros do aplicativo que o Código de Trânsito Brasileiro deve ser respeitado para segurança de todos. A empresa também possui uma parceria com uma consultoria de segurança viária que conta com especialistas em engenharia de tráfego e análise de comportamento para produzir materiais educativos e de prevenção para motociclistas. Além disso, o entregador que utiliza o Uber Eats está coberto por um seguro para acidentes pessoais sem qualquer custo adicional em todas as entregas.

Desde o início da pandemia, a Uber vem adotando medidas de prevenção para amenizar os impactos causados pela crise da Covid-19 como opção de entrega sem contato, com o recurso ‘deixar na porta’, assistência financeira por até 14 dias para positivados, entro de higienização e parcerias com reembolso para compra de álcool em gel e máscaras.

IFood
O iFood entende que as autorizações de uso de motocicletas e fiscalização são de responsabilidade dos órgãos de transporte. Contudo, reforça que sempre que recebe relatos apura as ocorrências e, se comprovada má conduta, toma as providências necessárias.  Independentemente da pandemia, a empresa já vinha realizando campanhas de boas práticas, e o tema é constantemente reforçado em seus canais de comunicação com os entregadores – que atuam de forma independente, ou seja, eles gerenciam seu próprio tempo. O iFood oferece seguro de acidentes pessoais e de vida para entregadores ativos. O seguro de acidentes pessoais contempla a cobertura das rotas de entregas e do retorno do entregador para casa, com limite de até uma hora ou 30 quilômetros depois da última entrega. Para aqueles que usam bicicleta e patinete, o período sobe para duas horas, mantida a distância de 30 quilômetros. O seguro cobre até R$ 15 mil de despesas médicas e odontológicas de emergência, além de indenização em caso de acidentes que levem a invalidez permanente total/parcial e morte acidental. Oferecemos em parceria com a empresa Avus, um plano de vantagens em saúde com consultas e medicamentos com descontos.

Rappi
Sempre é feita checagem de antecedentes por uma empresa especializada a partir dos documentos fornecidos pelo entregador parceiro. Em caso de acidentes no trânsito, a Rappi esclarece que os motoboys podem entrar em contato com o suporte para comentar sobre o ocorrido. Caso seja necessário, a empresa os apoiará a solucionar a situação. Sobre as frequentes reclamações das infrações cometidas pelos motoboys, a empresa comunicou que não incentiva o descumprimento do Código de Trânsito Brasileiro e disponibiliza uma palestra de capacitação que fornece dicas de atendimento para os entregadores.

Loggi
Empresa não respondeu ainda, matéria poderá ser atualizada.

Prefeitura afirma que fiscaliza
A secretaria de Mobilidade Urbana informou que para manter a segurança e ordem nas vias públicas a pasta vem reforçando os agentes e promovendo estudos de logística sobre a atuação dos motoboys que servem os aplicativos. O objetivo é estabelecer normas para a exploração deste tipo de atividade considerando o interesse público e as regras de circulação. A secretaria disse também que prepara uma série de ações voltadas aos motoboys que envolvem orientação e condutas para evitar acidentes.

LIFE | cotidiano - Publicado 15:17 | - Redação

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Comentários:

6 thoughts on “Todos são guerreiros. Alguns, barulhentos!

  1. José Moraes disse:

    Minha rua é sentido único e é comum ver os entregadores entrando e saindo na contramão. Além disso já presenciei entregadores empinando suas motos entre os carros nas ruas do bairro.
    Resumindo falta consciência situacional aos “motoqueiros” e a Fiscalização necessita ser MUITO intensificada.

  2. Edson Jose Barbosa da Silva disse:

    Independente da empresa, a maioria (75 %) não obedecem sinalização …
    Sinal vermelho não existe.

  3. Roberto Correa disse:

    Infelizmente quase a totalidade dos motoqueiros, não respeitam as normas de transito e se acham donos do mundo e acima da lei. A impunidade gera esta situação que põe em risco a vida de pessoas inocentes.

    • Joao disse:

      Discordo do senhor ,pois o o que vejo é 30 por cento de jovens desesperados pela moeda ,infelizmente e isso que acontece .

  4. TightPanties disse:

    Nunca acreditem em quem fala o quanto ganha, sempre aumenta num pouquinho..kkk

  5. Georges Christian Costaridis disse:

    As contratantes do serviço são solidárias e devem ser responsabilizadas por não se comprometerem com a situação e a segurança. Todo entregador deve ter o baú identificando para quem trabalha e atender a somente uma empresa. Justificar condução irresponsável por necessidade de atender não pode ser aceito como desculpa. Delação de casos precisa passar a ser aceita, no mínimo para impedir um irresponsável de continuar a prestar “serviço”. Câmeras de monitoramento é uma obrigação para multar e coibir quem usa irresponsavelmente o veículo. Já vi muito “trabalhador” empinando moto, acelerando com o escape aberto e rindo e passando por gramado, em vielas destinadas somente ao pedestre e em alta velocidade nem respeitando semáforo. Já tem a oportunidade de continuar trabalhando. Então respeitem o privilégio e o façam com responsabilidade. Ou com tantos cursos quantos necessários de reciclagem.

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