Entrevista: Infectologista fala da H1N1


Confira entrevista com a infectologista Dra. Ana Carolina Redondo de Carvalho e saiba tudo sobre a gripe que vem ameaçando a saúde pública e gerando grande temor principalmente nas gestantes e mães de recém-nascidos. “O maior aliado é a prevenção por meio da higienização das mãos com álcool em gel”, afirma a especialista

h1n1

Life – O surto de H1N1 chegou mais cedo ao Brasil este ano?
Dra. Ana Carolina Redondo de Carvalho – Realmente a gente espera um aumento nos números de casos de gripe durante os meses de inverno. Agora tivemos um aumento nos casos antes do esperado.

Life – Qual a forma de contágio da gripe H1N1?
Dra. Ana Carolina – Ao tossir deve-se proteger a boca, mas sem utilizar as mãos. Prefira usar o cotovelo para fazer a proteção. O fator principal de prevenção é lavar as mãos constantemente, sempre que possível com água e sabão. Mas o nosso grande aliado é o álcool em gel. Todos devem carregá-lo para efetuar a higienização das mãos com frequência, principalmente após tocar em locais onde muitas pessoas tocam. Vale ressaltar que o H1N1 é um vírus de transmissão respiratória, feita por aerossol ou por gotículas de secreção que são expelidas quando nós falamos, tossimos e espirramos.

Life – Qual a importância da vacinação?
Dra. Ana Carolina – Nenhuma vacinação garante 100% de imunização. Mas existem diversos estudos que demonstram a diminuição das formas graves de hospitalização e mortalidade com o uso da vacina. Aí se encontra a importância da vacinação contra o H1N1, já que a pessoa pode até apresentar um quadro gripal, mas tem reduzida a chance de ela ter uma forma grave.

Life – Qual a dose correta? Quais os tipos de vacinação existentes?
Dra. Ana Carolina – A partir dos 9 anos de idade até os adultos a vacinação é uma dose única. Já crianças de seis meses aos 9 anos incompletos devem receber duas doses com intervalo de 30 dias entre as doses, só que isso – a princípio – é somente no primeiro ano em que a criança é vacinada. Existem dois tipos: quadrivalente e trivalente. A quadrivalente só é aprovada pelo laboratório para criança acima de três anos e a trivalente pode ser dada a partir dos seis meses de idade. A Quadrivalente encontra-se disponível na rede privada. A diferença entre as duas vacinas é que a trivalente tem somente três cepas de vírus da gripe, a H1N1 A e uma cepa do vírus B. Já na quadrivalente há mais uma cepa de vírus B, então para proteção contra o H1N1 as duas são equivalentes. Também é válido lembrar que quando a criança tem menos de seis meses o ideal é que os pais e cuidadores também se vacinem para evitar que a criança tenha contato com o vírus.

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Life – Além do Zika, o H1N1 também representa perigo em potencial para as gestantes?

Dra. Ana Carolina – A gente sabe que o H1N1 tem um risco potencial para as gestantes porque elas se encontram em um grupo em que há uma evolução pior e que existe um risco aumentado de morte. Então é importante que tanto as gestantes como as que estão no período de puerpério (até 45 dias pós-parto) se vacinem.

Life – Quais as formas de prevenção?
Dra. Ana Carolina – Devemos sempre enfatizar as orientações, mas a gripe em si, independente do tipo, circula entre os seres humanos há milhões de anos. É difícil ter um controle mesmo com as medidas de prevenção. O que se deve fazer é evitar aglomerações, locais fechados e sem circulação de ar. Isso aumenta o risco de contágio. Também devemos ter cuidado com o compartilha-mento de objetos, principalmente objetos que tenham secreção ou saliva como copos, canudos e talheres. Pode-se diminuir a incidência do vírus com essas medidas de prevenção. As pessoas doentes devem ficar em casa para evitar o contágio para outras pessoas. É importante também efetuar uma limpeza com álcool a 70% nos locais que são tocados por muitas pessoas como maçanetas, corrimões, telefone e teclado. Deve-se fazer uma higienização com álcool a 70%. Passar um pano três vezes nos locais mais suscetíveis ao vírus.

Life – Além dos grupos de risco, como crianças, idosos e agentes de saúde, quem pode se vacinar na rede pública?
Dra. Ana Carolina – Crianças de seis meses a cinco anos, gestantes, mulheres no período de puerpério, profissionais da saúde, povos indígenas e indivíduos que têm 60 anos ou mais.

Life – O que caracteriza uma epidemia? E pandemia?
Dra. Ana Carolina – Epidemia é quando o número de casos supera o número de casos esperados para aquele determinado local em um determinado momento. Sempre que temos esse aumento de casos trata-se de uma epidemia. Já a pandemia é quando se tem um aumento de epidemia em diversos locais do Globo.

Life – Já foi constatada alguma mutação do vírus H1N1?
Dra. Ana Carolina – Até o momento não se sabe se houve alguma mudança nesse vírus que está circulando. É claro que os vírus podem ter modificações de período em período, mas até o prezado momento não foi observada nenhuma modificação.

Dra. Ana Carolina Redondo de Carvalho
Dra. Ana Carolina Redondo de Carvalho

Dra. Ana Carolina Redondo de Carvalho
Infectologista
Consultório: Av. Alfredo Ignácio N. Penido, 255 – sala 807 – Ed Le Classique
tel: 12 3942-4213


LIFE | entrevistas - Publicado 11:06 | - Redação

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