Canabidiol mostra-se eficaz no combate às convulsões

Substância extraída da maconha é esperança ao propiciar alívio a pacientes com  epilepsias graves; apesar de inibir  as crises, canabidiol ainda não é registrado como remédio em nenhum país

Cada vez mais a medicina obtém resultados positivos em substâncias extraídas da polêmica maconha. Dos quase quinhentos componentes químicos encontrados na Cannabis sativa, os mais estudados atualmente são o canabidiol (CBD) e o “famoso” tetraidrocanabinol (THC) – componente responsável, dentre outros efeitos, por provocar alterações mentais temporárias.
“O uso medicinal da planta é fundamentado no equilíbrio dos canabinóides nela encontradas e que se alteram de acordo com as partes utilizadas. Por exemplo, o caule contém mais canabidiol. Já folhas e flores possuem maior índice de THC”, afirma o neuropsiquiatra da Unep, Carlos H. Ferreira Banys.
Segundo o médico o THC utilizado em proporções baixas – e combinado com o CBD – vem se mostrando um anticonvulsivante muito eficiente. “Essa combinação inibe crises onde outras drogas falharam. Estudos mais amplos e rigorosos estão acontecendo, mas é válido frisar que o CBD ainda não é reconhecido ou registrado como remédio em nenhum país”, enfatiza.
Apesar de análises e experimentos mais profundos estarem em andamento, o assunto já era debatido desde a década de 80 pelo pesquisador do Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) da Unifesp (Universidade de São Paulo) e médico psicofarmacologista, Elisaldo Carlini. Há cerca de 30 anos ele já alertava para as propriedades anticonvulsivantes do CBD. “As primeiras análises foram feitas em parceria com o químico Raphael Mechoulam – primeiro pesquisador a sintetizar o THC. Eles lançaram as bases científicas do Epidolex e depois do Sativex, que são capazes de controlar as dolorosas contrações musculares causadas pela esclerose múltipla”, relata o neuropsiquiatra.

No Brasil, o CBD figura como substância proibida, segundo normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No entanto, houve uma readequação sobre sua utilização no final de maio deste ano, passando para “tecnicamente recomendável”, porém “inócuo e sem efeito prático”. Atualmente, a Anvisa avalia cada pedido para importar óleo com canabidiol, sendo que a receita médica é necessária.
“Como a medicina é uma ciência, e estando assim sujeita ao Código de Ética Médica – que proíbe a prescrição de drogas não aprovadas pelos órgãos competentes, com punição exemplar -, é difícil encontrar algum médico que a faça”, avalia o entrevistado. Desde 2003, a produtora de cannabis Bedrocan, contratada pelo governo holandês para plantar e fornecer variedades de cannabis medicinal, com proporções fixas de THC e CBD, estão à venda em farmácias mediante a devida prescrição médica.     Mesmo com a utilidade medicinal de substâncias da maconha sendo aceita com o avanço dos estudos, Carlos. H. Ferreira Banys faz uma ressalva importante.
“O uso recreativo da maconha é problemático na adolescência e adultos jovens. O córtex pré-frontal, que é a sede da lógica e da tomada racional de decisões, ainda não ‘amadureceu’. Havendo abusos pode ocorrer a síndrome amotivacional, que consiste no prejuízo da memória, desinteresse, sonolência, lentidão psicomotora e de raciocínio. A utilização abusiva nessas faixas etárias podem tornar tais danos definitivos”, alerta. E complementa. “Já em adultos maduros, a síndrome de abstinência ocorre em cerca de 10% dos usuários, sem ocasionar outros problemas”.
Em meio a diversos estudos e possibilidades referentes à utilização medicinal da erva, prevalece a certeza de um tema complexo, que divide opiniões, conceitos morais, religiosos, sociais, familiares, políticos e profissionais e envolve até interesses comerciais e industriais. “Toda medicação possui efeitos colaterais. Precisamos conhecê-los. Mas o progresso não pode nem deve pagar o preço do preconceito”, encerra o psiquiatra.

LIFE | saude - Publicado 20:23 | - Redação

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