Entrevistado: Astronauta Marcos Pontes

A consagração de uma história!

Astronauta Marcos Pontes representa a concretização do ousado projeto de levar um brasileiro ao espaço. Cem anos depois do primeiro vôo de Santos Dumont, o “caipira” de Bauru teve o privilégio de visualizar a Terra da gravidade zero. “Missão Centenário” confirma sucesso da era espacial nacional.

O que seria da trajetória aeroespacial brasileira sem o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), CTA (Centro Técnico Aeroespacial) e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)? A “corrida” pela exploração do desconhecido, que começou em 1957 com a ex-União Soviética, também atingiu o Brasil, mais precisamente a cidade de São José dos Campos. Infelizmente, o destino não permitiu que o idealizador e fundador do CTA, Marechal Montenegro, presenciasse a histórica “Missão Centenário”, que colocou o astronauta Marcos Pontes além do planeta Terra. A importância da viagem espacial para o país gera controvérsias, mas certamente iluminou ainda mais o espírito do revolucionário Montenegro e deu novo ânimo para o setor, que ainda sentia as seqüelas do trágico acidente com o VLS, na base de Alcântara.

Para contar detalhes, esclarecer dúvidas e “tentar” expor o que se passa pelo cérebro humano fora das condições terrestres, “O Executivo” entrevistou o único brasileiro capaz de responder as referidas perguntas. Na conversa exclusiva, que se estendeu naturalmente, Pontes se demonstrou orgulhoso pela origem humilde e contou que começou a trabalhar com catorze anos na função de eletricista, para “ajudar no orçamento apertado de casa”. Temas como os treinamentos americano e russo também foram abordados. O astronauta expôs que ambos são padronizados e por conseqüência similares. “A parte intelectual e técnica corresponde a 80% do tempo do treinamento. Os 20% restantes são dedicados à preparação psicológica, sobrevivências, preparação de cargas úteis e preparação física”, afirmou. A beleza do planeta também foi enfatizada por Pontes. Vista do espaço, a Terra é multicolorida.

“Tem verde das florestas, azul dos mares, marrom dos rios, branco das nuvens e laranja dos desertos. É um planeta muito inspirador”, frisou. Questões técnicas como os “spinoffs” e o polêmico IPM (Inquérito Policial Militar) foram esclarecidos pelo “herói brasileiro”, que descarta a fama e preza pela vida e futuro do Brasil. “Tento manter o foco no ser humano e dar aos jovens algo mais concreto, que sirva de referência com virtudes e falhas”, disse. Questionado se a “pessoa que foi é a mesma que voltou”, Marcos, que adora compor música e desenhar, novamente mostrou todo seu lado humano. “Nenhum ser humano vai ao espaço e retorna o mesmo. A visão da Terra nos faz pensar sobre a nossa insignificância física perante o universo. Não entendemos como vivemos com relação ao meio-ambiente. Percebemos a necessidade de mudança nos padrões de relacionamento da humanidade com a Terra e com nós mesmos”, opinou. Segundo as palavras do bauruense, no futuro não há lugar para discriminações ou guerras, já que somos uma espécie frágil matando uns aos outros por coisas passageiras e irrelevantes no contexto universal. A importância da cidade de São José não ficou fora da pauta. Além de demonstrar imenso carinho pela capital do Vale, Pontes exaltou o primeiro pólo de desenvolvimento aeroespacial brasileiro. “Para o mundo, São José dos Campos é uma promessa, cuja descrição específica está escrita nos ideais de cada um dos nossos conterrâneos joseenses”, comentou. Confira abaixo os principais trechos do diálogo. Mais informações pelo site www.marcospontes.net.

Aquarius Life – Como foi o início de sua carreira militar?

Marcos Pontes – Minha primeira profissão foi civil. Comecei a trabalhar como eletricista aprendiz aos 14 anos para ajudar no orçamento apertado de casa. Ali, entre a graxa das oficinas da RFFSA em Bauru e as idas de bicicleta para assistir aos pousos e decolagens dos aviões no aeroclube da cidade, surgiu a idéia de ser piloto. Poderia ter sido piloto comercial, se tivesse dinheiro para pagar pelos cursos necessários. Como não tinha, a Academia da Força Aérea (AFA) foi a melhor opção. Começou ali minha carreira militar.

Aquarius Life – Como foi o processo seletivo para ser o primeiro astronauta brasileiro?

Marcos Pontes –  Eu fui selecionado por concurso público em 1998 pela Agência Espacial Brasileira (AEB), tendo que deixar, desde aquela data, de exercer as funções de piloto militar, para passar a servir o país na função civil de astronauta.

