Esquizofrenia. É possível ter qualidade de vida?


Tratamento e reabilitação propiciam uma rotina saudável e revigorante aos portadores. “Antipsicóticos aliviam sintomas em 70% dos casos”, afirma psiquiatra

A evolução da medicina ocasionou uma nova forma de definir, entender e tratar a esquizofrenia. Atualmente ela não é mais encarada como uma doença única e sim como um grupo de patologias, que atingem todas as classes sociais e grupos humanos.
A esquizofrenia causa atrofia cerebral e é caracterizada classicamente por uma coleção de sintomas, dentre os quais predominam a desorganização do pensamento, alucinações (sobretudo auditivas), delírios e perda de contato com a realidade – além de embotamento afetivo, que pode causar disfunção em diversas áreas e prejudicar a vida social e a capacidade de trabalho das pessoas afetadas. “A manifestação ocorre geralmente entre os 15 e 25 anos, um pouco mais cedo nos homens do que nas mulheres, podendo ocorrer também na infância ou na meia-idade”, afirma o psiquiatra da Unep, Carlos H. Ferreira Banys.
Conforme explicação do especialista, as reais causas da esquizofrenia ainda são um mistério, mas existem evidências de que seria decorrente de uma combinação de fatores biológicos, genéticos e ambientais, que contribuiriam em diferentes graus para o seu aparecimento e desenvolvimento. “Sabe-se que filhos de indivíduos esquizofrênicos têm uma chance de aproximadamente 10% de desenvolver a doença, enquanto na população geral o risco de desenvolvê-la é de cerca de 1%”, complementa.
Os sintomas são classificados em positivos e negativos. “Os sintomas positivos são os delírios, pensamentos irreais, ideias individuais do paciente que não são partilhadas em grupo, por exemplo, uma pessoa que se sente perseguida por alguém ou responsável por algum fato que não lhe compete, com alucinações e percepções irreais como ouvir, ver, saborear, cheirar ou sentir algo que não existe, sendo mais frequentes as alucinações auditivas. Completam o quando pensamentos e discursos desorganizados, elaboração de frases sem qualquer sentido e alterações do comportamento, variando entre agressividade e ansiedade”, destaca o médico.

Já os sintomas negativos são mais intensos e podem resultar na perda ou diminuição das capacidades mentais e isolamento social impulsionado pela apatia, indiferença emocional, pobreza do pensamento e falta de motivação. “Estes sinais não se manifestam todos no indivíduo com esquizofrenia e a doença pode se apresentar em surtos, com ciclos de recidivas e remissões”, acrescenta o psiquiatra. Essa alternância nos sintomas pode fazer com que a esquizofrenia passe “despercebida” nas primeiras crises, sendo confundida como uma fase da adolescência.
“É muito fácil interpretar incorretamente estes comportamentos, associando-os à idade. Somente um profissional da área pode confirmar o diagnóstico de esquizofrenia”, salienta.
Tratamento – Os antipsicóticos são eficazes no alívio dos sintomas da esquizofrenia em 70% dos casos. Eles são divididos em típicos e atípicos. “Os antipsicóticos atípicos são indicados para os casos refratários ou de intolerância aos efeitos colaterais do tratamento feito com os antipsicóticos típicos ou também sobre os indivíduos com sintomatologia negativa predominante”, esclarece o entrevistado.
Reabilitação – De acordo com o Dr. Carlos H. Ferreira Banys é primordial que o processo de reabilitação seja contínuo para que se obtenha sucesso, proporcionando maior qualidade de vida, autonomia e realização pessoal. Ele conta que uma das grandes dificuldades dos portadores de esquizofrenia é a integração ao mercado de trabalho, o que exige uma grande competitividade e faz com que muitos pacientes não atinjam suas expectativas. “Por isso é fundamental o acompanhamento médico em todas as etapas. É muito importante que o paciente tenha conhecimento sobre a doença, seus sintomas e que exerça um papel ativo no tratamento e controle”, encerra.

Cuidados imprescindíveis

– Permanecer fiel ao tratamento;
– Conservar um ritmo de sono correto;
– Evitar o stress;
– Manter rotinas normais de higiene, alimentação e atividade em casa;
– Evitar drogas;
-Procurar ter horas para dormir, comer e trabalhar;
– Fixar um programa de atividades para cada dia;
– Permanecer em contato com outras pessoas;
– Manter o contato com o médico;
– Praticar atividades físicas pelo menos uma vez por semana.


LIFE | saude - Publicado 06:19 | - Redação

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