“E nem aí”. Vem aí Copa e Olimpíada!


Enquanto a corrupção suja o principal exame nacional do ensino médio, a cidade do Rio de Janeiro é confirmada como sede dos Jogos de 2016 e os estádios de 2014 seguem indefinidos. Lema é “construir a qualquer preço e em qualquer lugar”.

 

O importante é competir. Ou seria construir? Se a indagação fosse direcionada aos políticos e cartolas do esporte, a resposta certamente estaria na segunda oração. Mas quais os reais benefícios para a população em sediar os dois maiores eventos esportivos do mundo?

Uma coisa é certa: o desenvolvimento de um país começa pela educação, assim como a produção de atletas de alto rendimento. Com base em tal afirmação, o que dizer sobre o vexatório momento da educação brasileira? Justamente no ano em que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) passa a ser considerado com relevância pelas principais universidades públicas e privadas do país, um dos profissionais responsáveis pelo sigilo da prova a oferece a uma jornalista do “O Estado de São Paulo”, pela exorbitante quantia de 500 mil reais.

Quanta discrepância e corrupção. Se não fosse a ética, integridade e responsabilidade de uma profissional de imprensa, a fraude do exame seria encoberta e jamais se tornaria de conhecimento público. Enquanto isso, o sorridente presidente comemora e nosso principal garoto-propaganda se refere a Michael Jordan como Michael Jackson. E como errar é humano, o que dizer da experiência com o decadente Jogos Pan-americanos, que extrapolou o orçamento inicial em nada mais nada menos do que dez vezes?

Nem soluções adequadas nossos políticos conseguem apresentar, já que as novas datas do Enem conflitam com provas de diversos vestibulares país afora. E o que comentar sobre os elefantes olímpicos que habitarão a cidade maravilhosa pós-Jogos? Ou os modernos estádios, construídos em “importantes palcos futebolísticos” como as incomparáveis regiões amazônica e pantaneira?

O que importa daqui para frente não é a educação física em escolas nem o incentivo à prática de esportes, e sim estar de acordo com os padrões estabelecidos pelos ambiciosos COI (Comitê Olímpico Internacional) e FIFA (Federátion Internationale de Football Association), que historicamente, mesmo com João Havelange tendo perpetuado no comando do futebol por décadas, cresceram e permanecem na realidade do primeiro mundo e não na de um país pobre e desigual como o Brasil.

Sem surpresas, o excelentíssimo Ministro dos Esportes defende a conquista de 2016 com números e estatísticas dos últimos Jogos, realizados em Barcelona, Atlanta, Sydney e Atenas, respectivamente. Ora, qualquer indivíduo com o mínimo de intelecto sabe apontar a abissal distância entre a realidade brasileira e a dos países mencionados.

A administração do esporte nacional é tão precária que técnicos receitam substâncias proibidas a seus próprios atletas. Isso sem contar a aversão entre a elaboração inicial dos projetos e sua efetiva concretização. O antes descartado investimento público já começou a ser realidade. O Morumbi gera controversas entre FIFA, Ricardo Teixeira (presidente da Confederação Brasileira de Futebol) e dirigentes tricolores. Tirar a abertura da Copa do município de São Paulo é um absurdo. É compreensível que o Morumbi não agrade a Fifa, mas a capital paulista é o principal centro do futebol em território brasileiro.

Se a arena não atende o padrão internacional, que se construa uma nova, em um local de fácil acesso, com estações de metrô e estacionamentos. Isso sim seria um investimento contínuo e passível de retorno, já que o eventual novo palco continuaria sendo usado pós-Copa e geraria receitas através de comercializações de cativas, placas publicitárias e nome do estádio.

Temos que utilizar os bons exemplos, como China e África do Sul, e não iludir a opinião pública de que “tudo é uma festa”, como fazem praticamente todas as emissoras de televisão. Com exceção da Espn e Gazeta, os demais veículos comemoram o que qualificam como “acontecimentos do milênio”, que conduzirão o país a uma nova realidade econômica e de progresso.

É impressionante como as décadas passam e as músicas de nossos criativos artistas seguem encaixando como uma luva no contexto nacional. E como já escrevera Renato Russo, “Que país é este?”, mas quem sabe o Brasil não deixa de ser pobre e desigual com tantos projetos e construções. “Sonhar não custa nada”, mas acreditar no improvável é contribuir para a construção de um hipotético futuro. E homenageando um grande amigo, dotado de 35 anos de experiência em jornalismo, “E assim caminha a mediocridade…”.


LIFE | artigos - Publicado 16:16 | - Redação

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