O concurso foi idêntico ao processo seletivo feito pela NASA para os astronautas americanos. Contudo, como eu entrei para o “core” de astronautas da NASA no programa, eu tive que fazer os testes dobrados (no Brasil e nos EUA). Em 1998, eu estava começando meu PhD na Califórnia e descobri que a Agência Espacial Brasileira havia publicado nos jornais no Brasil um edital de seleção público, de âmbito nacional, para selecionar um astronauta para representar o Brasil no Programa da Estação Espacial Internacional (ISS). Eu me inscrevi, usando os mesmos formulários usados pela NASA, participei do concurso de seleção (três fases no Brasil), passei em todos os testes com melhores resultados e fui escolhido.

Após concluir com sucesso o curso de astronautas na NASA, em dezembro de 2000, eu fui declarado oficialmente o primeiro astronauta profissional de nacionalidade única de um país do hemisfério sul do Planeta.

Aquarius Life – Em qual momento você percebeu que se tornaria o representante brasileiro na “Missão Centenário”?

Marcos Pontes –      A Missão Centenário foi definida, criada e coordenada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), em 2005. Como o único astronauta profissional Brasileiro treinado para realizar missões espaciais, eu fui escalado pela AEB para executá-la. Isto é o meu trabalho como astronauta. Uma coisa que poucos sabem no Brasil era que a Missão Centenário poderia ser executada por outro cosmonauta. O meu backup, que iria realizar a missão brasileira caso eu tivesse qualquer problema de saúde ou aproveitamento técnico no treinamento, era o cosmonauta russo Sergei Volkov.

Aquarius Life – Como foram os treinamentos nos Estados Unidos e Rússia. Quais as principais diferenças?

Marcos Pontes – O treinamento para missões espaciais é bastante rigoroso no aspecto de estudo, execução de procedimentos operacionais com inúmeros simuladores de operação dos sistemas em situação normal e de emergência, montagem de equipamentos, etc. Essa parte intelectual e técnica corresponde a 80% do tempo do treinamento. Os 20% restantes são dedicados a preparação psicológica, sobrevivências, preparação de cargas úteis e preparação física.

Os treinamentos na NASA e em Star City são similares e padronizados para atender aos requisitos da Estação Espacial internacional (ISS). As diferenças são basicamente por conta dos sistemas dos veículos de transporte (Ônibus Espacial e Soyuz) e dos aspectos de cultura e idioma.

Aquarius Life – A profissão de astronauta é de risco e imprevistos podem ocorrer. Como é a preparação para o medo e a possibilidade de morte?

Marcos Pontes – Sem dúvida o ambiente espacial e a grande dinâmica dos vôos são bastante hostis para o ser humano. O risco é muito alto, mas a preparação também é intensa e completa. De forma muito resumida, o processo de preparação é estruturado de forma que o astronauta profissional trabalha utilizando o medo e a ansiedade durante a fase de planejamento e preparação da missão para definir e aprender como executar os procedimentos. Nessa fase nos preocupamos com “o que pode dar errado” e definimos o que fazer. Durante a missão, na fase de execução, substituímos o pensamento típico da ansiedade (“o que pode dar errado”) pela concentração “na próxima linha do procedimento”. Isso faz com que os procedimentos sejam bem planejados e perfeitamente cumpridos, mesmo em situação de grande risco ou perigo, como nas emergências.

Aquarius Life – Como são as sensações nos momentos da decolagem e aterrissagem?

Marcos Pontes – Na decolagem temos enorme expectativa e a determinação de cumprir a missão pelo país, mesmo com o sacrifício da própria vida (levar a mensagem a Garcia!). A decolagem é um momento muito crítico do vôo, como deve ser, justamente por haver um nível de risco bastante alto. São 200 toneladas de combustível, queimando ali atrás. Muitos sistemas têm que funcionar de acordo para que possamos sobreviver a tudo isso. Existe um fator de carga relativamente alto durante os três estágios. São três “G” no começo, dois no segundo estágio e quatro no terceiro estágio. As separações dos estágios são facilmente reconhecidas.

Como astronautas profissionais, nós aprendemos a lidar com este nível de risco durante muitos anos de treinamento. No momento em que nós representamos um país, há uma bandeira conosco. Ela torna-se o mais importante da missão que realizamos. A nossa vida passa a ter valor secundário nesse momento. É estranho falar isso, mas esse é o tipo de dedicação e determinação que qualquer pessoa que deseja representar um país como astronauta deve ter no seu modo de pensar, na sua atitude. Quando nós sentamos ali nós colocamos a vida pelo país, literalmente.

