50 tons de cinza


Baseado no livro de E. L. James

O romance desajeitado é sobre um bilionário lindo e sádico chamado Christian Grey que procura uma submissa (masoquista), para praticar sexo na linha: sadomasoquista.

Ele tem a  personalidade trincada e problemática, não sabe quem é o pai biológico, a mãe era prostituta, usava drogas e faleceu quando ele tinha 5 anos, então ele foi adotado por uma família bilionária e não expressa muito afeto ou identificação com esses pais adotivos.

É um perfil razoável para explicar a ferida emocional de querer dominar e descarregar raiva.

Por acaso ele encontra uma jovem de 20 anos virgem e sonhadora chamada Anastasia Steel, que está prestes a se formar em literatura e trabalha numa loja, ambos sentem uma química muito forte logo no primeiro encontro (ela vai até a a empresa dele para fazer uma entrevista para o jornal da faculdade) e a história se desenrola.

Anastasia obviamente deslumbra-se com um homem que é bonito, bem-sucedido e a mima com viagens de helicóptero, dentre outras coisas.

Sempre é mais socialmente aceito o homem ter mais dinheiro do que a mulher num casal e ele ser mais velho.

Situações contrárias geram muito mais críticas e ofensas em diversos núcleos sociais.

O filme portanto, traz alguns esteriótipos e algumas novidades, como a abordagem crua e chocante a esse fetiche (sadomasoquismo).

Vejo 50 tons de cinza como uma expressão do proibido, do que é escondido, do que é contraditório, porém chama a atenção.

Não é um livro complexo, mas é razoável para uma autora estreante.

Vale lembrar que o Código Internacional de Doenças, CID, catalogou a prática do sadomasoquismo como distúrbio F65.5..

Porque após certo limite, pode haver machucados, fraturas e até mortes.

Mas muita coisa considerada distúrbio no passado, foi reclassificada hoje.

É assunto para diversos profissionais de saúde.

A história explora a relação entre os opostos, mostra como uma jovem virgem pode descobrir a sua sexualidade e de repente perceber que gosta de coisas agressivas, as quais nunca imaginou e o contrário, que um homem seguro na posição social e econômica, que acha que não vai se apegar emocionamente a ninguém, pode de repente se apaixonar e ter dificuldades de lidar com as suas próprias necessidades afetivas.

No fim, ela opta por terminar o relacionamento, pois na última sessão de sadomasoquismo, ela sentiu dor além do limite.

Mas trata-se de uma trilogia e na continuidade da série, eles acabam juntos e felizes.

Complementos valiosos para compreender a obra:

Curiosidade sobre o título:

Num momento de revelação sobre a sua infância problemática, Christian afirma que é emocionalmente quebrado em 50 formas diferentes.

Seu sobrenome: Grey, significa cinza em inglês.

Então o título é um trocadilho: 50 tons de cinza, não é sobre a cor, mas sobre os 50 tons e personalidades confusa do protagonista: Christian Grey.

A etimologia da palavra sadomasoquismo é:

O sadismo é a tendência em uma pessoa que busca sentir prazer em impor o sofrimento físico e moral a outra pessoa.

O masoquismo é a tendência oposta ao sadismo, é a tendência em uma pessoa que busca sentir prazer em receber o sofrimento físico e moral de outra pessoa.

Os termos foram cunhados inspirados em 2 autores que chocaram a sociedade no passado e causam espanto até hoje.

O primeiro termo: sadismo é baseado no nome do nobre francês: Marquês de Sade (1740-1814), que foi preso após publicar um livro chamado 120 dias em Sodoma, no qual o enredo é sobre um grupo de jovens preso num local, torturado de forma emocional, física e sexual até a morte. Sade não tinha boa fama e a prisão baseiou-se em parte por perseguição política e em parte por acharem que ele fez tudo aquilo na vida real para descrever tudo tão detalhado no livro, (fato nunca provado, porém sua agressividade era notória).

