Agressividade na Infância

Agressividade, do ponto de vista do desenvolvimento humano, é a arma daquele que se sente acuado, impotente, com dificuldade de se impor e de expressar aquilo que sente de forma que o outro o entenda e respeite.

Por volta dos 3 e 4 anos é normal a criança apresentar condutas agressivas em relação aos adultos e outras crianças, como bater , morder, chutar, cuspir…,porque a criança pequena ainda não sabe direito lidar com suas emoções, necessidades, sensações, sentimentos e nem se expressar de forma a se fazer entender totalmente. Quando é contrariada, a criança ainda não tem maturidade emocional para se controlar e pode acabar explodindo. É preciso esclarecer que, mesmo sendo parte do desenvol-vimento normal, ataques recorrentes de agressi-vidade podem ser um pedido de atenção e de ajuda.

Nesta fase, a agressividade é essencial-mente manipulativa, seu objetivo é o de conseguir satisfazer suas necessidades, isto é, a criança agride os outros para alcançar determinados fins, como, por exemplo, ganhar um brinquedo ou defender-se (é comum a criança dar tapas nos pais quando eles lhe chamam a atenção). Essa conduta é a forma que a criança encontra de controlar o ambiente, ou seja, é a forma mais eficaz de satisfazer suas necessidades.

A agressividade infantil passa a ser vista como não saudável para o desenvolvimento quando torna-se a forma preferencial da criança para resolver qualquer dificuldade. As condutas agressivas tornam-se um padrão frequente de comportamento e persistem com o tempo, podendo se transformar em um problema mais sério na adolescência e na vida adulta.
O comportamento agressivo é construído através da interação genética com o meio que a criança está inserida, sendo sua atuação particular a cada indivíduo. Os pais e educadores devem entender que o comportamento agressivo da criança não surge do nada. Ele é construído na interação com o ambiente. É importante considerarmos a subjeti-vidade humana, a individualidade e a vivência de cada um. Cada um dos fatores aqui apresentados não necessariamente vão se apresentar a todos os indivíduos. Para entender a agressividade infantil é preciso entender a subjetividade do indivíduo inserido na sua problemática. Isto significa considerar o contexto histórico-social de forma individual, única.

É preciso ressaltar que não são raros os casos em que os pais desconhecem ou ignoram um dos fatores mais importantes na reversão da agressividade, a sua origem. A importância em se conhecer a origem da agressividade, será funda-mental na reversão deste processo. Os pais, na maioria das vezes, por desconhecerem os fatores causais ou mesmo negligenciarem a agressividade de seu filho contribuem para sua acentuação.

As causas da agressividade infantil:

A criança não sabe como verbalizar, mostrar o que está sentindo em relação a algumas dificuldades pelas quais está passando e acaba apresentando condutas agressivas como forma de se manifestar. Por isso, é importante se questionar a respeito das dificuldades pelas quais a família está passando, como por exemplo problemas financeiros, separação, mudança de casa ou escola, perda de um ente querido, etc.

-Rejeição: mostrar claramente para a criança que ela não é amada ou que ninguém se importa pelo o que lhe acontecer.  Parece um pouco forte essa afirmação, mas muitas vezes a criança tem tudo que é necessário para sobreviver: comida, roupa, escola, casa; ou seja bens materias, mas não tem amor, atenção.

 – Inconsistência na forma de colocar limites: por vezes, os pais são permissivos demais, deixando que a criança faça tudo o que deseja, e, em outras ocasiões, são autoritários, punitivos e inflexíveis. Esse tipo de educação deixa a criança confusa sobre o que pode  o que não pode fazer e acaba tornando-se difícil para ela distinguir o certo do errado, o aceitável do inaceitável. Os pais quando estão com paciência deixam o filho fazer algo, quando estão sem paciência agem de forma autoritária diante da mesma ação. Pais e educadores devem ficar atentos quando dizem “não” à criança, devem se perguntar: “por que não?” e explicar para ela.

-Pais que estimulam a conduta agressiva: é muito comum encontrar pais que, temendo que seus filhos se tornem crianças “submissas”, estimulam e reforçam positivamente a violência. Porém, mais importante que isso é mostrar à criança que foi agredida por um colega que o erro é desse colega e que ele copiará um erro se agredi-lo de volta. Deve-se mostrar aos filhos que existem outras formas de se defender.

Violência doméstica: crianças que assistem a cenas de violência em casa, ou que são
vítimas da violência dos pais, podem aprender que essa é uma forma aceitável,
“normal”, de lidar com a raiva e com a frustração. Pais que usam a punição física para inibir comportamentos agressivos dos filhos também estão servindo como modelos agressivos, pois demonstram à criança que a violência tem poder e utilidade quando a utilizam na educação.