Na aterrisagem temos muita satisfação de ter cumprido a nossa missão e ainda estarmos vivos, podendo voltar para o convívio com as nossas famílias, amigos, etc.

Aquarius Life – A missão alcançou os resultados planejados?

Marcos Pontes – Os resultados da Missão Centenário ultrapassaram em muito os objetivos estipulados pela Agência Espacial Brasileira, a curto, médio e longo prazo.

Aquarius Life – Como é ver o planeta Terra do espaço? O que mais lhe surpreendeu?

Marcos Pontes – A Terra vista do espaço é maravilhosa. Tudo é surpreendente. É uma visão muito marcante, é um planeta muito bonito. Os reflexos dos efeitos óticos na atmosfera mudam de cor e é uma coisa maravilhosa de se ver. É um planeta de muitas cores, não é só azul. Tem verde das florestas, azul dos mares, marrom dos rios, branco das nuvens, laranja dos desertos e assim por diante. É um planeta lindo de se olhar, e é muito inspirador. Dá orgulho de algumas pessoas, aquelas que realmente sabem da vida. Dá pena de outras, aquelas que vivem no mundo negro da ignorância, tentando achar alguma coisa que justifique a sua mediocridade.

Aquarius Life – O que são “spinoffs”? Você poderia citar alguns desenvolvidos na missão?

Marcos Pontes – Um projeto do programa espacial, assim como qualquer outro projeto de alta tecnologia, tem resultados diretos e resultados indiretos. Por exemplo, quando realizamos experimentos na ISS e descobrimos um novo remédio, esse foi um resultado direto da tecnologia espacial. Contudo, se para construir o aparelho que foi utilizado no experimento, tivemos que desenvolver uma nova tecnologia de revestimento térmico e que depois acabou sendo também utilizada, além da aplicação direta no experimento, para revestir panelas, evitando que a comida grudasse e gerando novas empresas e empregos, temos um resultado indireto, ou paralelo, ou, como muita gente chama, temos um “spinoff” daquele projeto.

A Agência Espacial Brasileira escolheu oito experimentos para serem realizados na Missão Centenário (ver detalhes em www.marcospontes.net). Entre eles tínhamos experimentos científicos (para desenvolver conhecimento), experimentos tecnológicos (para desenvolver produtos) e experimentos educacionais (para desenvolver o futuro do programa). Além dos resultados diretos, como a economia de milhões de dólares em importações de tecnologia de resfriamento e controle de temperatura de satélites, tivemos “spinoffs” interessantes, como sistemas de controle de temperatura de fornos de padarias e a triplicação imediata do número de estudantes participantes na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica.

Aquarius Life – Por que você sofreu IPM (Inquérito Policial Militar)?

Marcos Pontes – Essas coisas, assim como a inveja, nesses casos, são simples efeitos colaterais do sucesso. Vemos isso com freqüência em nossa cultura . Do meu ponto de vista pessoal, isso foi muito positivo pois, embora tratasse de um assunto ilógico e sem qualquer ônus ou prejuízo a qualquer pessoa ou instituição, a investigação gerada serviu para demonstrar de forma profissional que nada havia de errado com o meu comportamento, mesmo nos menores detalhes jurídicos pinçados do regulamento militar. Em resumo, serviu para demonstrar o que a simples observação dos fatos de minha história de vida e carreira militar de décadas sem sequer uma repreensão, apenas condecorações, ou a simples observação dos resultados, sempre positivos em todas as minhas atividades a serviço do país, ou a observação do simples bom senso, já diziam.

Aquarius Life – Em 1906, Santos Dumont voou com o 14 bis. Cem anos depois, outro brasileiro entrou para a história nacional. O que isto representa para você?

Marcos Pontes – Grande satisfação pessoal e enorme vontade de trabalhar para ainda maiores conquistas pelo país.

Aquarius Life – Como é lidar com a imagem de herói. Você gosta da fama?

Marcos Pontes – As pessoas, em geral, se preocupam mais com isso do que eu. Do meu ponto de vista, eu apenas procuro fazer o meu trabalho, crescer profissionalmente, garantir o sustento de minha família honestamente, transmitir conhecimento, falar sobre coisas produtivas e sempre de forma positiva com todas as pessoas que ouvem, viver, ser, e fazer feliz, simplesmente!

