Depressão em gays. Chegou o momento de solicitar ajuda?


Consultórios de psiquiatria e psicologia oferecem tratamentos diferenciados para os homossexuais. Pressão da sociedade e desamparo familiar são os principais responsáveis pela queda da autoestima no público GLS

A grande questão para os indivíduos que se sentem deprimidos ou abatidos é ter a capacidade de conseguir determinar a oportunidade adequada para recorrer a um profissional especializado, já que nem sempre o sujeito possui consciência da gravidade de seu estado emocional, o que acaba refletindo em toda a sua qualidade de vida.
Entre os principais fatores que levam determinado homem ou mulher homossexual ao sentimento de solidão, destacam-se a coação da sociedade e o desapoio familiar. “Estar agregado na sociedade em que se vive e ter sustentação familiar são elementos essenciais para o bem estar de qualquer indivíduo. O gay sofre muito mais que o heterossexual quando se sente sozinho”, explica o psiquiatra, Dr. Carlos H. Ferreira Banys.
“Nos momentos difíceis o indivíduo possui receio de dialogar e expor seus sentimentos até para seu parceiro íntimo, já que tem medo de parecer fraco e aparentar que não suporta toda a pressão”, conclui.
Questionado sobre o índice do número de suicídios no público homossexual, o médico é restrito. “Já tive acesso a uma pesquisa referente ao número de suicídios de gays em relação aos heterossexuais, mas prefiro não revelar tendo em vista que os números são contraditórios. É muito delicado especificar, por razões éticas, que determinada pessoa que se auto-eliminou é gay”, enfatiza.
Nos consultórios psicológicos, a questão da homossexualidade também necessita ser abordada de forma delicada. Segundo a psicóloga Maiara Cristina Nascimento, é necessário dialogar com precaução e passar confiança ao paciente, para somente depois tocar na questão sexual. “O tratamento para gays é diferente. O paciente chega com algum sintoma psiquiátrico, como depressão ou ataque de pânico, e no início não aborda a preferência homossexual. A dificuldade do tratamento consiste na ausência de apoio familiar”, resume.
Em relação ao atendimento simultâneo de casal, Maiara é indiferente e expõe que o tratamento individual ou em dupla não interfere no resultado. “O importante é não desistir do tratamento e debater as crises existenciais com naturalidade, o que varia de indivíduo para indivíduo. Já tive casos em que o atendimento começou com o casal, mas após algumas sessões somente um paciente continuou e o resultado foi positivo, já que sua angústia diminuiu sensivelmente com o decorrer das terapias”, conclui a psicóloga.

Mas enfim, a pessoa já nasce gay?
Entrevista aborda a interferência do meio social na sexualidade do indivíduo e expõe a visão da medicina em relação ao comportamento do homossexual

Aquarius Life – O homossexualismo é genético?
Dr. Carlos – Existe uma incidência maior de concordância sexual entre gêmeos univitelínicos (nascem do mesmo óvulo) do que entre gêmeos dizigóticos (nascem de óvulos diferentes), o que sugere uma pré-disposição genética oculta. A estatística mostra que existe uma tendência genética para o homossexualismo, mas nenhum estudo até hoje conseguiu comprovar essa herança hereditária a nível cromossômico.

Aquarius Life – Antigamente a medicina rotulava o homossexualismo como doença. Quando o tabu foi quebrado?
Dr. Carlos – Em 1973, a luz de novas informações clínicas e sob imensa pressão política e social da National Gay Task Force, a APA (Associação Psiquiátrica Americana) mudou seu diagnóstico de homossexualidade, que até então era classificada como uma patologia, para opção individual. Desde então, só é considerado doente o gay que não consegue conviver de forma equilibrada em função de sua escolha sexual.

Aquarius Life – Qual a representatividade da influência social na escolha da sexualidade do indivíduo?
Dr. Carlos – Esta influência realmente existe. O homossexual masculino tem uma forte fixação à mãe e sente falta de cuidados paternais efetivos, o que reflete na ausência de competição com irmãos e irmãs. Quanto à homossexualidade feminina, os pais são ternos, íntimos e muitos possessivos, independente do comportamento materno, o que leva a menina a se identificar com o sexo masculino. Pela minha experiência, eu avaliaria que estes casos representam apenas 10% do público homossexual.

Aquarius Life – Existe a possibilidade de o indivíduo homossexual voltar a ter preferência pelo sexo oposto?
Dr. Carlos – Não, porque a determinação sexual do cérebro ocorre no período gestacional.  Se um feto masculino for exposto a altas doses de estrógenos, ele fica “feminino”, e se o feto feminino for exposto a altas dosagens de andrógenos, o cérebro torna-se “masculino”. Essas determinações são definitivas.

Aquarius Life – A partir de qual momento o homossexual deve procurar ajuda médica?
Dr. Carlos – Quando ele sofre a síndrome de angústia pela orientação sexual. Essa síndrome reflete o conflito entre o homossexual e a estrutura de valores da sociedade, podendo tornar-se um transtorno ansioso ou depressivo. Este é o momento de procurar ajuda médica.

Aquarius Life – A procura de auxílio psiquiátrico pelos homossexuais tem aumentado nos últimos anos?
Dr. Carlos – Sim, a procura tem aumentado de forma razoável nos últimos dez anos. Acredito que este número cresceu em função do maior conhecimento da população homossexual sobre a síndrome da angústia da opção sexual.


LIFE | saude - Publicado 23:24 | - Redação

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