O segundo termo: masoquismo é sobre o escritor austríaco Leopold von Sacher-Masoch (1836-1895), que publicou o livro A Vênus de pele, onde um homem traído alcança o prazer após apanhar do amante da sua amada!

Polêmica: na internet grupos feministas acusaram o filme 50 tons de cinza de fazer apologia a violência doméstica e ao abuso sexual. Mas isso é um equívoco.

Os praticantes de sadomasoquismo ficam na posição de agressor e agredido por vontade própria, então não há apologia alguma a violência doméstica, abuso sexual ou afins no filme todo.

O ponto culminante da história é ela assinar um contrato dando permissão para ele fazer as agressões nos atos sexuais, então ele não a abusa ou explora.

Ele faz uma proposta (indecente? imoral? antiética? Talvez, mas a decisão é dela!).

Numa situação de abuso, obviamente a mulher não queria e está sendo subjulgada por questão de menor força física e outros fatores.

Já numa situação de violência doméstica, a mulher tem um vínculo afetivo, dependência financeira e até filhos com o agressor, por consequência disso não vê estrutura ou não tem coragem de sair da situação, sendo muitas vezes vista não com compaixão, mas com preconceito.

Até poucas décadas mulheres separadas eram totalmente marginalizadas, hoje isso diminuiu, mas é comum encontrar pessoas que acham que uma mulher (mesmo após os 18 anos) só é cidadã, se estiver sob os cuidados do pai ou marido.

Então abuso sexual é uma coisa, violência doméstica é outra e a prática sadomasoquista do filme é outra totalmente diferente das 2 anteriores.

E existe a situação contrária, a mulher pode ser sádica (geralmente nesse caso, usa-se uma expressão:”dominatrix”) e o homem pode querer ser o submisso, o masoquista.

Sendo que essa prática, em alguns casos é um rentável ramo da prostituição em muitos países e tema de publicação de diversos materiais pornográficos.

Porque na maioria das vezes é socialmente visto com naturalidade o homem ter mais dinheiro e ser mais velho do que a mulher e não o contrário?

Na Teoria da evolução das espécies, publicada em 1859, de Sir Charles Darwin, encontramos uma explicação muito interessante.

A tese oferece a seguinte explicação para esse fenômeno social: há muitos milênios, as mulheres ficavam nas cavernas e nas tribos cuidando dos bebês e os protegendo.

Elas dependiam dos homens para trazer a caça e se alimentarem.

Os homens menos habilidosos com arco e flecha, lanças e outros materias, morriam jovens nas lutas contra outros homens e animais enormes, já os mais habilidosos viviam mais e continuavam trazendo comida para as mulheres de sus tribos.

Por viver mais, tinham rugas e cabelo grisalho.

Portanto há uma espécie de arquivo no cérebro feminino que tem a informação inconsciente de que se ela procurar o homem mais velho (o que sobreviveu a luta)  e com mais dinheiro (o que trazia o alimento para ela), ele terá mais condições de cuidar de seus filhos.

Os homens tem esse mesmo arquivo e isso explica a competitividade profissional e social (na política e nas hierarquias, por exemplo) tão forte entre eles.

Isso explicaria até a vontade de guerrear, em tese.

E eles tem também a informação contrária sobre nós guardada: o conceito de que as mais jovens são mais saudáveis para carregar o feto, sobreviver ao parto e cuidar dos bebês.

Em termos evolucionários, a única meta na vida é passar os seus genes para frente através dos filhos e cuidar deles até que eles sejam auto-suficientes para passar os genes deles para frente também. A reprodução é a única alternativa para seres mortais, continuarem a existir pelo DNA que deixaram.

Claro que tudo isso é hipotético. Ao se verem num primeiro encontro romântico, um homem e uma mulher não pensarão essas coisas.

Isso está no plano inconsciente, hormonal e instintivo.

TEXTO DE: BONNIE HUTT

 

 

 

 

 

 


LIFE | artigos - Publicado 12:19 | - Redação

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