Sou filho de imigrante, muito prazer!

Vinda de haitianos para o Brasil reacende polêmica sobre imigração

Quando ouço as histórias contadas pelos meus avós portugueses, fico admirado com a força e a coragem que tiveram para largar tudo para trás. Sim, imigraram para o Brasil há mais de 30 anos e com o seu esforço, construíram seu “império”.

Nascidos em Portugal, foram a trabalho para Angola. Lá nasceu a minha mãe, eles tinham empregados e o café da manhã sempre farto. Mas, o terrorismo os obrigou a abandonar o país para salvarem suas vidas. Ao partir, viram corpos decapitados, dilacerados. Famílias aterrorizadas com os seus filhos mortos.

No Brasil, a luta não foi fácil.  Mas, em pouco tempo, estavam rodeados de muitos bons amigos, que tem até hoje.  Sua oficina mecânica era referência no bairro, Pedreira, zona sul da capital de São Paulo.  Em meses cresceram, como cresceram! Durante sua vida útil empresarial, empregaram muito mais de 100 pessoas, direta ou indiretamente. Entre os contratados, posso listar: chilenos, argentinos, nordestinos, paulistas.  Ou seja, daqui ou de longe, os corações sempre estiveram abertos para a “força de trabalho”.

Minha mãe, recém chegada no Brasil, linda, era uma sucesso por onde passava. Cintura fina, traços europeus, cabelos loiros… era linda demais. As pessoas não imaginavam que ela nasceu na África, em Angola (colônia portuguesa). Afinal, não era afrodescendente. Mas, certamente na África não existem só negros!  Alguns anos depois, conheceu o meu pai, Jaime, “Mineirim” de Uberaba, negro, 1,94 cm.

Ele arrebatou o coração da angolana loira. Hoje, casados há 34 anos, são advogados, felizes e pais de dois filhos, avós de uma neta.  E claro, para o orgulho das pessoas que valorizam os seres humanos, o relacionamento profissional ultrapassa as barreiras de qualquer nacionalidade; japoneses, argentinos, paraguaios, portugueses, pessoas de diversos países, trabalharam ou trabalham com eles.

Diante dessa mistura de etnias e nacionalidades, cresci no meio de pessoas que gostam de pessoas, não pela cor da sua pele nem da textura do seu cabelo. Aprendi a apreciar o caráter, que é algo que bandido algum consegue roubar. Em uma matéria apresentada por um programa de televisão, o CQC, foi denunciado o preconceito contra os haitianos. Isso me indignou! Estão migrando para a nossa pátria amada em busca de algo melhor. Situação parecida com a que minha família viveu.

Esse descaso com o próximo, essa alienação do brasileiro é tão preocupante, que é necessário que a nossa população saiba quem são os haitianos. Por que eles estão vindo pra cá? Como dizem por aí, contra fatos não há argumentos. Vamos começar a entender um pouco mais sobre eles? Foram explorados como colônia, escravizados, tiveram líderes assassinados, uma economia trincada por embargos, e um terremoto devastador recentemente.

Aconselho a quem quiser se aprofundar na história deste sofrido País, mergulhe no mundo do Mr. Google e fique mais esclarecido. Faz bem adquirir conhecimento. Note que os Haitianos vivem uma vida miserável e oprimida há séculos. As famílias vivendo em estado precário. O que dirá do estudo, saneamento básico e saúde? Por isso que muitos estão imigrando para o Brasil. Trabalham aqui, recebem, se sustentam e mantém as suas família lá, até chegar o dia de trazê-los para perto. Somente quem passa por privações e perdas, sabe que não é fácil viver essa vida, mas que certamente eles não escolheram.

“Segundo o governo do Acre, desde dezembro de 2010, cerca de 130 mil haitianos entraram pela fronteira do Peru com o Estado e se instalaram de forma precária nos estados do Pará, Acre, Amazonas, Mato Grosso e Mato Grosso do sul. De acordo com o delegado Carlos Frederico Portella Santos Ribeiro, da Polícia Federal (PF), entre janeiro e setembro do ano de 2011, foram 6 mil e, em 2012, foram 2.318 haitianos que entraram ilegalmente no Brasil.” (Wikipedia)

A ilegalidade nos preocupa de forma pesarosa. É preciso que os países mais alcançados pelas imigrações ilegais unam-se e tentem regularizar essas situações, principalmente daqueles que buscam a sua sobrevivência. Isso é digno. Quem ironiza, ridiculariza outras etnias, não dá valor à cultura, muito menos ao ser humano. Por isso que quando ouço sotaques diferentes, histórias encantadoras, o meu coração se enche de esperança. Saber que existem pessoas capazes de atravessar durante “infinitos” dias diversas fronteiras para buscar o sustento de sua família, não tem preço. É lindo!

Queridos Haitianos, sejam bem vindos. Trabalhem, cresçam, prosperem. Assim como os meus avós foram, sejam felizes. Nós, brasileiros cheios de esperança, receberemos vocês de braços abertos. Não posso deixar de expressar minha plena satisfação em vê-los trabalhando com tanto afinco e zelo. Enquanto nossos conterrâneos negam empregos para ganhar 2 salários mínimos, os haitianos os fazem com tanto apreço que até nos parece ser o emprego dos sonhos. Enquanto nossos “patriotas” entregam atestados e mais atestados médicos, nossos irmãos haitianos chegam ao posto de trabalho com meia hora de antecedência, não fazem corpo mole e sempre estão bem humorados. (Portal IG)

Como você gostaria de ser recebido em uma terra que não é sua? Gostaria de ser acolhido? Pense que um dia você poderá ser o próximo imigrante. Acolhimento humanitário já. Todos merecem a chance de serem felizes. Como diria Charles Chaplin: “A Terra é farta, há espaço para todos.”  Como disse Clarice Lispector ao ver uma fruta podre cair da árvore: “O universo é tão farto que apodrece!” E como proclamou o revolucionário pacífico Mahatma Gandhi: “No mundo há o suficiente para todos, mas não para a ganância humana.”

Autor: Thiago Borges do Valle, 33 anos, publicitário por formação, gerente de vendas por opção.

 

 

LIFE | artigos - Publicado 10:49 | - Redação

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