Doença de Alzheimer: é possível preveni-la?

Forma mais frequente das síndromes demenciais, enfermidade é responsável por cerca de 50% a 70% das causas de demência em países industrializados. Dedicação de familiares é essencial para o tratamento do paciente, que deve ter à disposição a melhor qualidade de vida possível. Confira entrevista com neuropsiquiatria e fique por dentro das principais novidades

Aquarius Life – Pessoas que tiveram parentes próximos com a doença de Alzheimer possuem maior predisposição?
Dr. Carlos H. Ferreira Banys – Sim. Histórico familiar é um dos fatores de risco para a doença de Alzheimer. Pessoas que possuem parentes de primeiro grau têm de 10% a 30% de risco de desenvolver a doença comparada com indivíduos que não possuem histórico familiar. Vale lembrar que isto não quer dizer que a pessoa terá a doença, mas que ela possui um aumento de risco. Além disso, a idade em que começa a doença no parente de primeiro grau acometido é importante. Quanto mais jovem for a pessoa acometida, maior a chance de se manifestar em seus parentes de primeiro grau. O oposto também vale. Um estudo mostrou que parentes de primeiro grau tinham o risco de desenvolver a DA (Doença de Alzheimer) similar a população normal se o paciente desenvolveu a DA após os 85 anos.

Alife – Há algo que as pessoas podem fazer para evitar ou prevenir a DA?
Dr. Carlos – Ainda não há nenhum estudo que confirme que algo possa ser feito. No entanto, há vários estudos que apontam que as mudanças no estilo de vida e hábitos podem reduzir as chances do desenvolvimento da DA. Assim, o controle de fatores de risco cardiovasculares como o diabetes mellitus, a hipertensão arterial podem prevenir o desenvolvimento posterior da doença. Alguns estudos sugerem benefícios preventivos de algumas demências em pacientes com uma dieta saudável, rica em frutas e vegetais. Quanto aos hábitos de vida, estudos sugerem que pessoas com maior nível de atividades física e intelectual podem ter maior nível cognitivo quando idosos e assim estarem mais prevenidos ao desenvolvimento de uma demência.

ALife – Em relação à alimentação, há algum tipo de dieta ou alimento relacionado com a prevenção?
Dr. Carlos – Não, mas estudos que avaliaram os hábitos alimentares sugerem que dietas saudáveis, ricas em frutas e vegetais podem ajudar na prevenção. A maioria dos estudos mostram benefícios de alto consumo de peixes e de ômega-3 na diminuição do risco. Alguns estudos também mostraram este benefício por meio da chamada dieta mediterrânea, rica em frutas, vegetais, grãos, sementes e que inclui o óleo de oliva, com maior quantidade de peixes e menor de carnes vermelhas.

ALife – Existe alguma maneira de descobrir, ainda na idade adulta, se uma pessoa irá desenvolver a DA na melhor idade?
Dr. Carlos – Não, mas há fatores que podem estar presentes e que aumentam o risco da pessoa desenvolver a DA no futuro, como algumas alterações genéticas. No entanto, nenhum destes fatores mostra com absoluta certeza se aquela pessoa vai desenvolver a doença em uma idade mais avançada, mas que aquela pessoa tem risco aumentado. Há algumas técnicas novas chamadas de PET, que usa marcadores das proteínas que se depositam no cérebro de pessoas com DA, como a proteína Tau e betaamiloide, que podem mostrar alterações vários anos antes dos sintomas se iniciarem, mas seu uso ainda é mais restrito a centros de pesquisa e mesmo assim não fazem um diagnóstico definitivo da existência da doença.

ALife – A partir de qual idade a pessoa começa a apresentar sintomas? Quanto tempo antes de apresentar os primeiros sintomas a doença já está se desenvolvendo?
Dr. Carlos – Depende. Há basicamente dois tipos de DA conforme a idade do início dos sintomas: a DA senil, que se inicia após os 65 anos e a DA présenil, que se desenvolve antes dos 65 anos. A forma mais comum é a senil. Uma pequena porcentagem das demências começa antes e são mais associadas a formas genéticas da DA, chamada de DA familial, sendo que os sintomas podem se iniciar ao redor da quinta década de vida. Atualmente se sabe que o depósito de substâncias anormais no cérebro dos indivíduos que irão desenvolver a DA começa anos, em alguns casos décadas antes do início dos sintomas.

ALife – O número de pessoas com DA vêm crescendo? Isso estaria relacionado com a queda na qualidade de vida no século XXI?
Dr. Carlos – Sim, há um aumento que está relacionado ao fato de a população estar envelhecendo. A idade é o mais conhecido e o principal fator de risco para o desenvolvimento da DA. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a parcela da população que mais aumentou nas últimas décadas foi a de idosos e, portanto, o aumento do número de casos de DA é particularmente notável.

ALife – Quais são as orientações gerais para minimizar a chance de desenvolver DA?
Dr. Carlos – Manter uma dieta saudável, rica em frutas, vegetais e peixes no lugar de gorduras saturadas e com menor quantidade de carnes vermelhas; controlar fatores de riscos vasculares como hipertensão arterial, diabetes mellitus e colesterol; manter-se ativo do ponto de vista físico, intelectual e social.

LIFE | saude - Publicado 08:12 | - Redação

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