-Qualidade e não quantidade de tempo que os pais passam com as crianças: As crianças passam a maior parte do tempo em instituições escolares ou com pessoas fora do seu círculo familiar, chegam à noite e querem os pais, e os pais querem paz. Não pode. O que importa mesmo é a qualidade do tempo que os pais passam com os filhos. Você só tem meia hora no dia para ficar com seu filho, então nessa meia hora realmente fica com ele, se interessa pelo seu dia; brinca; conversa; lê histórias; assista televisão, mas dialogando sobre o que estão vendo… Mais vale meia hora com ele, do que o dia todo, mas cada um com seus afazeres: pais vendo TV, cozinhando e os filhos brincando no quarto, por exemplo.

Aumento da necessidade da criança de testar os adultos e as regras: “até onde posso ir?”, “eles continuarão me amando se eu desobedecer?” Com o desenvolvimento da criança, a agressividade passa a ser utilizada também para chamar a atenção e marcar o seu espaço.

– Sobretudo, ataques de agressão estão relacionados direta ou indiretamente à reação à frustração; se tudo que a criança quer o pai dá um jeito e dá para a criança, ela não aprende que na vida nem tudo será dado para ela. Há uma tendência dos pais acharem que serão bons pais somente se derem tudo e fizerem tudo o que as crianças querem. Isso não é verdade, poderão até estar gerando futuros sofrimentos ou muitas dificuldades para lidar com eles no futuro.

Na nossa sociedade, os pais estão cada vez mais poupando os filhos de se frustrarem, por vários motivos, o principal deles é que os pais passam o dia longe dos filhos e quando estão com eles não querem vê-los tristes e assim acabam cedendo tudo o que a criança quer.

E o que fazer para ajudar as crianças com comportamentos agressivos?

O desenvolvimento da moralidade precisa de desequilíbrios, que façam as pessoas, as crianças reverem suas hipóteses, pensarem sobre as normas, reverem as relações, questionarem os valores que tem, discutirem, coordenarem perspectivas, ou seja, esse processo não é solitário, então os pais e/ou educadores precisam incentivar a reflexão crítica, fazer pensar, rever suas crenças, gerar desequilíbrio, mas geralmente ocorre ao contrário, eles dão tudo pronto, dão soluções e não permitem que a criança pense sobre suas dificuldades, busque alternativas, auxiliando no processo e não prescrevendo comportamentos.

A função de ensiná-las outras formas de expressar a insatisfação (que não seja a agressão) e de controlar os sentimentos de raiva é dos adultos que a cercam. Educar uma criança significa mostrá-la maneiras eficazes de lidar com o que sente para que ela possua outros recursos tal como a fala, além das conhecidas crises de choro e de gritos. Esse ensinamento é feito com palavras, mas principalmente com exemplos práticos de comportamento (não adianta um discurso de não violência se, por exemplo, a criança vivencia constantemente o pai tendo crises de descontrole no trânsito).

Isso deve ser feito colocando limites nas crianças. A sociedade tem regras que exigem esforço das pessoas e nem sempre são agradáveis de serem cumpridas. Isso nos faz pensar que ensinando as crianças a lidar com o sentimento de frustração desde pequeno, estaremos ensinando-as a tolerar as frustrações no futuro, para que os problemas possam ser superados como máximo de equilíbrio e maturidade possível.

Outro fator que ajuda muito na reversão do comportamento agressivo é ajudar a criança a desenvolver empatia, que é a capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias, ou seja. ensinar a criança a colocar-se no lugar de quem foi machucado por ela. As pessoas geralmente não tem a capacidade da empatia desenvolvida o que pode gerar muitos conflitos e pouca compreensão.

 

Para ensinar uma criança a “domar” sua agressividade, algumas dicas são relevantes:

– Os adultos devem manter a calma frente à situação em que a criança se descontrolou.

-Deve-se explicar claramente para ela o que aconteceu, apontando as responsabilidades dela, as causas e conseqüências do fato ocorrido. Isso tende a ajudá-la a se controlar da próxima vez.

-É fundamental que ela peça desculpas quando seu descontrole tiver prejudicado alguém, mesmo que o pedido pareça forçado, ela vai aprendendo o que esperam dela.

-Criar alternativas para que a criança possa descarregar sua agressividade, como brincadeiras e esportes, tende a ser muito proveitoso.

Os sujeitos autônomos, capazes de controlarem sozinhos seu comportamento só se constituem através de um processo de ensino-aprendizagem, baseado no respeito, que enfatize a reflexão e a compreensão das regras, que permita a reflexão e compreensão sobre o próprio comportamento, sobre suas próprias ações.  Fazendo com que as crianças (tanto as agressoras, quanto as agredidas) reflitam e compreendem sobre suas atitudes diante do conflito estaremos preparando-as para o futuro.

Paula Goldman
Psicóloga e Pedagoga
CRP 06/81023
Tel. 12 8185.2223 / 3033.6303

 

LIFE | artigos - Publicado 23:19 | - Redação

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