Extração da vegetação faz parte da construção de uma subestação de energia para abastecimento exclusivo do DCTA, responsável pela obra. Moradores questionam ação. “Tinha abacateiro, pé de mangas, ninhos de pássaros e há mais de 40 anos servia de pista de caminhada com sombras para a população”, lamenta entrevistado

Parte do visual verde do tradicional Jardim Paulista, na parte situada próxima à Via Dutra, perdeu um pouco do seu brilho. Centenas de árvores deixaram de existir e agora só serão recordadas em imagens de um passado que ficará mais distante a cada dia. Toda a vegetação que existia na rua Genesia Berardinelli Tarantino, altura do número 735, foi suprimida nesta quinta (15).
O corte das árvores faz parte do projeto da construção de uma subestação e rede de energia exclusiva para abastecimento do DCTA, órgão que também é responsável pelas obras. A população foi pega de surpresa e fez questão de mostrar grande indignação pelo corte das árvores. “Não fomos avisados. Fomos pegos de surpresa. Como eles tiram todas as árvores sem realizar um estudo de impacto de vizinhança?”, afirmou um morador do Jardim Paulista.
“Tinha abacateiro, pé de mangas, ninhos de pássaros, e há mais de 40 anos servia de pista de caminhada com sombras para a população. As imagens dizem tudo e retratam toda a dor de um local que perdeu sua vida, a sua essência em consequência de atitudes mesquinhas. Este povo não sabe a importância das árvores e da preservação do meio ambiente nos centros urbanos?”, desabafa outro morador.
A reportagem esteve no local e fez uma sessão de fotos que retratam toda a devastação causada pela ação dos tratores no local. Conforme dados oficiais da placa da obra (veja abaixo), as 212 árvores suprimidas serão compensadas com o plantio de 4995 espécies arbóreas nativas.
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Prefeitura
Procurada pela reportagem, a prefeitura informou que a supressão realizada na Rua Genésio B. Tarantino faz parte de Obra do Ministério da Defesa/Comando da Aeronáutica para construção de subestação rebaixadora de tensão e linhas de transmissão e distribuição que irá fornecer energia elétrica para o campus do DCTA – Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial e o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Segundo a nota, “Tendo em vista tratar-se de que a área de domínio federal pertencente ao DCTA, e uma obra de interesse nacional da Força Aérea Brasileira, a atribuição legal para o licenciamento ambiental compete à União. Entretanto, conforme tratativa e histórico de cooperação entre a Prefeitura e DCTA foi estabelecida medida compensatória nos termos do Decreto Municipal 16.297/2015, sendo que para a supressão prevista de 212 indivíduos arbóreos, foi estabelecido o plantio de 4995 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica e Cerrado. Tal compensação foi cumprida antecipadamente pelo DCTA entre janeiro e fevereiro de 2020, nas proximidades da área atingida, dentro do próprio terreno do DCTA, e a evolução das mudas é acompanhada pela equipe técnica da Prefeitura.”
Ainda no texto, “Em relação à condução técnica da supressão, a Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade recomendou ao Comando do DCTA que oriente a empresa contratada na boa técnica para a realização da atividade. Entendemos que o DCTA poderá prestar mais esclarecimentos sobre o planejamento da ação e a finalidade da obra.”
A reportagem entrou em contato com o Ministério da Defesa e com o DCTA. Assim que os posicionamentos forem dados esta matéria será atualizada.

EDP
A EDP informou que a subestação e rede de energia em questão é para o abastecimento exclusivo do DCTA e sua construção é executada pela própria instituição, o que compreende toda a gestão da obra e licenças exigidas. A Distribuidora comunicou também que é responsável pela aprovação do projeto relacionado à critérios técnicos do fornecimento de energia.
Ambientalista critica ação
Segundo o Engenheiro Florestal, Ciro Croci, da Equaliza Ambiental, o impacto aos moradores podem ser variados. “Normalmente muitos reclamam de quedas de folhas e risco de galhos sobre os telhados. Mas, uma árvore traz muitos benefícios à população urbana, como conforto térmico, captação de CO² (dióxido de carbono) da atmosfera, emissão de O² à atmosfera, capacidade fotossintética, geração de frutos, refúgio à fauna, redução da velocidade do vento, amortecedor e controle de ruídos, bem estar psicológico, sombra para pedestres e ciclovias, absorção de água evitando enxurradas, diminuição da impermeabilização do solo, embelezamento da paisagem, proteção contra processos erosivos, regulação do regime hidrológico e muitos outros. Sempre é necessário pensar muito se vale a pena a retirada de uma árvore”, avaliou o especialista.
A reportagem entrou em contato com o Ministério da Defesa e com o DCTA. Assim que o posicionamento for dado esta matéria será atualizada.






