Déficit de atenção também compromete adultos


Indivíduos com o transtorno seriam mais propensos a se envolver em acidentes de trânsito e a abandonar estudos

sintomas-de-tdahEstudos recentes indicam que não é só durante a infância que podem surgir sintomas do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Segundo uma pesquisa brasileira – ao contrário do que estabelece o manual de psiquiatria americano usado como referência em diversos países – o TDAH poderia surgir em adultos que não apresentaram sintomas até a puberdade.
O estudo, publicado no “Journal of the American Medical Association”, acompanhou mais de quatro mil pessoas dos 11 aos 18 anos. No início da pesquisa, 8.9% dos participantes foram diagnosticados com TDAH. No fim, aos 18 anos, 12,2% tinham o transtorno.
Excluindo indivíduos que apresentavam fatores que podiam influenciar no resultado, como por exemplo o abuso de drogas, os pesquisadores chegaram a um total de 6,3% de adultos com TDAH. O interessante é que somente 17,2% dos adultos com o problema o tinham na infância.
A preponderância de meninos com déficit de atenção também se inverteu na idade adulta, quando o problema acometeu mais mulheres. Muita coisa pode explicar essa disparidade. É possível, por exemplo, que pais

cuidadosos e estímulos ambientais amenizem um déficit de atenção na infância. Já na idade adulta, quando a cobrança aumenta, seria mais difícil mascarar os sintomas.
“Mas também é possível que estejamos diante de dois problemas distintos. O TDAH adulto pode ser independente do infantil”, explica o neuropsiquiatra da Unep, Carlos H. Ferreira Banys. Longe das obrigações escolares, o déficit de atenção ganha contornos mais graves.

“Pesquisas apontam que adultos com TDAH se envolvem em mais acidentes de trânsito, brigas, são mais propensos a serem presos, a contraírem doenças sexualmente transmissíveis, a largarem os estudos. São, em suma, pessoas mais impulsivas e com dificuldades em lidar com as exigências da vida adulta. Talvez o maior problema do adulto com esse transtorno seja a dificuldade em prospectar consequências e em sentir prazer com planos”, conta o médico.
Segundo o entrevistado, um adulto normal pode ter seu sistema de recompensa ativado diante da possibilidade de conquistar algo. “Quem tem TDAH só sente prazer quando o prêmio chega. Eles são imediatistas. É como se o cérebro fosse eternamente adolescente”, enfatiza.

Em relação ao tratamento, é bem similar ao das crianças e envolve a Ritalina e práticas complementares como treinamento cognitivo e meditação, usados para diminuir a dispersão. Um fator que dificulta o diagnóstico é constatar com precisão que determinada pessoa realmente possui TDAH, já que vivemos em um mundo propenso a distrações e com expectativas irreais de produtividade.
“Há dez anos era raro atender um paciente que achasse que tinha a síndrome e não tinha de fato. Hoje, entre dez desconfiados, três ou quatro devem ter um problema real”, finaliza o neuropsiquiatra.


LIFE | saude - Publicado 12:23 | - Redação

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