Tem muita gente que se apega, ou tenta se identificar, com coisas como fama, dinheiro, poder, roupas, aparência, etc. Isso não é saudável de forma alguma, para ninguém, visto que tudo isso é relativo e passageiro. Eu tento manter o foco em “Ser humano” e dar aos jovens algo mais concreto e essencial que possa servir de referência, com virtudes e falhas, assim como os meus pais me deram. Eles eram meus heróis.

Aquarius Life – Quais atividades você desenvolve atualmente?

Marcos Pontes – Minha vida, como qualquer outra pessoa, pode ser dividida em fases. Esta fase, após a Missão Centenário, é uma fase ótima e extremamente produtiva.

Até 1998 eu servia o país como Piloto Militar de combate. A partir de 1998 até a Missão Centenário em 2006, eu servia o país apenas na função civil de Astronauta. A partir da Missão Centenário eu trabalho para o país como:

  • Astronauta – A disposição do Programa Espacial Brasileiro para futuros vôos espaciais.
  • Diretor de Pesquisas Espaciais do Instituto Nacional para o Desenvolvimento Espacial e Aeronáutico
  • Consultor Técnico/Operacional – A disposição do Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) para os projetos do Programa Espacial Brasileiro
  • Pesquisador Convidado do Instituto de Estudos Avançados da USP em São Carlos – Área de Fisiologia Aeroespacial.
  • Professor e Consultor Técnico/Operacional do Curso de Engenharia Aeronáutica da USP em São Carlos – Para o desenvolvimento do primeiro curso de Engenharia Aeroespacial Público do Brasil
  • Professor do Curso de Certificação em Gerenciamento de Projetos da AREA1FTE em Salvador, Bahia
  • Presidente da MP Engenharia Ltda.
  • Engenheiro – Para Projetos e Consultorias à Empresas Privadas e instituições públicas em Sistemas Aeronáuticos e Espaciais, Prevenção e Investigação de Acidentes, Gerenciamento de Riscos, Gerenciamento de Projetos e Integração de Sistemas.
  • Conferencista Técnico e Motivacional, no Brasil e exterior, para instituições públicas e Empresas Privadas
  • Coach Executivo e de Desenvolvimento Pessoal
  • Colunista semanal da Rede Bom Dia de Jornais.
  • Hobbies: Desenho, Pintura, Escultura, Poesia, Escritor, Composição Musical.

 

Aquarius Life – Quais seus projetos futuros? Acredita que vai voltar ao espaço?

Marcos Pontes – Como Astronauta, continuo à disposição do Programa Espacial Brasileiro para realizar outras missões espaciais de interesse do país. Essa é uma das minhas funções e gostaria muito de ser escalado novamente.

Como Engenheiro e profissional do setor aeroespacial, tenho muitos projetos de inovação de curto, médio e longo prazo que deverão contribuir para o desenvolvimento de novos produtos, empresas e empregos no país.

Como Pesquisador, pretendo auxiliar o desenvolvimento da ciência e da tecnologia espacial no Brasil através da criação de Centros de Excelência específicos para o setor nas diversas regiões do país.

Como Educador, pretendo fomentar a formação de recursos humanos através de cursos ligados à engenharia aeroespacial em universidades públicas e privadas brasileiras, através de cursos corporativos, seminários e conferências para empresas aplicando a minha experiência em operações e projetos para desenvolver soluções específicas para cada caso,  através da aplicação de  coaching executivo e de desenvolvimento pessoal para a maximização dos potenciais de trabalho e qualidade de vida de estudantes e profissionais, etc.

Como ser humano, eu pretendo ser feliz, e cada vez mais satisfeito por “fazer a minha parte”.

 

Aquarius LifeA pessoa que foi é a mesma que voltou?

Marcos Pontes – Nenhum ser humano vai ao espaço e retorna o mesmo. A separação do nosso Planeta, onde está a nossa história de vida, as pessoas que convivemos, nossos sonhos, etc, nos coloca em uma posição de “observador da própria vida”. Isso nos faz pensar no que somos e para que vivemos. A visão da Terra, das estrelas, e a simples comparação de tempo e espaço nos faz pensar sobre a nossa insignificância física perante o universo. Não entendemos a maneira como vivemos com relação ao meio-ambiente, percebemos a necessidade de imediata mudança nos padrões de relacionamento da humanidade com a Terra e com nós mesmos. No futuro não há lugar para discriminações, guerras, etc. Somos uma espécie frágil matando uns aos outros por coisas passageiras e irrelevantes no contexto universal. Mais ainda estamos matando o planeta em que vivemos, como um câncer de pele. Seria isso uma raça inteligente, quando vista de fora das nossas “urgências da vida”?

Aí procuramos respostas no universo sobre as nossas questões básicas como seres humanos. De repente você descobre que essas respostas estão, e sempre estiveram, dentro de você mesmo. Só faltava prestar a atenção devida e ouvir. Somos, todos, parte do universo, como seres humanos em consciência. Somos muito maiores que podemos “raciocinar”.

Aquarius LifeO que significa para o futuro do Brasil ter uma astronauta que o representa?

Marcos Pontes – Depende do interesse das autoridades e instituições em usar os recursos que eles tem a disposição. Um astronauta, assim como um piloto de caça, um artista, um cientista, um engenheiro, etc, é um profissional dedicado e com grande qualificação, pronto para produzir grandes obras e serviços. É um recurso precioso para o país, sem dúvida, conforme demonstrado por muitos exemplos nos países desenvolvidos, onde eles existem há mais tempo. Contudo, é responsabilidade primária das autoridades e instituições o fornecimento de condições, projetos, aplicações e ferramentas para que possamos executar nossas funções de forma útil e eficiente para o país em qualquer tempo.

Aquarius LifeEncerrada a Missão Centenário por que é importante continuar no desenvolvimento de tecnologia espacial no Brasil?

Marcos Pontes – A missão Centenário foi apenas um pequeno projeto do programa espacial brasileiro, tanto em termos de duração quanto custo, relativo aos outros projetos. Certamente tem enorme repercussão pública, como todas as primeiras missões tripuladas de todos os países. Contudo, o programa é um contínuo. As atividades espaciais no Brasil começaram em 1961, e ainda há muita coisa a fazer.

O pensamento de que não é necessário investir em ciência, tecnologia e educação para apenas tratar de assistencialismo é o melhor caminho para criar miséria, ignorância, fome e dependência constante de países mais desenvolvidos. Basta ver os exemplos que temos no mundo atualmente. Acredito que não seja esse o destino que brasileiros, de verdade, querem para o nosso país. Se você não quer um país cada vez pior e miserável, tem que investir em educação, ciência e tecnologia. Queremos um país exuberante em natureza, com uma indústria forte, economia estável e ativa, muitos empregos, pessoas cultas e educadas, bem estar social, produtos sendo produzidos e comprados pelo mercado interno, exportações de alto valor agregado, segurança pública, saúde e educação. Tudo isso vem do investimento inteligente, constante e bem gerenciado em EDUCAÇÃO (para gerar cidadãos não “manipuláveis”, qualificados e preparados para o mercado de trabalho), CIÊNCIA e TECNOLOGIA (para extinguir dependências ridículas, gerar agricultura forte, gerar empresas, exportações e empregos para as pessoas qualificadas pela EDUCAÇÃO). Os três setores têm de andar juntos (Educação, Ciência e Tecnologia). Não adianta um caminhão de doutores com diplomas pendurados nas paredes e nenhum projeto de interesse público e comercial efetivo. Não adianta uma legião de dependentes de assistencialismo constante, acostumados a apenas pedir, sem qualificação ou interesse (o que é pior) de aprender, trabalhar e crescer. Assistencialismo deve ser apenas emergencial, e deve ser extinguido no mais curto período de tempo possível. Deve durar apenas o suficiente para que essas pessoas (em meio a necessidades e precariedades) se preparem e assumam empregos que lhes dêem satisfação e dignidade como seres humanos úteis e produtivos. Essa é a prioridade que países desenvolvidos deram para educação, ciência e tecnologia. O programa espacial faz parte disso, e as pessoas de maior visão sabem muito bem disso.

Aquarius Life – O que representa a cidade de São José dos Campos – SP para o Brasil, para o mundo e para você?

Marcos Pontes – Para mim, e para a minha família, a cidade de São José dos Campos foi um lugar de crescimento, onde passamos momentos importantíssimos da nossa vida, e um lugar que guardamos com muito carinho nos nossos corações.

Para o Brasil, São José dos Campos é o primeiro pólo de desenvolvimento aeroespacial do país, graças aos sonhos do Marechal Montenegro, que nunca se curvou perante o negativismo e a inveja dos pobres de espírito.

Para o mundo, São José dos Campos é uma promessa, cuja descrição específica está escrita nos ideais de cada um dos nossos conterrâneos Joseenses.

LIFE | cotidiano - Publicado 16:25 | - Redação

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Comentários:

One thought on “Entrevistado: Astronauta Marcos Pontes

  1. marina disse:

    qual e a sua missão preferida ?por que?

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